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Polo de desenvolvimento educacional

Nove em cada dez brasileiros acham importante incentivar crianças a ler

Verificar a percepção dos brasileiros em relação à importância do incentivo à leitura para crianças com até 5 anos de idade e sensibilizar a sociedade sobre a importância de desenvolver o hábito de ler ainda na infância. Esses foram alguns dos objetivos da pesquisa Leitura Infantil realizada pela Fundação Itaú Social em parceria com o Instituto Datafolha, divulgada em outubro de 2012.

Conforme o estudo, 96% dos entrevistados disseram que incentivar crianças de até cinco anos de idade a gostar de ler é importante (20%) ou muito importante (76%). Apenas 2% responderam que a prática é mais ou menos importante, 1% a considera pouco importante e 1% não a considera nada importante.

Entre os que atribuíram a nota 5, máxima na escala de importância sugerida aos entrevistados durante a pesquisa de campo, a maioria são mulheres, jovens e entrevistados que possuem mais escolaridade e poder aquisitivo. Já entre os que optaram pela nota 4, segunda na escala, na ordem decrescente, destacam-se os mais velhos e menos favorecidos em formação educacional e nível socioeconômico.

As principais razões mencionadas para acreditar na importância do incentivo à leitura são a contribuição com o desenvolvimento intelectual e cultural (54%), a formação educacional e criação do hábito de leitura (36%), o desenvolvimento de valores éticos (10%), a preparação para o mercado de trabalho (9%), a formação e o desenvolvimento pessoal (6%) e a socialização (5%).

A pesquisa também avaliou a experiência pessoal de leitura dos entrevistados na infância. Cerca de quatro a cada dez participantes afirmam que tiveram alguém que costumava ler livros ou histórias para eles nessa fase. Destacam-se nesse grupo jovens de 16 a 34 anos, das classes A/B e com ensino superior completo. Os pais dos entrevistados foram seus principais leitores, com destaque para a mãe.

Quando indagados se costumam ler para crianças no seu dia-a-dia, 37% dos entrevistados disseram que costumam ler livros ou histórias, particularmente as mulheres, adultos entre 25 e 44 anos, das classes A, B e C e com ensino médio e superior.

Conclusões – O levantamento aponta que é praticamente consenso entre a população brasileira a importância de incentivar crianças de até cinco anos a gostar de ler. As principais justificativas para esse posicionamento estão ligadas ao desenvolvimento intelectual e cultural da criança e à sua formação educacional. Os poucos que não valorizam esse hábito entendem que as crianças dessa faixa etária são novas demais e estão na idade de brincar.

Na percepção da população, o incentivo à leitura contribui para o direito que a criança tem à educação e ao aprendizado. Para quase todos os brasileiros com 16 anos ou mais, ler para crianças contribui para o seu melhor desempenho nos estudos e faz com que tenham mais vontade de aprender. Contudo, grande parcela da população acredita que as crianças não são incentivadas à leitura.

De forma geral é alta a correlação entre a escolaridade e o hábito de leitura, tanto na experiência quando criança quanto na fase atual. As mulheres declaram maior hábito de ler para os pequenos, mesmo entre as da classe C e de ensino médio.

Para o vice-presidente da Fundação Itaú Social, Antonio Matias, os resultados da pesquisa sinalizam que existe um amplo espaço para a disseminação da prática de ler para crianças pequenas, seja por meio de políticas públicas, de campanhas e ações dos investidores sociais privados ou de parcerias entre os vários setores. “A população está convencida do valor do hábito de leitura para a formação das crianças e garantia do direito de aprender e que deveriam realizar mais essa atividade”, afirma.

Metodologia – Foram realizadas 2074 entrevistas em todo o Brasil, distribuídas em 133 municípios, entre os dias 9 e 10 de agosto de 2012. Para leitura total da amostra, os dados foram ponderados de acordo com os pesos das regiões brasileiras, de forma que representam o universo estudado: Sudeste 42%, Nordeste 28%, Norte e Centro-Oeste 16% e Sul 14%. A amostra contempla 39% da região metropolitana e 61% do interior.

O estudo completo pode ser visualizado aqui.