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Polo de desenvolvimento educacional

No Chile, avaliação de impacto orienta implementação do programa “Aprender em Família” nas escolas municipais

Em 2010, a Fundação CAP iniciou a implementação do Programa Aprender em Família em escolas municipais do Chile. Os objetivos eram bem claros: ampliar e fortalecer o vínculo entre crianças, suas famílias e a comunidade escolar para facilitar o desenvolvimento integral, potencializar a aprendizagem e reduzir os riscos a que os estudantes eram exposto, mitigando a vulnerabilidade social das regiões. Para garantir a eficácia da iniciativa e da metodologia aplicada, o caminho foi realizar avaliações dos impactos periodicamente.

“Pudemos acompanhar a qualidade da implementação”, destacou a diretora do Programa, Teresa Izquierdo, ao apresentar a experiência durante o 13º Seminário Internacional de Avaliação Econômica de Projetos Sociais, promovido pela Fundação Itaú Social no final de outubro, em São Paulo. “A avalição de impacto permitiu intervenções mais focadas e melhorar o desenho do programa, projetando-o para uma escala maior e como política pública. Além disso, possibilitou análise e revisão de diferentes aspectos como indicadores, sistemas de registros e normas”, explicou.

O Programa Aprender em Família começou com 12 escolas. Atualmente, está sendo realizado em 60 unidades de ensino, em dez municípios, todas por adesão voluntária. Atinge 28 mil estudantes, 18.500 famílias e dois mil professores. A implementação, realizada durante três anos, obedece a uma sistemática com três linhas de ação. A primeira é a Relação Família Escola, cujo objetivo é demonstrar a importância dessa ligação para os envolvidos, por meio de estratégias de comunicação que compreendem reuniões, agenda escolar, caderno de planejamento e boletins educativos.

Outro braço é a Escola de Pais, que visa fortalecer as competências dos familiares para atuarem nesse processo. “É a parte mais importante do Programa, quando pais, mães, avós e professores são capacitados para acompanhar melhor os estudantes e são convidados a atuarem como monitores voluntários”, explicou Teresa. Por meio de oficinas, são trabalhados a identidade familiar (autoestima e proteção), apoio ao aprendizado e ao desenvolvimento (hábitos de estudo, leitura, sexualidade, prevenção contra drogas e habilidades sociais) e relações (limites, comunicação e resolução de conflitos). A terceira linha do Programa é o Redcreando, que realiza atividades entre estudantes, famílias e comunidade para ampliar e fortalecer vínculos.

Segundo Francisco Gallego, diretor científico do J-Pal, instituto responsável pela avaliação de impacto do Aprender em Família, o programa é amplo em objetivos e meios, com processos possíveis de serem implementados em escala maciça em escolas de regiões vulneráveis. “Avaliar é compreender e aprender sobre o que estamos fazendo”, destacou durante sua apresentação no Seminário. “Crianças, pais e professores declararam perceber maior envolvimento na relação entre escola e família. Verificamos resultados positivos em aspectos acadêmicos, como frequência, na dinâmica intra-escolar e em ações e percepções dos professores”.

Na fase intermediária, realizada após aproximadamente um ano de implementação, a avaliação permitiu modificações da grade de formação dos pais, intensificação da estratégia de leitura em família e ações específicas para aumentar o envolvimento de professores no desenvolvimento do programa. A avaliação final foi concluída há cerca de duas semanas e possibilitou à Fundação CAP perceber a dimensão dos aspectos que foram afetados. “Isso nos permitirá focar energias nos pontos centrais que queremos impactar, como a redução da violência”, apontou Teresa. “Aprendemos com a evolução e tomaremos medidas a partir dos resultados”.

A força da comunicação

Um elemento chave para aproximar os familiares do dia a dia das escolas e das atividades de seus filhos, com impacto direto no desenvolvimento escolar, é a comunicação. Essa foi a constatação do Programa Papás ao Día, realizado também no Chile pela equipe de Samuel Berlinski, diretor do Departamento de Pesquisa Econômica do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). “Compartilhar com os pais informações já disponíveis na escola promoveu a melhoria das notas, a redução de ocorrência de comportamentos ruins e os índices de repetência”, informou durante sua participação no Seminário.

A partir da premissa de que há uma forte relação entre nota e frequência com abandono e repetência, o programa utilizou uma tecnologia simples e acessível para encaminhar dados básicos aos responsáveis, que poderiam tomar medidas para orientar os estudantes, a tempo de evitar tais consequências.

O programa foi implementado em oito escolas municipais de Peñalolén, com alunos do 4º ao 8º ano, entre 9 e 13 anos, aproximadamente. Entre julho de 2014 e outubro de 2015, as equipes de campo fizeram upload dos dados coletados pelas escolas na plataforma digital, que automaticamente enviava mensagens de SMS para as famílias. Semanalmente, os responsáveis recebiam informações sobre a frequência no período. Uma vez por mês, a mensagem informava a nota recente de matemática comparada com a média da turma e os apontamentos de comportamentos positivos e negativos. “Esta não é uma solução geral, mas uma ferramenta de colaboração, se for bem utilizada, de maneira construtiva”, observou Berlinski.

Na avaliação do programa, a equipe mediu também o quanto os responsáveis valorizam a informação. A maioria deles confirmaram que estariam dispostos a pagar pelo serviço, caso as escolas não tivessem recursos suficientes para realiza-lo gratuitamente.