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No caminho certo

Depois de formação no Polo, educadora se sentiu mais segura para coordenar equipes: “Entendi a importância da escuta"


Em sua terra natal, Casa Nova (BA), Valéria Santos é a responsável pela gestão da educação infantil da rede municipal desde 2020. Foto: Arquivo pessoal

Por Wallace Cardozo, Rede Galápagos, Lauro de Freitas (BA)
Depoimento de Valéria Santos, graduada em letras, graduanda em pedagogia, coordenadora pedagógica da educação infantil municipal em Casa Nova (BA) — e cursista do Polo

Tenho uma rotina muito corrida. Trabalho com educação há 18 anos, mas tudo se intensificou quando recebi o convite para atuar na Secretaria de Educação do meu município. Casa Nova fica no extremo norte da Bahia, fazendo divisa com os estados do Piauí e de Pernambuco. Foi aqui que nasci e cresci. Estive fora apenas durante quatro anos, quando morei em Juazeiro para estudar.

Minha mãe conta que sempre fui muito curiosa. Se fosse preciso definir a Valéria do passado em duas palavras, provavelmente elas seriam estudiosa e sonhadora. Essa era eu. Gostava tanto de estudar que o meu desempenho escolar jamais foi motivo de preocupação para ela, que sempre apoiou a mim e aos meus três irmãos para continuarmos estudando. Todos concluímos pelo menos o ensino médio, e cada um seguiu o seu coração. Um trabalha com música, o outro com logística e a mais nova com vendas. Eu sempre quis ser professora e estou nessa jornada há quase duas décadas.

Estava no final do magistério quando descobri a gravidez. Decidi e precisei me afastar dos estudos durante cinco anos para me dedicar exclusivamente ao meu filho. Após esse período, nós nos mudamos para Juazeiro, onde cursei letras. Ainda durante a graduação, eu sentia que não era exatamente aquilo que queria. Como não consegui vaga para pedagogia naquele momento, continuei até concluir a minha primeira graduação.

Há três anos, o meu telefone tocou. A então secretária municipal de Educação de Casa Nova me convidava para assumir um cargo de coordenação. Fiquei muito feliz e prontamente aceitei o desafio. Desde então, coordeno toda a educação infantil pública do município. Atendo creches, pré-escolas, as escolas seriadas e as multisseriadas. Diariamente, lido com públicos, realidades e necessidades diferentes entre si e por isso preciso estar sempre me atualizando, por meio de formações e de pesquisas que faço por conta própria.

Numa dessas, descobri o ambiente de formação do Itaú Social, o Polo, e de imediato fui atraída pelo título de um dos cursos disponíveis: O Coordenador Pedagógico como Formador. Eu prontamente me inscrevi e já tive acesso a todo o material. Gostei muito da simplicidade da linguagem utilizada. Eu conseguia apreender o conteúdo sem precisar ficar fazendo anotações a todo momento, ou mesmo pausando a aula para pesquisar o que significava determinado termo ou expressão.

A maior parte do conteúdo tratava de práticas que eu já adotava no meu trabalho, como questões relacionadas à autoavaliação e à avaliação da equipe. Isso foi muito importante para que eu me sentisse mais segura com a forma como conduzo o trabalho de coordenação. Foi como uma indicação de que estou no caminho certo, e isso me tranquilizou. Por exemplo, antes do curso, trabalhar em equipe era um grande desafio para mim, pois eu ficava com medo da opinião das pessoas a respeito do meu trabalho, e isso me limitava. Agora, consigo entender melhor a importância da escuta atenta, do diálogo e das próprias opiniões. Sinto que tenho mais autonomia e segurança para fazer intervenções, quando necessário.

São quatro horas de muito conteúdo e objetividade, fundamental para quem, como eu, trabalha e estuda. Estou no sexto período da graduação em pedagogia e já planejando pós-graduações e mestrado. Aproveitei o embalo e já fiz também o curso Avaliação de Programas e Políticas para Famílias e Crianças na Primeira Infância. Fiz uma lista com várias outras formações do Polo e as recomendei aos gestores, coordenadores e professores com quem trabalho.

Com eles, organizo o que chamo de plantões pedagógicos. São duas datas no mês, quando me dedico a entender do que determinada escola precisa. Na primeira data, converso com gestores e coordenadores para tratar de questões formais e estratégicas, como as orientações sanitárias para famílias e professores ou a readaptação das crianças ao ensino presencial, e de temas específicos relacionados à gestão. Num segundo momento, o encontro é com os professores, com pautas pedagógicas, a exemplo de planos de aula, materiais educativos ou modelos de blocos de atividade.

Os plantões pedagógicos são momentos de orientação, mas principalmente de escuta. Assim, identifiquei que a equipe de uma das escolas estava com dificuldades em relação ao retorno à modalidade presencial e pude intervir. Escutei as demandas, pesquisei, preparei apresentação de slides e material escrito, propus algumas dinâmicas e finalizamos com um diálogo para alinhar as novas estratégias. Aos poucos, vamos observando e percebendo o que deu certo e o que não deu tanto assim. Esta sou eu: Valéria. Coordenadora. Formadora.

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