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Moldando o futuro

No contraturno escolar, o Projeto Boa Nova Futuro promove oficinas de arte em cerâmica, música e esportes para 80 crianças e adolescentes em Ipameri (GO)


Oficina de arte em cerâmica faz parte do Projeto Boa Nova Futuro: iniciativa foi apoiada pelo Edital Fundos da Infância e Adolescência (Edital FIA). Foto: Arquivo Associação Adelino de Carvalho

Por Wallace Cardozo, Rede Galápagos, Lauro de Freitas (BA)

No início do século 20, um empresário ipameriano — adjetivo de quem é natural de Ipameri, Goiás — viajou ao Rio de Janeiro e ficou encantado com a energia elétrica, ainda uma novidade à época. “Ele trouxe uma lâmpada, pendurou-a na farmácia da qual era dono e disse que não sossegaria enquanto aquela lâmpada não acendesse.” A trama é contada com orgulho pelo ipameriano Luiz Alberto Costa, que não é historiador, mas gosta da história do município porque “com a energia elétrica, vieram o primeiro cinema e a primeira agência bancária de Goiás”. “Somos pioneiros em tudo”, conclui. Luiz Alberto é ex-aluno e vice-presidente da Associação Adelino de Carvalho. Sempre destacando o pioneirismo ipameriano, ele conta que a associação foi fundada em 1966, “uma época em que pouco se falava em problemas sociais relacionados à criança e ao adolescente”.

Em seu principal programa, o Boa Nova Futuro, a Associação Adelino de Carvalho promove o ensino do artesanato em cerâmica a 80 crianças e adolescentes com idade entre 7 e 17 anos, em Ipameri. A iniciativa foi uma das aprovadas no Edital Fundos da Infância e Adolescência (Edital FIA). O edital é parte do programa IR Cidadão, do Itaú Social, que estimula os colaboradores do Itaú a destinar parte de seu imposto de renda devido aos Fundos da Infância e Adolescência (FIAs). Já no preenchimento da declaração do imposto de renda, qualquer contribuinte pode destinar até 3% de seu imposto de renda devido aos FIAs, ação que também é incentivada pelo Itaú Social.

Os participantes do Boa Nova Futuro são divididos em dois grupos. O primeiro é formado por aqueles com idade entre 7 e 13 anos. Para essa faixa etária, o contato com o barro é inteiramente manual, parecido com a manipulação da massa de modelar. “A cerâmica tem um processo bastante artesanal e sua aprendizagem passa por muitas etapas.”

Além do artesanato, as crianças participam de outras atividades, como oficinas de música e informática, reforço escolar e esportes. No segundo grupo, estão os estudantes que têm entre 14 e 17 anos. A principal diferença é que o grupo dos mais velhos aprende a cerâmica no torno, máquina giratória utilizada para modelar o barro. “Um torneiro leva muitos meses para começar a fazer peças bonitas. Para se tornar um verdadeiro oleiro, anos”, afirma Luiz Alberto.

Manipulação do torno durante oficina do Projeto Boa Nova Futuro: evasão escolar zerada entre os bolsistas do programa. Foto: Arquivo Associação Adelino de Carvalho

O movimento começa cedo na sede da associação. As turmas do turno matutino chegam às 7h e vão para o refeitório para o café da manhã. Depois, são divididas em grupos menores e destinadas às diferentes atividades, passando uma hora em cada uma delas. No fim do dia, participam de práticas esportivas. A estrutura da instituição é ampla, com campos de futebol, quadra de esportes e sala de informática com 20 computadores. Durante a pandemia da Covid-19, entretanto, as atividades do Boa Nova Futuro e das escolas passaram a ocorrer por meio da internet. “Com o recurso do Itaú Social, estamos garantindo conectividade para que todos os nossos alunos possam ter aulas.” O avanço da vacinação em Ipameri permitiu a retomada gradual das atividades presenciais.

O convívio de quatro horas por dia proporciona um relacionamento próximo entre os atendidos pela Associação Adelino de Carvalho e a equipe de 40 funcionários, dos quais 35 são ex-alunos. Todos os participantes do Boa Nova Futuro são estudantes de escolas públicas de Ipameri. Os que têm entre 14 e 17 anos recebem uma bolsa para incentivar a sua continuidade no programa, e o benefício é condicionado ao desempenho escolar. “A bolsa é um recurso educacional. Observamos se o aluno está frequentando a escola, por exemplo.” A evasão escolar entre os bolsistas foi zerada nos últimos anos.

Ao longo dos 55 anos de atuação da instituição, a demanda já chegou a ser de 400 estudantes. “Antes, as famílias tinham muitos filhos. O número de crianças diminuiu a ponto de algumas escolas de Ipameri fecharem por falta de alunos.” Outras oficinas eram ofertadas, mas estas foram se tornando insustentáveis e acabou restando apenas a de cerâmica. Além da lojinha localizada nas instalações da associação, as peças produzidas estão nas prateleiras de grandes redes de lojas pelo país. A receita gerada é utilizada para as despesas de manutenção do espaço e o pagamento dos funcionários e bolsistas. O artesanato também movimenta a economia local. “Temos várias cerâmicas caseiras de alunos que completaram 17 anos e montaram o próprio negócio. Ipameri tem se tornado um polo nacional de cerâmica artesanal.”

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