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Polo de desenvolvimento educacional

Metodologia que faz sentido

Mobilizar os professores para que eles trabalhem efetivamente conteúdos de Língua Portuguesa. Essa é a meta da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, programa do Ministério da Educação (MEC) e da Fundação Itaú Social, que conta com a coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) e parceria da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), do Canal Futura e do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed).

Para dar conta desse desafio, os educadores recebem material sobre os três gêneros textuais (poesia, memórias e artigo de opinião) para nortear as atividades com seus alunos. A metodologia é composta por uma seqüência didática com 14 oficinas de escrita, que correspondem a aproximadamente dois meses de trabalho. O primeiro passo é definir o motivo da produção, o leitor e onde o texto será publicado, seja no jornal comunitário ou em um livro que ficará arquivado na biblioteca escolar.

Segundo Sônia Madi, coordenadora do programa no Cenpec, não existe nada mais significativo do que escrever sobre algo relacionado à própria vida. “É por esse motivo que o tema central da Olimpíada é o Lugar Onde Vivo”, explica. Os participantes são estimulados a desenvolver uma percepção crítica e a realizar suas produções textuais com base nesse assunto. Depois, o professor avalia o que a turma sabe sobre o gênero a ser estudado e inicia a apresentação de modelos escritos por bons autores para repertoriar o grupo.

Escrever não é dom

A próxima etapa é definir o que dizer. Para isso, os aprendizes de escritores interagem com a comunidade, fazem entrevistas com moradores e pesquisas para perceber problemas, desafios e expressar suas idéias no papel. “Esses procedimentos deixam claro que escrever não é um dom e sim um conteúdo que se ensina em sala de aula”, afirma Sônia. A gramática, por sua vez, fica vinculada ao gênero em questão. Isso quer dizer que na categoria memórias os alunos estudam verbos no passado e em artigo de opinião, orações subordinadas adversativas, por exemplo.

O programa está estruturado em duas fases. Nos anos pares, são realizadas atividades de formação e oficinas de leitura e escrita envolvendo professores e estudantes com a utilização do material descrito acima. No fim desse processo, o programa premia nacionalmente os textos e seus autores, os respectivos docentes e as escolas. Neste ano, os 500 semifinalistas receberam medalhas de bronze e livros e viajaram para as cidades-pólo onde puderam participar de oficinas presenciais.

Para os classificados em poesia foi uma oportunidade de aprimorar os poemas feitos na escola após a orientação de especialistas. Tanto em memórias quanto em artigo de opinião, os alunos tiveram de escrever novos textos e, para isso, foram criadas situações para favorecer essa produção. Os adolescentes entrevistaram o ator João Acaiabe e os jovens do ensino médio participaram de um jogo de argumentação com temas polêmicos sobre as regiões onde moram. Os professores semifinalistas tiveram a missão de redigir seus relatos de prática e levar ao encontro presencial. A intenção dessa tarefa era fazer com que o docente observasse a própria ação. De cada regional, um desses textos foi premiado.

Aos 150 finalistas foram entregues medalhas de prata, aparelhos microsystems e livros. Os 15 vencedores nacionais receberam medalhas de ouro em Brasília, além de computadores e impressoras (cada aluno e professor ganhou um par). As escolas receberam 10 computadores, uma impressora e livros para as bibliotecas.

Nos anos ímpares, ocorrem ações complementares de formação presenciais e à distância para educadores. Todos os educadores passam a receber o almanaque Na Ponta do Lápis – publicação quadrimestral elaborada por especialistas e editada pelo Cenpec -, que contém relatos de prática, análises de textos e dicas para usar em sala de aula.

Outra ferramenta disponível de formação é a Comunidade Virtual Escrevendo o Futuro. Nela, os participantes têm a possibilidade de se aprofundar no ensino da língua, se informar sobre novidades na área, debater questões relacionadas ao conteúdo, ler textos literários e se relacionar com colegas de todo o Brasil. Além de participar das seções do site, as pessoas contam com uma exclusiva para orientá-las no trabalho de formação continuada.