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Maioria das escolas municipais está adotando estratégias combinadas, com aulas remotas e presenciais, revela pesquisa da Undime

Com apoio do Itaú Social e da UNICEF, o estudo mostra como as redes de ensino estão se preparando para o retorno dos alunos às salas de aula


Neste segundo semestre de 2021, grande parte das redes municipais de ensino reabriu para aulas presenciais. A maioria está combinando estratégias presenciais e remotas; cerca de um terço está com aulas totalmente presenciais; e ainda há redes com aulas apenas remotas.

É o que revela a sexta onda da pesquisa sobre o planejamento das redes municipais de ensino quanto às atividades escolares e ao calendário de 2021, realizada pela Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), com apoio do Itaú Social e da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

A pesquisa foi realizada por meio de questionário on-line, aplicado de 19 de outubro a 15 de novembro, ouvindo 2.851 municípios brasileiros, o que representa mais da metade do total de matrículas da educação e equivale a quase 12 milhões de estudantes atendidos pelas redes municipais.

De acordo com o estudo, as aulas presenciais são mais frequentes no Ensino Fundamental, e menos frequentes na creche e na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Com relação ao território, as aulas presenciais são realizadas mais nas escolas urbanas do que nas rurais.

Na educação urbana, nos anos iniciais do ensino fundamental, 52,7% adotam estratégias combinadas (presencial e remota), 34,6% estão totalmente presencial e 12,7% totalmente remoto. Nos anos finais do ensino fundamental, são 53%, 33% e 14%, respectivamente.

Quando se analisa as informações sobre como está sendo ofertada a educação do campo por etapa, os números revelam que nos anos iniciais 46,5% das redes estão adotando estratégias combinadas, 35,4% totalmente presencial e 18,1% estão realizando essa oferta de maneira totalmente remota. Os números são parecidos quando se trata dos anos finais do ensino fundamental – estratégias combinadas (47%), totalmente presencial (34,1%) remoto (18,9%).

A tendência do uso de estratégias combinadas ocorre também na educação especial do ensino fundamental, em que, nos anos iniciais, 54,2% das redes seguem a estratégia combinada, 28,6% estão totalmente presencial e 17,2% totalmente remoto. Nos anos finais, são 53%, 28,3% e 18,6%, respectivamente.

O presidente da Undime, Luiz Miguel Martins Garcia, reforça a importância das pesquisas para a melhoria da educação nos municípios brasileiros. “Neste momento, de retomada às atividades presenciais em grande parte das redes, é preciso trabalhar na realização de avaliações diagnósticas com o objetivo de identificar como está a aprendizagem dos estudantes. Sabemos que teremos defasagens, mas agora é hora de focarmos a nossa energia na identificação dos problemas e assim, atuarmos na recomposição do aprendizado”, comenta.

 Adesão às aulas presenciais
A pesquisa perguntou, também, sobre a adesão dos estudantes às atividades presenciais. Nos anos iniciais do ensino fundamental, 56,2% das redes afirmam que todos ou quase todos estão frequentando, 25,8% afirmam que mais da metade está frequentando, 6,4% disseram que menos da metade e 11,6% que as aulas presenciais ainda não retornaram. Nos anos finais, foram 52,4%, 26,6%, 7,5% e 13,5% respectivamente.

Assim como na última edição da pesquisa, materiais impressos e orientações por aplicativo de mensagem instantânea continuam liderando os métodos utilizados para a realização de atividades não presenciais em 2021. Na sequência, aparecem as videoaulas gravadas que são utilizadas por 48,2% das redes respondentes nos anos finais, 63,3% nos anos iniciais do ensino fundamental e 34,5% na Educação de Jovens e Adultos. O que se percebe ao fazer uma análise em relação às ondas anteriores da pesquisa é que as videoaulas gravadas têm ganhado espaço como ferramenta.

Outro dado que chama atenção quando comparado à onda anterior da pesquisa, realizada entre junho e julho deste ano, é que aumentou consideravelmente o número de redes que já concluiu os protocolos de segurança para o retorno às aulas presenciais. No meio do ano, 57% das redes respondentes tinham concluído os protocolos e 40,4% ainda estavam em fase de construção. A pesquisa mais recente revela que 82,2% das redes já concluíram os protocolos e somente 9,2% estão em fase de construção; 8,1% das redes declararam utilizar o protocolo da Secretaria de Estado.

Em relação às estratégias para acompanhar e monitorar as atividades pedagógicas que estão sendo realizadas ao longo deste ano, se destacam duas como sendo as realizadas com maior frequência pelas redes respondentes: conversas regulares com diretores e coordenadores pedagógicos para discutir e acompanhar a aprendizagem dos estudantes (78,2%) e apoio às escolas para análises e diagnósticos a partir de avaliações internas (56,3%).

Desafios
A pesquisa aponta que 95,4% das redes afirmaram que o calendário letivo de 2021 será concluído ainda neste ano e 4,6% apenas em 2022. Questionadas sobre quando deve ser iniciado o calendário letivo do próximo ano, 11,9% informaram ser em janeiro e a grande maioria (81,6%) no mês de fevereiro.

“É essencial que todas as escolas retomem as atividades presenciais e invistam para que cada estudante volte às salas de aula. Esse deve ser um esforço conjunto, de municípios, de escolas, famílias e comunidade escolar, para que as crianças e os adolescentes tenham seu direito à educação de qualidade garantido, estando na escola, convivendo com seus colegas e aprendendo”, afirma a representante do Unicef no Brasil, Florence Bauer.

“As redes municipais de educação responderam muito bem aos desafios do ensino remoto na pandemia, se adaptando em tempo recorde ao novo modelo. Porém, os esforços continuarão em 2022. Combinar ensino remoto e presencial é a nova realidade, mas precisamos buscar ampliar o acesso à tecnologia, tanto nas escolas quanto para as famílias. Além disso, os dirigentes sinalizaram que vão priorizar a busca ativa escolar e a recomposição de aprendizagens. Essas medidas são essenciais para se reduzir as desigualdades, tão aprofundadas neste momento que estamos vivendo”, considera a gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do Itaú Social, Patrícia Mota Guedes.

Corroborando com isso, o suporte para diretores escolares (62,6%) aparece como o principal foco dentre as ações implementadas para apoiar as escolas na oferta de ensino em 2021. Na sequência, aparecem a Busca Ativa Escolar (62%), o apoio com material pedagógico (60,8%) e o suporte para a realização de avaliações diagnósticas (59,7%).

O acesso à tecnologia pelos estudantes segue sendo o maior dos desafios enfrentados pelas redes respondentes. Além deste desafio já conhecido, aparecem com grande destaque dois outros vinculados à perspectiva de retorno às atividades presenciais: a recomposição de aprendizagem e a motivação dos estudantes, relacionado com a atenção que as redes têm dado à busca ativa dos alunos.