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Professora com 27 anos de profissão conta sobre seu próprio aprendizado digital e como tem usado recursos interativos durante as aulas para estimular a participação dos alunos


A professora Livia Bezerra: “A ideia de aprender algo, aplicar aquele conhecimento durante as minhas aulas e perceber seus efeitos práticos me deixa muito empolgada.” Foto: Arquivo pessoal

Por Wallace Cardozo, Rede Galápagos, Lauro de Freitas (BA)
Depoimento de Lívia Bezerra, professora de língua portuguesa e de inglês em Salvador e Lauro de Freitas (BA), pós-graduanda em avaliação educacional, em informática e educação e em educação digital — e cursista do Polo

O primeiro trimestre de 2020 mudou a vida de todo mundo. O início da pandemia trouxe confusão e informações desencontradas sobre um vírus que ainda era novidade. De repente, todo o planejamento para aquele ano estava comprometido e as rotinas precisavam se adaptar ao novo contexto. Fiquei perdida, confesso. Demorou para ficar claro quando e como eu voltaria a trabalhar, já que os protocolos não permitiam atividades presenciais. Foi quando se começou a falar mais sobre o ensino remoto.

Entrei na sala de aula pela primeira vez em 1995. Licenciada em letras vernáculas com inglês, tenho especialização em linguística e leciono língua portuguesa e inglês em Salvador e em Lauro de Freitas, na região metropolitana. Quando as aulas foram suspensas, eu não sabia sequer fazer uma apresentação de slides. Resolvi usar o tempo em que estaria em casa para aprimorar as minhas habilidades em relação à tecnologia. Eu já sabia que essa necessidade apareceria, cedo ou tarde.

Não foi difícil. Eu sempre gostei muito de estudar. A ideia de aprender algo, aplicar aquele conhecimento durante as minhas aulas e perceber seus efeitos práticos me deixa muito empolgada.Tenho aprendido tanta coisa que costumo dizer que houve uma Lívia analógica, antes da pandemia, e, agora, há uma Lívia digital. Com a retomada, não me reconheci mais no ambiente da sala de aula. Acostumei-me com a infinidade de possibilidades do on-line.

As tecnologias disponibilizam estratégias que apoiam o professor no processo de ensino. Por meio da minha curiosidade, descobri o curso Recursos Educacionais Digitais (REDs), no Polo. Ele foi fundamental para a minha adaptação ao ambiente digital porque me apresentou ferramentas que não apenas facilitaram o meu trabalho, mas ajudaram no desafio de manter a atenção dos estudantes durante as aulas pela internet. 

O SlidesGo é um dos recursos que mais utilizo. No primeiro módulo do curso, descobri a ferramenta e aprendi que ela pode ser integrada com o Google Apresentações, o que torna seu uso muito prático. Com um dos modelos disponíveis na plataforma, fiz uma apresentação de slides em formato de história em quadrinhos. Foi um sucesso entre os meus alunos. Também passei a usar o Padlet, uma plataforma gratuita na qual é possível criar painéis, murais ou fóruns interativos, por exemplo. Após tomar conhecimento da ferramenta durante a formação, pesquisei por conta própria e percebi mais uma série de possibilidades úteis para o dia a dia.

O curso faz mais do que oferecer uma lista de recursos digitais disponíveis para professores, o que já seria muito útil. Os cinco módulos abordam alguns conceitos, modelos e estratégias, que também têm influenciado os meus planejamentos de aula. Cada fase da formação aborda pelo menos um desses conhecimentos teóricos, como o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) e a Taxonomia de Bloom, por exemplo. Além de ter guardado as apostilas, tenho todas as anotações ao meu alcance no caderninho que fica comigo. Aprender sobre os REDs transformou positivamente a minha prática pedagógica.

Fiquei um pouco insegura na hora de aplicar os conhecimentos que adquiri e de utilizar as ferramentas digitais pela primeira vez. O que me ajudou foi continuar pesquisando e fazendo cursos. Com a prática, tudo foi ficando mais orgânico. Todo o contexto da pandemia apenas acelerou um processo que já estava para acontecer. Os estudantes não querem mais ficar sentados ouvindo o professor falar. Estão cansados da limitação de quadro, piloto e livro. Ao contrário, desejam ser estimulados, como produtores de conteúdo. Com as aulas on-line, percebo o quanto eles se empolgam com atividades interativas possibilitadas pelas tecnologias, como jogos virtuais.

Acredito que vai levar algum tempo para que os recursos digitais se estabeleçam nas escolas brasileiras. Existe um grave problema de desigualdade estrutural e não se pode ignorar o despreparo dos professores. Não há oferta de formação continuada. Talvez por isso a adaptação para o novo cenário de ensino tenha sido tão assustadora. Professores, alunos e pais não estavam acostumados com o ambiente digital e as suas ferramentas. Ainda estamos aprendendo. Uns com facilidade, outros com alguma resistência. O caminho é longo, mas não há volta. A educação não será mais a mesma de anos atrás. Os profissionais de educação precisam se atualizar, e os cursos do Polo têm sido um bom ponto de partida nesta minha jornada. 

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