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Interdependência na prática

Professora relata como a experiência na pandemia tem mostrado a alunos, famílias e educadores que todos dependem uns dos outros


A professora Renata: ”Acredito muito na busca constante por atualização, principalmente para quem trabalha com crianças”. Foto: Arquivo pessoal

Por Ana Luísa Pereira, Rede Galápagos, Curitiba (PR)
Depoimento de Renata Baddine, professora da educação infantil no município de Cianorte (PR), com graduação em matemática e pedagogia. É especialista em educação especial e em orientação e supervisão pedagógica — e cursista do Polo

Eu não tinha como fugir da sala de aula. Fiz minha primeira graduação em matemática, quando morava em Teresópolis (RJ), já que eu tinha facilidade com números. Foi uma escolha consciente e, hoje, percebo, feliz. Na época, precisei me esforçar muito, pois a faculdade era bem puxada. Meu primeiro emprego em sala de aula foi em uma escola particular no ensino fundamental 2. Eu me casei e acabei indo morar em Cianorte (PR). Nesse tempo tive uma filha, fiquei cinco anos afastada, tive outra filha e voltei a lecionar. Só que dessa vez na educação infantil, pra poder acompanhar minhas pequenas em casa. Foi aí que eu me apaixonei de vez pela profissão. Na educação infantil, o afeto, o carinho, o respeito e a participação da família são muito maiores. As famílias se envolvem, e a gente acaba se doando muito. No fundamental 2 e no ensino médio, os adolescentes — sobretudo na escola pública — não são tão acompanhados pelos pais. Em geral, têm de se virar mais sozinhos, e isso distancia a gente deles. Já com as crianças pequenas, é bem diferente. Nesse tempo, eu me formei em pedagogia e fiz muitos cursos, incluindo duas especializações, uma delas em educação especial e outra em orientação e supervisão pedagógica. A oportunidade da primeira surgiu quando lecionava no ensino médio e no fundamental e tinha alguns alunos com deficiência. A educação especial me encanta; e é um ponto no qual ainda precisamos evoluir muito.

Sigo dedicada à educação infantil, pois sei que podemos fazer um trabalho pedagógico realmente diferenciado na primeira infância. São muitas as possibilidades de trabalhar com as crianças, e isso me fascina. Conseguimos, por exemplo, trabalhar eixos fundamentais para o desenvolvimento, como é o caso do projeto que estava desenvolvendo antes da pandemia e que me levou ao curso Geometria e o Letramento Matemático, oferecido pelo Polo, o ambiente de formação do Itaú Social. Muitas pessoas são reticentes quanto ao trabalho com matemática na educação infantil. Por isso, já vinha trabalhando em um projeto que envolveria alunos, pais, escola. A ideia inclui uma grande apresentação do trabalho realizado na área com os pequenos, no formato de uma feira, com exposição do que foi feito durante as atividades nas salas. Com a chegada da pandemia, a realidade passou a ser outra; e o projeto está em pausa por tempo indeterminado. 

Renata, com sua colega Diéssica Diuly dos Santos Dellalo, em foto pré-pandemia: um olhar para a educação continuada. Foto: Arquivo pessoal

Na educação infantil, o desafio das aulas remotas foi grande. Muitas pessoas não entendem que essa é uma fase especial na aprendizagem da criança. No começo da pandemia foram poucos os pais e responsáveis que abraçaram a causa. No entanto, aos poucos, fomos conseguindo mais adesão. Criamos grupos de WhatsApp com os pais e explicamos o contexto de cada atividade, o que cada uma delas trabalha na criança. E assim, educando também os pais, eles deram o seu melhor. Foi um trabalho e tanto, em equipe. Com o tempo, as famílias e os educadores perceberam a importância do trabalho conjunto nessa jornada. Todos nós percebemos, sobretudo, que dependemos uns dos outros. Em 2021 passei a desenvolver um trabalho que é fundamental — e que para mim foi uma realização pessoal —, que é o de estar por trás da sala de aula planejando, orientando e auxiliando os professores. Seja com o conteúdo, com a elaboração de materiais, ou com auxílios relacionados à tecnologia, enfim, tem sido uma experiência bem bacana de trocas entre escola, professores e famílias.

Também é um período de dedicação ao aprimoramento profissional. Sempre fui entusiasta da formação continuada. Acredito muito na busca constante por atualização, principalmente para quem trabalha com crianças. Veja-se o caso das tecnologias de comunicação, por exemplo. Elas estão aí e as crianças têm muita facilidade nessa área. Para aproveitarmos esse potencial, precisamos nos dedicar cada vez mais. Para se ter uma ideia, em relação às horas obrigatórias para evolução no plano de carreira, as minhas mais que dobraram. Tudo isso faz com que eu seja reconhecida na área a que me dedico e de que tanto gosto. Como disse antes, estou coordenando um projeto sobre o desenvolvimento da matemática na educação infantil. Foi procurando formação na área que me deparei, no Polo, com o curso Geometria e o Letramento Matemático, conteúdo on-line autoformativo com duração de 30 horas. Um aspecto que me chamou a atenção é que a linguagem é bem acessível, e mesmo quem ainda não trabalha especificamente com conteúdos de matemática pode acompanhar tranquilamente. As facilitadoras são bem didáticas e mostram que o trabalho com os números não é um limitador para a atividade em sala de aula. Dentro da minha expectativa, que é exatamente desmistificar a matemática para alunos, pais e professores das crianças, o curso foi bem bacana e tenho certeza de que abriu um leque para quem participou. 

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