Ir para o conteúdo Ir para o menu Ir para a Busca

AGÊNCIA DE

Notícias

Que tal você fazer também?

Gestão escolar com visão renovada

Professor da cidade de Poxoréu (MT), recém-eleito coordenador de sua escola, conta como um curso do Polo o ajudou a preparar-se para motivar a equipe e planejar a programação pedagógica de 2022


Revezando-se entre a sala de aula e a gestão escolar, o professor Geniel Araujo Silva assumiu o cargo de coordenador, com novo repertório. Foto: Arquivo pessoal

Por Lidiane Barros, Rede Galápagos, Cuiabá
Depoimento de Geniel Araujo Silva, professor com especialização em matemática aplicada, coordenador da Escola Estadual Juracy Macedo, em Poxoréu (MT) — e cursista do Polo

Foi ainda no período das férias, enquanto aguardava o resultado do teste seletivo para a vaga de coordenador da escola, que entre uma pesquisa e outra conheci o Polo, ambiente de formação do Itaú Social. Em meio a tantas possibilidades eu me empolguei em começar pelo curso Gestão Escolar: Práticas de Tutoria na Formação Continuada. Enfatizo o “começar”, porque já concluí o segundo e já estou de olho no próximo percurso. Minha escolha mostrou-se providencial, porque ao retornar à escola tive a grata surpresa: o posto de coordenador era meu! Não podia ser em momento mais oportuno, já que minha mente estava em ebulição com tanta atualização. Estava também impressionado com a dinâmica do curso de 30 horas, com textos e recursos audiovisuais muito bem pensados, que conferem leveza ao aprendizado. Fui estimulado a refletir sobre a prática pedagógica e recriá-la. Dessa forma, foi fácil superar a primeira barreira na reunião de equipe na qual definiríamos a programação para o ano letivo de 2022.

O “todo ano, os mesmos temas” virou coisa do passado. Seguimos com os essenciais à grade, mas nos abrimos a outras perspectivas e contextos que podem pautar a agenda de projetos interdisciplinares. Ano de Copa do Mundo, e o brasileiro tem uma relação afetiva com o futebol… Então, ela também figura entre os assuntos a serem explorados em sala de aula. 

Nesse ponto já me via colocando na prática o conteúdo do curso que reforça: na formação continuada, o coordenador assume o papel primordial de motivar e incentivar o corpo docente. Foi importante porque havia um clima de cansaço e desmotivação geral, depois de dois anos de trabalho marcados por excessiva carga horária e tensões emocionais, devido à crise sanitária. 

Fizemos um diagnóstico da nossa situação — da equipe pedagógica, servidores e alunos — e identificamos que a primeira tarefa era combater a evasão escolar. Nosso levantamento mostrou que apenas 75% dos mais de 300 alunos da nossa escola estavam com a matrícula garantida. Decidindo juntos, acordamos em realizar uma maratona de visitas às famílias cujos alunos estavam distantes da sala de aula. Investimos na “busca ativa” para que se matriculassem, garantindo assim a continuidade dos estudos.

Como foco em todas as etapas, alcançamos estudantes do ensino fundamental, médio e de jovens e adultos. Em uma semana visitamos dezenas de casas para garantir o retorno dos alunos. Tivemos muito êxito. Essa iniciativa também foi impulsionada pelo conhecimento adquirido no curso de gestão escolar, que traz orientações para que a gente possa traçar diagnósticos e formular ações. 

Aqui, com o aluno Rafael dos Santos Pereira, que integrou a equipe do projeto interdisciplinar do ano passado. Bons resultados inspiraram a escolha da disciplina eletiva de 2022: a matemática financeira. Foto: Arquivo pessoal

Em outro tópico alvo de nossa reunião, da escolha da disciplina eletiva, propusemos a matemática financeira. O que pesou na decisão foi que no ano anterior, convocados por uma política do estado, os alunos foram provocados a desenvolver projetos nessa linha. Tendo como ponto de partida um diagrama de árvores — conhecido ainda como árvores de probabilidades —, apresentaram ótimas propostas, como um modelo de negócio de marmitaria, no qual exercitaram conceitos de educação financeira.

Além de aplicarem a matemática “na vida real”, entenderam o conceito de empreendedorismo. “Ninguém fica sem comer”, justificaram. Então, pensaram no cardápio, nas embalagens personalizadas, em como funcionaria o delivery… Alunos e professores tiveram uma prova do quanto é importante apostar na criatividade, até mesmo quando o assunto são números e operações matemáticas.

É aí que entra o outro curso que foi alvo do meu interesse, o Mentalidades Matemáticas na Sala de Aula. Vale ressaltar que eu me dedico ao ensino há 23 anos, “estou” coordenador, já fui diretor e acabo de viver uma temporada em sala de aula. Minha habilitação é em matemática e a especialização, em matemática aplicada. Gosto de ficar me revezando entre a gestão e a sala de aula porque vou me mantendo atualizado. 

O curso também me impressionou tanto que já o indiquei aos dois professores que assumiram minhas turmas — do nono ano e do primeiro do ensino médio. O ensino da matemática continua exigindo muito dos professores e o Mentalidades Matemáticas nos dá subsídios para explorar o ensino de maneira criativa. Daí a escolha da disciplina eletiva, levando os alunos a estender o aprendizado da sala de aula ao dia a dia.  

Esse curso nos ensina a abordar a matemática na sala de aula de uma forma criativa, para envolver os estudantes, mostrando a eles que ela está em tudo. Por exemplo, temos muitos alunos da zona rural que lidam diariamente com as medidas agrárias, e a gente vai reforçar o quanto a matemática está incorporada ao cotidiano deles. 

Todo esse processo de animação que estou desenvolvendo também parte de uma diretriz pessoal. Ainda que eu seja um professor de matemática, gosto muito de ler. E a leitura oxigena a vida da gente. Na minha concepção, os professores devem buscar ampliar o repertório. O que pensamos e o modo como nos comportamos se refletem muito na sala de aula. O aluno acompanha o ritmo do professor. É por isso que não abro mão de ser um pesquisador em tempo integral. 

Saiba mais

Leia mais