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Polo de desenvolvimento educacional

Ganho de escala na formação de professores

Mobilizar os professores para que eles trabalhem efetivamente conteúdos de Língua Portuguesa é a meta da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, um programa da Fundação Itaú Social. Para dar conta desse desafio, em 2008, foram realizadas atividades de formação e oficinas de leitura e escrita com os docentes e seus alunos. Tudo com base no Caderno do Professor, que traz o passo-a-passo da sequência didática para o trabalho com cada gênero textual (Artigo de Opinião, Memórias e Poesia).

No fim desse processo, o programa premiou nacionalmente os 15 melhores textos produzidos pelos estudantes, seus professores e as respectivas escolas. Este ano, continua o investimento. A coordenadora do programa no Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), organização não-governamental que realiza a coordenação técnica da Olimpíada, Sonia Madi, acredita que “para que os conceitos disseminados no ano passado se transformem em práticas de sala de aula, é preciso oferecer aos envolvidos contato permanente”. Por esse motivo, estão programadas para 2009, ações presenciais e a distância.

Formação presencial

No fim de abril (dias 27 e 28), foram reunidos em São Paulo os professores universitários, todos especialistas em Língua Portuguesa, que serão responsáveis pela formação em seus estados. Estiveram presentes também técnicos de secretaria de Educação de todos os estados brasileiros, também experientes na área. O objetivo foi refletir sobre o ensino da leitura e escrita com foco em gêneros textuais e planejar a formação de educadores a partir dos materiais elaborados para a Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro.

Para requintar ainda mais as conversas, o encontro contou com a palestra O Ensino e a Aprendizagem de Gêneros Textuais: teoria e prática, preparada pela professora Anna Rachel Machado, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), uma grande estudiosa e referência no assunto. Diante de um público tão seleto, Anna Rachel confessou que fez grande esforço para preparar a apresentação. “Não é simples falar para pares.”

A origem diversificada dos profissionais é outro aspecto que merece destaque, fato que chamou a atenção do professor Erineu Foerste, da Universidade Federal do Espírito Santo. “Aqui podemos discutir dificuldades e potencialidades para o trabalho colaborativo na profissão docente.” Sua colega, a coordenadora educacional da secretaria de estado da Educação, Sandra Fernandes Bonatto, avaliza sua fala: “Esse é um jeito de tornar a academia menos alheia ao que acontece em sala de aula”.

A ideia é que a formação aconteça em rede. Os professores universitários devem orientar por volta de 1.600 pessoas, entre elas os 150 professores e seus coordenadores ou diretores finalistas da última edição da Olimpíada e 1.300 representantes de secretarias municipais de Educação. Depois, espera-se que cada um desses forme em torno de 25 profissionais, resultando em mais de 32 mil escolas atendidas.

Educação a Distância

A Comunidade Virtual é mais um espaço de disseminação de conhecimentos sobre o ensino de Língua Portuguesa. Em meados de maio (dias 14 e 15), também em São Paulo, aconteceu o encontro de mediadores. O objetivo do evento foi capacitar os 45 educadores interessados em intermediar cursos on-line sobre o ensino da escrita com foco em gêneros textuais*. Vale destacar que no grupo tinha estreantes e experientes. Alguns já atuam nessa função desde 2002, como a professora Beatriz Cruz, da rede municipal de Curitiba (PR). “Gosto muito do material e o tenho utilizado para trabalhar com outros professores”, conta.

No evento, foram apresentadas todas as seções da Comunidade e discutida a importância da palavra escrita em um ambiente virtual. “Ela pode ser boa e acolhedora ou ruim e desagregadora”, explica a editora da Comunidade, Heloisa Amaral. Para dar a sensação de proximidade, apesar da distância física, um caminho é empregar expressões comuns na oralidade para tornar o texto coloquial e mais próximo do que acontece nos cursos presenciais. Heloisa acredita que esse seja um dos diferenciais de sucesso da Comunidade já que, em média, há a permanência de 70% dos alunos até a conclusão do curso. Número que se contrapõe à marca de 50% a 60% de evasão em Educação a Distância, segundo pesquisas.

Os participantes tiveram a oportunidade de simular uma situação real de mediação e refletir sobre a heterogeneidade no público interessado, em geral, constituído por profissionais com diferentes formações. Depois de capacitar esse seleto grupo, a ideia é disponibilizar 3 mil vagas para técnicos de secretaria municipais de Educação e órgãos regionais. Os cursos duram seis semanas e estarão disponíveis nas categorias Artigo de Opinião, Memórias e Poesia. A expectativa é atingir 9 mil educadores das redes de ensino por meio de multiplicadores.

* A metodologia defendida pelo Programa Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro é o uso de sequências didáticas, que são conjuntos de atividades interligadas planejadas para ensinar um conteúdo, sempre considerando os elementos discursivos, linguísticos e gramáticos.