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Polo de desenvolvimento educacional

Fundação Itaú Social e Unicef debatem práticas de educação integral

A Fundação Itaú Social e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) reuniram representantes de ONGs e de secretarias de Educação e de Assistência Social de todo o país no início de agosto, em São Paulo, para o Seminário Nacional Educação Integral: Experiências que Transformam.

A iniciativa, realizada com a coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, faz parte das ações de formação da 9ª edição do Prêmio Itaú-Unicef que, em 2011, recebeu a inscrição de 2.922 projetos de todo o país. A partir deste mês também serão realizados outros encontros de capacitação em Porto Alegre (RS), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE) e São Paulo (SP).

Para o vice-presidente da Fundação Itaú Social, Antonio Matias, o seminário é uma oportunidade para debater a ampliação das práticas de educação integral em relação aos vários campos das políticas públicas sociais, como também fortalecer as parcerias entre gestores das áreas de educação, assistência social e de ONGs. “As alianças entre Estado e sociedade civil têm um papel decisivo para a promoção de experiências inovadoras que contribuam para o aprimoramento da qualidade da educação. Essa articulação favorece a construção de práticas de educação integral mais alinhadas com as características das comunidades, respeitando as realidades locais e aproveitando suas potencialidades”, afirma.

Conforme dados do Censo Escolar 2011, publicado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), entre 2010 e 2011 o número de alunos do Ensino Fundamental da rede pública matriculados em tempo integral cresceu 33,4% em todo o país. Atualmente, mais de 1,6 milhão de crianças, adolescentes e jovens estudam nessa modalidade de ensino em unidades públicas. Apesar do aumento, o número representa apenas 6,4% do total de alunos dessa etapa da Educação Básica.

A coordenadora do Programa Aprender do Unicef no Brasil, Maria de Salete Silva, afirma que “garantir o direito de aprender de crianças, adolescentes e jovens passa pelo conceito de educação integral, que considera a escola, a família e a comunidade como integrantes do processo educativo”. Ela diz ainda que a educação integral ajuda a ampliar horizontes, a vivência e o repertório cultural e social dos estudantes.

Para a presidente do Conselho de Administração do Cenpec, Maria Alice Setubal, “quando se pensa uma educação para a formação plena do cidadão, ou seja, uma educação integral, é preciso considerar cinco dimensões: letramento, educomunicação, cidadania, esportes e sustentabilidade”. Ela ressaltou ainda a importância de se articular o currículo formal às atividades complementares e de promover parcerias com as ONGs, que estão na ponta do atendimento a crianças e adolescentes nos territórios.

Durante o evento, os participantes tiveram a oportunidade de debater junto a especialistas e representantes de organizações da sociedade civil questões como proteção social, infância, juventude e a inserção de novos saberes na prática educativa. Entre os convidados estiveram o coordenador do Programa Cidadania dos Adolescentes do Unicef no Brasil, Mario Volpi, o doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo, Celso Favaretto, e a consultora da Organização para a Educação, a Ciência e a Cultura das Nações Unidas (Unesco) para a Agenda Juventude no Campo de Avaliação de Política Públicas de Juventude, Regina Novaes.

A última parte do seminário foi reservada para a apresentação de experiências de educação integral realizadas por ONGs, associações de classe e pelo poder público, que vêm transformando a vida de comunidades. Entre elas, estiveram presentes ONGs contempladas com a última edição do Prêmio Itaú-Unicef, como a Ações Culturais para Povos Rurais, de Crato (CE), grande vencedora nacional, com o projeto Verde Vida, e a Associação de Pais, Mestres e Funcionários, de Toledo (PR), vencedora nacional de micro porte, com o projeto Circo da Alegria.

Confira abaixo um resumo dos principais temas que foram abordados nas mesas temáticas do evento.

Experiências que Transformam: Educação e Proteção Social

Rui Aguiar e Ieda Maria Nobre de Castro

Em um contexto de desigualdades sociais, especialmente considerando a infância e a adolescência brasileiras, ações que promovam a equidade ganham cada vez mais relevância. Na nova “arquitetura” da ação pública, o envolvimento dos diversos setores da sociedade, além do Estado, como as organizações da sociedade civil, também cumprem importante papel na garantia de direitos e na proteção social aos segmentos mais vulneráveis.

A parceria Estado e sociedade civil tem um papel decisivo na governabilidade social nas comunidades e pode promover experiências transformadoras que materializam o conceito de Educação e Proteção Social de crianças e jovens brasileiros.

A análise das condições de proteção social para a infância e a adolescência, em articulação com a educação, combinando estratégias de ações públicas e privadas que considerem sua inclusão social, tendo como referência a implementação da ação intersetorial foi a proposta para discussão desta sala temática.

Experiências que Transformam: Educação e Novas Saberes

Ana Lúcia Braga e Nelson Pretto

A educação tem como desafio incorporar as novas tecnologias considerando os saberes culturais que contribuem para o fortalecimento de vínculos comunitários e de pertencimento. Reconhecer e integrar os valores e tradições com as novas tecnologias e descobertas científicas amplia as possibilidades de intervir e de transformar a realidade local trazendo seus sujeitos sociais como agentes de sua própria transformação.

A ampliação do acesso à rede de informação e conhecimento e às redes sociais estabeleceu uma nova dinâmica nas relações pessoais. Isso demanda um novo perfil do homem contemporâneo, que contemple habilidades e competências para compreender e atuar no mundo atual.

A proposta desta sala foi discutir e refletir sobre os rebatimentos dos avanços tecnológicos nos processos de uma educação de qualidade, sintonizada com as demandas da sociedade contemporânea, que considere aspectos culturais de diferentes contextos e assegure a formação integral de crianças, adolescentes e jovens.

Experiências que Transformam: Educação e Juventude

Rafael Stemberg e Regina Novaes

A relação Educação e Juventude é pauta de discussão em fóruns diversos, haja vista a mobilização social em torno dessa temática, que destaca a necessidade da qualificação e a gratuidade das aprendizagens fundamentais, frente a um mundo complexo, multifacetado e impulsionado pelo avanço tecnológico. Neste contexto, o desafio posto para a Educação é o de criar e reinventar ofertas de aprendizagem em sintonia com as demandas contemporâneas da juventude, na perspectiva da construção de uma sociedade menos desigual.

Este desafio é mais bem impulsionado por meio da necessária complementaridade de ação da sociedade civil organizada e poder público, objetivando construir espaços múltiplos que possibilitem o desenvolvimento do pensamento crítico e de valores que contribuam para o fortalecimento de conteúdos éticos do adolescente e do jovem.

A proposta desta sala foi refletir sobre a juventude e seus desafios, questionando: Quem são esses adolescentes e jovens? Quais suas expectativas? Como a sociedade pode contribuir para seu empoderamento? Essas são questões fundamentais para a construção e consolidação de políticas públicas para a juventude.