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Polo de desenvolvimento educacional

Famílias e comunidades em prol da educação integral

O envolvimento das famílias e a valorização dos saberes das comunidades foram outros pontos abordados durante o Seminário Internacional de Educação Integral, realizado entre 29 e 30 de março, em São Paulo, pela Fundação Itaú Social e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A segunda mesa de debates do evento foi composta pela especialista em Educação do Unicef na Argentina, Elena Duro, pela gerente de articulação de política educacional da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte, Rosa Pereira, e pela professora do Programa de Mestrado Profissional em Adolescente em Conflito com a Lei da Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban) Isa Guará.

Entre as experiências compartilhadas, destaca-se o programa Escola Integrada da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte, que foi implantado na rede municipal em 2006 e hoje atende 35 mil estudantes, de 140 instituições públicas de ensino. Referência em educação integral, o programa foi uma das 16 experiências analisadas na publicação Tendências para Educação Integral , lançada durante o seminário pela Fundação Itaú Social, Centro de Estudos em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) e Unicef.

O município tem na parceria com as famílias um de seus eixos de atuação. Uma das práticas de mobilização da gestão pública de BH é o Fórum Família-Escola, por meio do qual o diálogo entre pais, educadores e a secretaria de Educação é realizado periodicamente. “O que nós buscamos é que se estabeleça um diálogo real, honesto, com uma linguagem que seja comum a todos os atores envolvidos. É preciso conhecer essas famílias, compreender os diferentes desenhos e realidades para que a aproximação e o comprometimento delas com a aprendizagem dos filhos sejam possíveis. Lidar com uma família chefiada por mulheres negras, por exemplo, não é a mesma coisa de uma família chefiada por um homem. Devemos ter um olhar atento para a diversidade”, afirma.

Elena Duro, do Unicef, contribuiu com o debate ao mencionar a experiência das Madres Promotoras realizada no norte da Argentina, onde se concentra a maior parte dos indígenas do país. A especialista explica que os indicadores educacionais dessa parcela da população são muito ruins e, por esse motivo, exigem medidas urgentes. Apenas 12% desses jovens estão cursando a escola secundária. “Com o objetivo de mudar esse quadro, pensamos em medidas que pudessem fortalecer as famílias. Diante disso, as mães foram escolhidas para fazer a ponte entre as escolas, as comunidades e os municípios. Essas mulheres, que mal falavam o espanhol e não tinham nenhum tipo de conhecimento ou domínio das novas tecnologias, hoje são líderes comunitárias e atuam fortemente na defesa dos interesses comuns de suas comunidades, incluindo assuntos relacionados à educação”, conta.

A professora Isa Guará ressaltou a importância da aproximação entre famílias, escolas e organizações da sociedade civil, que oferecem ricas oportunidades de formação às crianças e adolescentes, em complementaridade às atividades realizadas nas escolas. “Os agentes comunitários e assistentes sociais são muito importantes nesse processo”, finaliza.