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Polo de desenvolvimento educacional

Estudo analisa iniciativas de inclusão social em favelas

O trabalho de organizações sociais para promover a inclusão social em favelas do Rio de Janeiro foi um dos temas do debate no Seminário Internacional Sociabilidades Subterrâneas: Identidade, cultura e resistência em comunidades marginalizadas, realizado no dia 13/09, no Morro do Cantagalo, no Rio.

Durante o evento foi lançada a pesquisa Underground Sociabilities (Sociabilidades Subterrâneas), desenvolvida pela London School of Economics and Political Sciente (LSE) com apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e viabilizada pela Fundação Itaú Social e pelo Itaú Cultural.

O seminário contou com a presença da pesquisadora chefe e diretora do mestrado em Psicologia Social da London School of Economics and Political Science (LSE), Sandra Jovchelovitch, da coordenadora de Ciências Humanas e Sociais da Unesco no Brasil, Marlova Noleto, do vice-presidente da Fundação Itaú Social, Antonio Matias, do delegado e subsecretário de Planejamento e Integração Operacional da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Antonio Roberto Cesario de Sá, e do secretário-executivo da Secretaria Geral da Presidência da República, Rogério Sotilli, além de vários especialistas em direitos humanos, segurança e lideranças da CUFA (Central Única das Favelas) e do AfroReggae.

O projeto compreendeu uma investigação do mundo da vida da favela, por meio de entrevistas com 204 moradores das comunidades do Cantagalo, Cidade de Deus, Madureira e Vigário Geral. Também envolveu um estudo sobre as organizações AfroReggae e CUFA, com a análise de 130 projetos de desenvolvimento social e entrevistas com suas lideranças, além de uma avaliação com especialistas, observadores e parceiros das duas entidades no Rio de Janeiro, tendo como especial ênfase a polícia.  (Confira aqui a apresentação da pesquisa) 

A pesquisa enfoca as formas de vida social que fazem parte do cotidiano da sociedade brasileira, mas permanecem invisíveis devido a barreiras geográficas, econômicas, simbólicas, comportamentais e culturais. Conforme o levantamento, essas chamadas sociabilidades subterrâneas caracterizam-se por um quadro institucional complexo, marcado pela família, pelo narcotráfico, pela ausência do Estado, com a polícia sendo sua única face conhecida, e ainda pela presença das igrejas e das ONGs, como o AfroReggae e a CUFA.

Aprendizados– De acordo com o estudo, ONGs como essas competem diretamente  com o tráfico de drogas e oferecem alternativas de inclusão social para a população. Entre as conclusões da pesquisa destacam-se a constatação de que a maioria esmagadora da população da favela trabalha, luta para manter-se dentro da legalidade e demonstra determinação para escapar ao apelo do narcotráfico. E ainda que a resistência a atividades criminosas é possível e disseminada no mundo da favela. Segundo Sandra Jovchelovitch, essa resistência se apoia sobre andaimes psicossociais – pessoas e instituições que garantem suporte ao desenvolvimento do indivíduo e desempenham um papel crucial na luta contra a marginalização e exclusão, principalmente onde os núcleos familiares são frágeis. Eles ajudam as pessoas a construir uma identidade positiva e enfrentar as dificuldades do contexto, construindo alternativas para suas próprias vidas. Ela afirma ainda que embora a CUFA e o AfroReggae sejam organizações essencialmente cariocas, sua atuação inspira outros movimentos no Brasil e em outros países. “O modelo é transferível porque se funda no potencial do eu como protagonista e no valor do diálogo como ferramenta para manejar o conflito e a diferença”, diz.

Para o vice-presidente da Fundação Itaú Social, a pesquisa representou uma grande oportunidade. “O conhecimento maior de duas entidades que já admirávamos, o Afroreaggae e a CUFA, fez com que toda a equipe da Fundação ficasse extremamente satisfeita com o resultado desse trabalho. Foi um aprendizado sobre o valor de alianças, das parcerias, da complementariedade de talentos e capacidades para construir coisas que isoladamente ninguém conseguiria construir”, destacou.

Matias mencionou ainda a escolha da Fundação Itaú Social pela causa da educação e seu desdobramento em ações que estimulam a educação integral, além dos pontos de convergência entre o trabalho realizado pelas duas ONGs cariocas e o programa Jovens Urbanos, que a Fundação desenvolve desde 2004 para promover a inclusão de jovens nas periferias de algumas cidades brasileiras. “Essa pesquisa nos ajuda de uma forma organizada a captar aprendizados importantes que podem servir de estímulo para criar novos projetos dessa natureza. Precisamos compreender como cada um pode contribuir para o desenvolvimento humano, econômico e social, que são os grandes desafios desse país”, concluiu.

Um resumo executivo do estudo, que também será lançado no dia 2 de novembro em Londres, pode ser visualizado aqui.