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Polo de desenvolvimento educacional

Especialista compara educação de SP e NY

No dia 19 de maio, o especialista na área de avaliação da Secretaria de Educação de Nova York, Jesse Margolis, apresentou em seminário organizado pelo Instituto Fernand Braudel uma análise comparativa acerca dos sistemas de educação do Estado de São Paulo e da cidade de Nova York.

Fruto de um trabalho de nove meses, o estudo aponta as diferenças mais notáveis entre os sistemas, além de contemplar recomendações do especialista para aprimoramento do Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo) e do Saresp (Sistema de Avaliação e Rendimento Escolar do Estado de São Paulo).

O estudo constata que os professores de São Paulo lecionam durante a semana até 11 horas a mais do que os docentes nova yorquinos. Além disso, a ausência de professores é duas vezes e meia maior em São Paulo do que em Nova York.

O levantamento mostra que os professores paulistas têm mais alunos por sala de aula. A média é de 34.7, enquanto que em Nova York é de 26.1. De acordo com a pesquisa, 46% dos professores nas escolas públicas do Estado de São Paulo relatam que trabalham em duas ou mais escolas. “Os professores de São Paulo são responsáveis por muito mais alunos, o que dificulta o acompanhamento do progresso individual. Além disso, o fato de trabalharem em mais de uma escola e passarem mais tempo em sala de aula acaba por prejudicar a formação dos docentes”, ressalta Margolis.

No que se refere à remuneração, professores no estado de Nova York ganham acima da média salarial, porém menos do que as outras profissões que requerem educação superior. Em São Paulo, o cenário é similar. Entre as profissões com alto índice de estudo superior, professores do ensino fundamental e médio representam grupo com menor salário.

Em relação ao perfil dos alunos, dois fatores se destacam na comparação. Embora o ano escolar em São Paulo seja mais longo, sendo 200 dias versus 185 dias, o dia escolar para o aluno é mais curto. Em média, os alunos paulistas passam de 4 a 5 horas e 20 minutos na escola. Para os americanos, a jornada escolar diária varia de 6 a 7 horas. Outro dado presente no levantamento faz referência ao número de matérias no ensino médio. Em São Paulo, os alunos estão matriculados em até 13 matérias, enquanto que os de Nova York em até 7.

Sistemas de avaliação

Diferentemente de Nova York, os resultados do sistema de avaliação e rendimento escolar do estado de São Paulo não são públicos. Esse é um ponto sensível, segundo o especialista para quem o Saresp (Sistema de Avaliação e Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) é um bom instrumento para medir a aprendizagem, mas seu uso na melhoria da educação poderia ser mais bem aproveitado, caso os resultados individuais dos alunos fossem disponibilizados às escolas e aos pais. Ainda sobre o Saresp, Margolis acredita que não apenas os resultados individuais deveriam ser disponibilizados, mas também os resultados do questionário dirigido aos pais. “O questionário faz perguntas que poderiam esclarecer muito sobre o ambiente escolar, bem como fornecer informações preciosas para avaliar o trabalho do sistema escolar”, pontua.

Em relação ao Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo), cujo cálculo é baseado em indicadores de desempenho (níveis de proficiência dos alunos nas provas do SARESP de Língua Portuguesa e Matemática) e de fluxo (taxa de aprovação dos alunos), Jesse recomenda três ações. A primeira delas é simplificar a explicação do índice e implementar um programa ativo de capacitação para que a equipe escolar entenda o cálculo. O segundo ponto é estudar os grandes saltos no Idesp para identificar melhores práticas e/ou debilidades potenciais na confiabilidade dos indicadores. Por fim, Jesse coloca como recomendação que a porcentagem de alunos que fazem o Saresp seja incorporada ao cálculo do Idesp, de forma a incentivar que todos os alunos façam a prova do Saresp, incluindo os de menor desempenho.