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Ensinar e avaliar

Professora do Ceará faz curso on-line Avaliação e aprendizagem, no Polo, e usa conhecimento de indicadores da educação para aprimorar o ensino


A professora Hilanya Fernandes e seus alunos em selfie pré-pandemia: “O ensino me escolheu”. Foto: Arquivo  pessoal

Depoimento de Hylania Fernandes de Freitas, professora de matemática na Escola de Ensino Fundamental Raimundo Celso, em Chorozinho, Ceará
Por Luana Gurgel, Rede Galápagos, Fortaleza

Durante a pandemia eu me mantive estudando. Descobri uma plataforma com uma série de cursos gratuitos voltados para a educação, muitos deles focados em soluções para este momento de distanciamento social. Isso me atraiu muito. Estão disponíveis no Polo, o ambiente de formação do Itaú Social. De cara vi que havia um específico sobre avaliação e aprendizagem e me interessei. Para explicar por que escolhi exatamente esse curso, vou falar um pouquinho da minha experiência, do meu amor ao ensino e de como é importante desenvolver um conhecimento mais amplo e atualizado sobre avaliação e aprendizagem, como é o caso dessa formação do Polo sobre a qual falarei mais adiante. 

Eu era muito pequena quando o ensino me escolheu. Sim, ele me escolheu. Não lembro ao certo quantos anos eu tinha, mas me recordo de que de repente entendia melhor quando ensinava meus ursos e bonecas. O que lembro daquele período era que as “aulas” eram de letras e sílabas. Sou filha de professora, mas estava longe de ser a profissão que ela e meus avós queriam para mim. Sou de Chorozinho, cidade muito pequena, com menos de 20 mil habitantes, na Região Metropolitana de Fortaleza, no Ceará. Quando eu nasci, não tinha nem maternidade; o parto foi feito no município ao lado, Pacajus. 

Lembro-me de uma professora no ensino médio. Lecionava português, exatamente a matéria em que eu tinha mais dificuldade. Mas foi a partir dela que vi outra forma de dar aulas. Existia um afeto, uma dedicação. Até hoje ela é minha principal referência. Quando chegou a hora de escolher para qual faculdade prestar vestibular, foi o momento de definir alguns posicionamentos. Minha mãe e avós nem cogitavam que eu seguisse carreira de professora. Queriam que fosse para a capital estudar nas grandes instituições públicas. Mas tudo isso estava fora de cogitação. Perdi meu pai aos 12 anos, desde então éramos só eu e minha mãe. Ela precisou começar a vender pastelzinho na porta da escola. Eu ajudava como podia, não dava para deixá-la sozinha. Escolhi matemática, na minha cidade mesmo, uma faculdade pequena e particular. Ali começava a realização de um sonho. Enfim seria professora. Eu e minha mãe pagamos todo o curso graças aos pastéis, ao reforço escolar, que eu mantive, e aos produtos de beleza que vendia por revistas. Deu certo.

A primeira instituição em que trabalhei foi a Escola de Ensino Fundamental Raimundo Celso. Minha primeira aula foi um grande desafio. Parecia uma prova de fogo. Nunca tive uma turma tão indisciplinada e difícil como aquela, mas consegui. Após me formar eu continuei estudando muito. Um ano depois, eu finalmente consegui passar em um concurso para professora municipal. Já efetivada, ensinei no assentamento Menino Jesus. Passei dois anos lá. Nunca tinha visto tanta carência em um lugar só. Nós, educadores, muitas vezes nos juntávamos para comprar comida para uma família, ou conseguir remédios para quem precisasse. Ali entendi sobre compaixão, sobre fazer a diferença. São lições que nunca vou esquecer. Depois desse primeiro assentamento veio outro, na fazenda Uruanã, também no município de Chorozinho. Mais um grande desafio que me marcou. Hoje eu estou de volta à primeira escola onde dei aula, a Raimundo Celso. Nos três últimos anos ficamos em primeiro lugar no ranking de premiações organizado pela Coordenadoria Regional do Desenvolvimento da Educação 9. A educação aqui no estado do Ceará  é dividida por CREDEs; o nosso é o nono. Mesmo sendo um município bem pequeno, conseguimos resultados surpreendentes.

Com esses resultados positivos, a questão da avaliação do ensino passou a chamar minha atenção. E é aí que entra o curso Avaliação e aprendizagem, do qual falei lá no começo. Não entendia muito bem como, por exemplo, funcionava o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Nem sabia direito o que significava essa sigla. A gestão escolar e a de sala de aula me atraem.

Página com conteúdos do Polo: plataforma fácil e intuitiva. Imagem: Reprodução.

Entender esses indicadores pode ser um direcionamento extremamente eficaz para alinharmos aqui na ponta o processo de ensino e aprendizagem com os alunos. 

Entendi o que é o Ideb e o que ele significa para a educação. O Ceará, por exemplo, está em terceiro lugar no ranking nacional do Ideb de 2019, atrás apenas de São Paulo e do Paraná, empatado com Minas Gerais e Santa Catarina. Hoje não só conheço esse indicador, como sei calculá-lo a partir do que aprendi on-line no curso do Polo. Sei para onde direcionar esforços, avalio o meu trabalho e o da escola onde atuo com outro olhar. 

Já fiz algumas especializações e concluí mestrado em ciência da educação. Mas os cursos livres possibilitam uma atualização constante de forma rápida. Olha a diferença que fez pra mim um curso de 24 horas de duração. Em menos de 15 dias, adquiri conhecimento que poderei aplicar constantemente em meu fazer profissional.

A plataforma é bem fácil, intuitiva. Pessoas que não tenham muito contato com o mundo virtual não terão problemas. Além disso, a estrutura dos slides me chamou atenção e me inspirou também. Vou tentar aprimorar as minhas técnicas de ensino utilizando mais recursos visuais. Contei sobre a minha descoberta na escola. E olha, já me matriculei em outros dois cursos. O cronograma está feito. Geometria e o letramento matemático (30 horas) para fevereiro e Avaliação sistêmica (16 horas) para março. Tem uma frase que uso muito em sala de aula. Na verdade, adaptei de uma letra da banda Charlie Brown Jr. que diz: “Só o amor constrói pontes indestrutíveis”. Digo para os alunos que só a educação constrói pontes indestrutíveis.

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