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Polo de desenvolvimento educacional

Em Seminário Internacional, especialistas discutem o impacto da relação família-escola-comunidade no desempenho escolar

É consenso que a família tem papel fundamental na vida escolar de seus filhos. Entretanto, quais são os efetivos impactos da relação entre família, escola e comunidade para o desenvolvimento dos estudantes? Para a pesquisadora Susan Sheridan, que participou, na última sexta-feira (26), do 13º Seminário Internacional de Avaliação Econômica de Projetos Sociais, promovido pela Fundação Itaú Social, a atuação conjunta, realizada com coerência e continuidade, amplia a conexão de crianças e jovens com o aprendizado, melhorando seu desempenho ao longo do tempo.

Sheridan é diretora do Centro de Pesquisa em Criança, Juventude, Família e Escola da Universidade de Nebraska-Lincoln e debateu o tema “Aproximação entre Escola e Família: conceitos e evidências” ao lado de Ricardo Paes de Barros, economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor do Insper; Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos Pela Educação; e Tânia Resende, do Observatório Sociológico Família-Escola/UFMG.

Desde 1994, a especialista americana atua para identificar maneiras de fortalecer as parcerias entre família e escola. “Essa colaboração mútua aumenta as oportunidades e o sucesso dos estudantes por meio de aspectos sociais, emocionais, comportamentais e acadêmicos”, explica. “Mas, para isso, os programas precisam ter foco e metas claras, desenvolvidas conjuntamente”.

Sheridan apresentou os resultados do programa Teachers & Parents as Partners (“Professores e Responsáveis como parceiros”, em tradução livre), modelo pelo qual familiares e professores realizam um processo de resolução de problemas, com foco nos resultados de aprendizado e comportamento. A iniciativa baseia-se em reuniões colaborativas para identificar e definir preocupações e objetivos; criar e implementar, conjuntamente, planos para o lar e a escola; e avaliar as respostas dos alunos e os resultados.

As avaliações demonstraram benefícios em todos os aspectos analisados. Na escola, os professores apontaram redução de problemas em relação às tarefas e às interações sociais, assim como aumento da atenção em sala de aula. Em casa, os pais perceberam diminuição de comportamento agressivo, como desobediência, e maior controle emocional. A pesquisa propôs também uma autoavaliação de professores e responsáveis. Os primeiros disseram que têm utilizado estratégias de ensino mais adequadas, melhoraram a qualidade da interação e da resolução de problemas. Já os responsáveis identificaram aumento de confiança no auxílio aos estudantes. Ambos reportaram melhora na relação entre famílias e professores. “O sucesso das intervenções família-escola depende de uma comunicação de via dupla e consistência na abordagem, para que tenham sentido tanto para os responsáveis quanto para os professores”, argumenta.

O economista Ricardo Paes de Barros iniciou sua fala questionando se a escola sabe como incentivar e aproveitar a contribuição das famílias. Com base no percentual de jovens que, aos 16 anos, concluem o ensino médio, Paes de Barros demonstrou que os resultados educacionais são impactados pelas condições socioeconômicas. “A família influencia os resultados educacionais por dois canais: recursos e dedicação. Para combater a desigualdade de oportunidades, as escolas têm que somar incentivo à participação dos responsáveis e expansão do escopo de suas atividades”, coloca.

Priscila Cruz reforçou que em um movimento nacional pela educação, não é possível ignorar o fato que que repertório dos alunos é majoritariamente composto por experiências e vivências que têm no âmbito familiar. “É preciso ajudar a mudar a percepção em relação à educação com atitudes diárias. O descaso histórico com a área reflete nas escolhas das famílias. A mudança leva tempo e dá trabalho, mas todo esse processo precisa fazer sentido na vida das pessoas”, destaca.

Tânia Resende, que fez a mediação do painel, lembrou ainda que o fortalecimento da relação entre escola, família e comunidade passa pela valorização do professor. “A aproximação com as famílias e o reconhecimento do trabalho faz com que o profissional se torne melhor a cada dia”.