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Polo de desenvolvimento educacional

Educação Integral em pauta

Desde segunda (6), está no ar a 8ª edição do Prêmio Itaú-Unicef. A semana começou com um debate exclusivo para jornalistas de todo o País sobre os desafios e as conquistas da Educação Integral no Brasil. O encontro, que aconteceu no Itaú Cultural, em São Paulo, teve o objetivo de estimular a reflexão sobre a diversidade de locais que oferecem possibilidades de aprendizagem. “Reconhecemos a importância fundamental da escola, mas por que não ampliar os espaços de aprendizagem na comunidade para o desenvolvimento pleno das crianças e dos adolescentes?”, questiona a diretora da Fundação Itaú Social, Ana Beatriz Patrício.

A coordenadora do programa de educação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Maria de Salete Silva, contribui para enriquecer o debate: “Temos a compreensão de que para a aprendizagem são necessários tempos e espaços diversificados, além de conteúdos”, diz. “Por isso, o tema escolhido pelo Prêmio em 2009 é Tempos e Espaços para Aprender”. “Para a superintendente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), Maria do Carmo Brant de Carvalho, “é fundamental que crianças e adolescentes circulem pela cidade e acessem diferentes espaços”.

Experiência prática

Esse tipo de educação que vem sendo difundida pela Fundação Itaú Social, pelo Unicef e pelo Cenpec é feita na prática em Belo Horizonte com o programa Escola Integrada. O objetivo é ampliar o tempo diário de atividades educativas utilizando também espaços físicos externos à escola. O programa pressupõe que o alargamento do tempo e do espaço vinculados à instituição escolar são condições necessárias à melhoria da aprendizagem e do ensino. “Atendemos 19 mil alunos nesse programa”, conta a secretária de Educação de Belo Horizonte, Macaé Maria Evaristo. “Tudo acontece em articulação da rede municipal de educação com diferentes esferas governamentais, instituições de ensino superior e organizações não-governamentais.”

Os alunos participam de atividades pela manhã e à tarde. Nove horas diárias de ação educativa são garantidas, sendo um período na escola e as demais horas em atividades culturais e esportivas, de lazer e formação cidadã, alinhadas num processo formativo. Para as atividades fora da escola, são organizados grupos de 25 alunos, acompanhados por monitores, sob coordenação de um professor comunitário. Em 2008, o Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar/UFMG), realizou a avaliação do Escola Integrada, desenvolvida em parceria com a Fundação Itaú Social. “A pesquisa verificou impacto positivo na grande maioria dos indicadores investigados, que estão relacionados à garantia das condições necessárias para a aprendizagem”, explica a gerente de avaliação do Banco Itaú, Lígia Vasconcellos. “Entre estes indicadores podemos citar o aumento no hábito de leitura e no número de horas estudadas.”

Promoção de direitos

No mesmo dia, às 19 horas, no evento de lançamento nacional da 8ª edição do Prêmio Itaú-Unicef, representantes da Fundação Itaú Social e do UNICEF falaram sobre a importância do Prêmio. “Educação de qualidade para todos é o grande objetivo dessa iniciativa”, afirma o vice-presidente sênior do Banco Itaú e da Fundação Itaú Social, Antonio Matias. Marie-Pierre Poirier, do UNICEF, acredita que cada edição representa uma oportunidade de evolução. “A expectativa é que os direitos das crianças e dos adolescentes sejam cada vez mais reconhecidos.”

Para os interessados em participar, as inscrições vão até 25 de maio. Podem ser inscritos projetos de organizações não-governamentais sem fins lucrativos, responsáveis por ações socioeducativas com crianças e adolescentes em condições de vulnerabilidade socioeconômica, de 6 a 18 anos. A inovação deste ano é a criação de uma segunda categoria para as alianças estratégicas entre ONGs, escolas, empresas, equipamentos públicos, entre outros, em favor da educação integral. “Acreditamos na articulação de diferentes frentes sociais para implementar a Educação Integral”, explica Maria do Carmo Brant de Carvalho, do Cenpec.