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Polo de desenvolvimento educacional

Educação Integral: Crer e fazer é o mote da 10ª edição do Prêmio Itaú-Unicef

A Fundação Itaú Social, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Centro de Estudos e Pesquisas em educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) lançaram, em São Paulo, a 10ª edição do Prêmio Itaú-Unicef. A iniciativa, que está com inscrições abertas até o dia 31 de maio, tem como objetivo reconhecer e estimular o trabalho de organizações sem fins lucrativos que contribuem, em articulação com políticas públicas de educação e assistência social, para ampliar a aprendizagem de crianças, adolescentes e jovens.

O lançamento do Prêmio foi realizado durante o seminário Educação Integral: Crer e fazer, nos dias 2 e 3 abril, e contou com a participação de especialistas em educação do Brasil e da Espanha, gestores de ONGs, da área educacional e social, que debateram a importância da ação da sociedade civil organizada para a oferta da educação integral.

A mesa de abertura do seminário teve como tema a defesa dos direitos e o papel das ONGs. Participaram desta discussão a presidente do conselho do Cenpec, Maria Alice Setubal, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) André Lázaro e a coordenadora do programa de Educação do Unicef, Maria de Salete Silva, que chamou atenção para o desafio de criar mecanismos que tornem o currículo pedagógico interessante, contribuindo para a permanência de crianças e jovens na escola na idade adequada. “Certa vez um aluno me disse: “Eu não mato aula, é a aula que me mata”. O sentimento desse aluno mostra claramente a dimensão da dificuldade de tornar a sala de aula um espaço interessante para crianças e jovens. Mesmo diante dessa apatia precisamos construir currículos que dialoguem a realidade dos estudantes e que envolvam a sociedade. Não basta termos escolas que não limitem a experiência de aprender à educação formal. Precisamos de cidades educadoras, que articulem as ações educativas com as mais diversas áreas, como a da assistência social, da saúde, da cultura, do esporte e do lazer”, disse.

Na opinião dela, somente por meio dessas ações é que será possível reverter os dados apontados pelo estudo Global Pelas Crianças Fora da Escola, realizado pelo Unicef, em parceria com Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Segundo a análise, cerca de 3,7 milhões de pessoas entre 4 e 17 anos de idade estão fora da escola no Brasil. Desse total, 1,4 milhão têm 4 e 5 anos; 375 mil, de 6 a 10 anos; 355 mil, de 11 a 14 anos; e mais de 1,5 milhão têm entre 15 e 17 anos.

Os principais fatores que põem em risco a permanência das crianças na escola são a reprovação e o abandono escolar. Mais de 3,7 milhões de alunos das séries iniciais do ensino fundamental encontram-se com idade superior à recomendada para a série que frequentam. “Precisamos o quanto antes implantar políticas intersetoriais para garantir a inclusão, a permanência e a aprendizagem de crianças e adolescentes que estão em situações de vulnerabilidade”.

De acordo com o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) André Lázaro, que ajudou a criar o programa do governo federal Mais Educação, embora os resultados sejam negativos, é preciso levar em conta que a universalização do acesso à escola é recente, e que o processo de evolução da qualidade da educação deve ser visto em longo prazo. “As nossas médias são muito ruins, mas se olharmos apenas deste ponto de vista ficaremos iludidos e não faremos mais nada. Esses anos do prêmio [Itaú-Unicef] são mais um testemunho de que com coragem é possível fazer coisas extraordinárias e que a mudança está acontecendo”, concluiu.

Para alavancar iniciativas que provoquem a mudança mencionada por Lázaro, a presidente do conselho do Cenpec, Maria Alice Setubal destacou que o papel das ONGs. “Por estarem mais próximas da comunidade, as ONGs podem analisar melhor os territórios, identificando as oportunidades para trazer a cultura local para dentro das escolas. Esse trabalho é muito importante, pois contribui para resgatar a autoestima e a dignidade desta comunidade, que muitas vezes não se reconhece na escola, nos programas de televisão e até mesmo nas suas questões básicas e valores”, afirmou.

No segundo dia do seminário (3/4), o público foi convidado a debater os termas: direitos, educação, cultura e assistência social com a especialista da Universidade Cruzeiro do Sul, Dirce Koga, a representante da ONG Projeto Verde Vida Jany Alencar Leite, o secretário de Cultura do Município de São Paulo, Juca Ferreira, a diretora da Fundação SM e ex-secretária de educação Básica do Ministério da Educação Maria do Pilar Lacerda. A mediação do debate foi realizada pela Gerente de Desenvolvimento Institucional Canal Futura Mônica Pinto.

A palestra de encerramento do seminário teve como tema Educação Integral: Crer e Fazer e foi ministrada pelo doutor em Pedagogia e professor titular de Filosofia da Educação pela Universidade de Barcelona, Jorge Larrosa, que provocou uma reflexão sobre o conceito de educação integral. “Precisamos repensar o conceito de educação assim como os procedimentos para a formação e responsabilização dos educadores. A impressão que tenho é que tudo é muito igual. Precisamos da possibilidade de inovar para que a educação trabalhe com os potenciais das pessoas e não com as suas condições, ajudando-as a se tornarem autônomas e a construírem o próprio destino. Se ficarmos pensando apenas em suas condições sociais, a lista de impossibilidades pode paralisar o educador”.

Assista ao vídeo do “Seminário de Educação Integral: Crer e Fazer” na íntegra:

1º dia (02.04.2013)

2º dia (03.04.2013)