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Educação é parceria e troca

De Jijoca de Jericoacoara, no Ceará, a professora Adriana Girão fala dos cursos do Polo que vem fazendo durante a pandemia e propõe: “Educador tem que emocionar”


Adriana Girão, que fez dois cursos no Polo, ambiente de formação do Itaú Social, e prepara-se para mais um: “Na educação, de repente você se vê como alguém que abre caminhos para que outros sujeitos se desenvolvam”. Foto: Arquivo pessoal

Por Luana Gurgel, Rede Galápagos, Fortaleza (CE)
Depoimento de Adriana Girão, professora de inglês em Jijoca de Jericoacoara (CE) e cursista do Polo

Quando você é educadora e se encontra em um momento de aflição, tem que buscar estratégias, fontes seguras de conhecimento, que trabalhem com projetos voltados para a área social e para a educação. Eu sabia que o Itaú Social tinha um trabalho atuante na formação de professores e gestores e uma vez, passando por uma rede social, vi o anúncio do Polo, seu ambiente de formação. Imediatamente entrei no site e me inscrevi. Esse primeiro contato com a plataforma aconteceu no início da pandemia. De lá para cá segui acompanhando cada postagem. Nenhum educador estava preparado para o isolamento, ninguém conhecia muito bem os recursos e as possibilidades do ensino virtual, e ainda havia a questão tecnológica: que equipamentos ou plataformas seriam mais eficazes? Tudo isso fomos aprendendo ao longo de 2020.

Meu primeiro curso no Polo foi “Convivência: planejamento de ações”, que faz parte do percurso Proteção social. Desde então tive acesso a outras metodologias além daquelas com as quais vinha trabalhando, conheci novas possibilidades. Nós não somos autossuficientes na educação. Em um trabalho colaborativo e de cunho social, como o nosso, é importante conhecermos o que funciona. A expressão “planejamento de ações”, no título do curso, me trouxe imediatamente uma ideia de movimento, um chamado à atividade, ampliando minha visão num momento em que o contexto de isolamento às vezes parece nos limitar apenas ao que percebemos ao nosso redor.  O conteúdo aprendido é um aprendizado que se solidifica e se efetiva. Vou levá-lo comigo para o período pós-pandemia.

Logo na sequência fiz o segundo curso no Polo. Dessa vez escolhi “Aprender juntos: professores/as e gestores/as escolares”. O regime colaborativo é fundamental no contexto escolar, e ter uma equipe alinhada beneficia todo o grupo. O curso reforça essa união, a interseção dos setores que, trabalhando juntos, desenvolvem iniciativas alinhadas à gestão, à busca constante de propostas e estratégias. Agora, mais do que nunca, é preciso pensar na coletividade. Equipes se apoiam umas às outras não apenas para produzir juntas, mas também para não sobrecarregar quem está na ponta, as professoras e professores que atuam no cotidiano da relação com os alunos.

Venho da pedagogia de Paulo Freire, e pensar que o professor despeja conteúdo nos alunos é irreal para mim. Durante o isolamento conseguimos engajar familiares e amigos dos estudantes nas transmissões que realizamos. Chegamos a 900 acessos em uma aula; ali democratizamos o conteúdo. Esse foi outro ponto que aprendi mais no curso, a possibilidade de inserir as famílias no aprendizado. Tive acesso a conteúdo teórico e metodológico com uma rica bibliografia.

Ensinar em isolamento social no município onde moro, Jijoca de Jericoacoara, no Ceará, foi especialmente difícil. Por causa de nossa localização geográfica temos problemas estruturais no acesso à internet de alta velocidade. Muitas vezes faltava sinal na hora da aula e não conseguíamos prosseguir. Tivemos que desenvolver uma rede de suporte, não apenas na nossa escola, mas entre as demais instituições de ensino. Foi um trabalho colaborativo que trouxe resultados.

A professor Adriana Girão ministra aula de inglês pela internet: “Nenhum educador estava preparado para o isolamento, ninguém conhecia muito bem os recursos e as possibilidades do ensino virtual”.  Foto: Arquivo pessoal

Estamos discutindo o planejamento metodológico e didático para 2021 em diálogo com a Secretaria Municipal de Educação. Participo desse grupo como colaboradora. Entendo que o meu trabalho individualmente é reconhecido, mas não faz sentido que fique só comigo. É importante que outros colegas tenham acesso, que possamos trocar; assim todos crescemos. 

Manter-me atualizada foi essencial para conseguir esse reconhecimento. Ganhamos prêmios com a temática de sustentabilidade em um edital disponibilizado pela companhia fornecedora de energia no Ceará. Neste ano, seguiremos trabalhando com a temática da sustentabilidade, e continuo entrando rotineiramente no Polo em busca de novos ensinamentos.

“Do lixo ao luxo”, projeto de sustentabilidade desenvolvido com crianças do ensino fundamental I: iniciativa premiada. Foto: Arquivo pessoal

O processo de formação é mágico para mim. Na educação, de repente você se vê como uma ponte, ou alguém que abre caminhos para que outros sujeitos se desenvolvam. Estou no processo de mediar e, quanto mais pesquiso, mais posso compartilhar. Ver a mudança na vida das pessoas me encanta. Você é professor de matemática, inglês, história, mas não precisa ensinar apenas o conteúdo. O educador tem que emocionar. Se o educador não emocionar e mostrar que aquilo é útil, o estudante não vai aprender. Não sou um sujeito apenas: eu troco com meu aluno.

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