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Educação do presente e do futuro

“Os alunos já estão imersos na cultura digital”, constata a professora potiguar que, durante a pandemia, se especializa no uso de tecnologias para a educação


Ataíze atua na rede de ensino de São Paulo do Potengi (RN) há quase uma década: “A tecnologia é uma solução que traz consigo novos desafios”. Foto: Arquivo pessoal

Por Wallace Cardozo, Rede Galápagos, Lauro de Freitas (BA)
Depoimento de Ataíze Mota da Silva, mãe, educadora, coordenadora-geral do ensino fundamental e da educação de jovens e adultos em São Paulo do Potengi (RN), pós-graduanda em educação à distância: tecnologias da educação — e cursista do Polo

A grande maioria das crianças, ainda bem, passa considerável parte dos seus dias na escola. Entretanto, acredito que poucas puderam viver a rotina do ambiente escolar como eu vivi. Como minha mãe era merendeira, eu passava muito mais tempo na escola do que outras crianças. De tanto observar toda a dinâmica envolvida no processo da educação, fui tomando gosto pela área. O ensino médio geralmente é o momento de decidir “o que ser quando crescer”, mas a minha decisão estava tomada havia algum tempo: já queria ser professora. Sempre estudei em escola pública e minha mãe se preocupava, pois não tinha condições de pagar uma faculdade.

Debrucei-me sobre os livros e fui aprovada para a graduação em pedagogia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal. Sou natural de São Paulo do Potengi, a cerca de 70 quilômetros da capital. Durante a graduação, morei mais perto do campus. Aproveitei cada momento da faculdade como se fosse o último e tive certeza de que estava no caminho certo. Minha primeira experiência como professora veio ainda antes da formatura. Lembro de ter ficado entusiasmada porque era a oportunidade de pôr em prática o que estava aprendendo nas aulas. Contudo, algumas posturas dos colegas de profissão me incomodavam. Percebi que os estudantes não eram incentivados à proatividade e já sabiam exatamente o que esperar das atividades tradicionais. Naquele momento, não havia muito que eu pudesse fazer, já que ainda não era formada.

Pouco antes de concluir a graduação, descobri que estava grávida. Assim como me aconteceu quando pequena, minha filha Maria Lavínia precisou me acompanhar muitas vezes ao trabalho, porque eu não tinha com quem a deixar. Ela estudou onde eu trabalhava, durante um tempo. Hoje, com seis anos, frequenta duas escolas porque eu tenho os dois turnos ocupados na Secretaria de Educação da minha cidade. Sou a coordenadora-geral do ensino fundamental e da educação de jovens e adultos. Passei por todas as etapas da educação ao longo dos meus oito anos de experiência — seis deles em sala de aula. Gosto especialmente da alfabetização, porque acho mágico o processo em que a criança aprende a ler e a escrever, e do ensino médio, porque curto trabalhar com jovens e ouvir sobre seus interesses e projetos de vida.

Estudantes, professores, famílias e gestores, todos fomos pegos de surpresa quando a pandemia do novo coronavírus chegou. Os alunos vivenciaram um contexto de incertezas, os educadores não estavam capacitados para dar aulas à distância, as famílias precisaram se acostumar com a nova rotina. E os gestores, na medida do possível, tiveram que gerir. De repente, precisamos montar um plano de ação para atividades remotas. O WhatsApp parecia ser a ferramenta mais adequada, porém algumas famílias não tinham acesso qualificado à internet. Com escuta e cuidado, encontramos soluções buscando minimizar o impacto negativo na educação dos meninos e meninas, como a possibilidade de retirada de atividades impressas nas unidades escolares.

Quando o retorno às escolas começou a ser debatido, fiquei sabendo da existência do curso Garantindo Condições para a Reabertura das Escolas, no Polo, o ambiente de formação do Itaú Social. Ao entender a pandemia e seus desdobramentos como uma situação inédita, é possível imaginar como o cenário parecia nebuloso e o processo de tomada de decisões, ainda mais delicado.

Recomendei aos coordenadores das dez escolas de São Paulo do Potengi o curso O Coordenador Pedagógico como Formador. É um curso de apenas quatro horas, mas bastante esclarecedor e ótimo para quem é iniciante na função. O conteúdo trata da importância de fazer um diagnóstico com os professores e entender quais são as suas dificuldades na hora de montar a pauta formativa, por exemplo. Durante a apresentação, percebi que, no dia a dia, o coordenador acaba executando muitas tarefas administrativas que não fazem parte da sua função. Agora, estou mais atenta a isso.

Aqui no município, já retomamos o ensino 100% presencial, mas alguns estudantes optaram por continuar com as aulas remotas. O ensino híbrido é uma concepção metodológica que já existia e não podemos voltar no tempo. A tecnologia faz parte do cotidiano e os alunos já estão imersos na cultura digital, uma solução que traz consigo novos desafios. Por isso, sigo me capacitando. Atualmente, estou fazendo pós-graduação no tema educação à distância: tecnologias da educação. Sempre que posso, acompanho as novidades no Polo, plataforma em que, graças à tecnologia, posso fazer os cursos no meu tempo. Entre os cursos disponíveis, destaco o de Recursos Educacionais Digitais (REDs), elaborado para apoiar docentes a potencializar a aprendizagem dos estudantes.

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