No próximo dia 21 de março, terça-feira, é celebrado o Dia Mundial da Infância, data que lembra que essa fase é decisiva na formação emocional e cognitiva do indivíduo. Nesse processo de crescimento, a escola ocupa papel relevante no desenvolvimento integral da pessoa, contexto que é abordado na pesquisa “Avaliação da Qualidade da Educação Infantil”, que trata dos desafios e das recomendações direcionadas à educação infantil.
O levantamento traz uma análise sobre a educação infantil ofertado para crianças na faixa de zero a seis anos, levando-se em conta os Seis Direitos de Aprendizagem (convivência, o brincar, a participação, o explorar, o expressar e o conhecer-se), de acordo com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular).
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A partir da avaliação do eixo curricular, das interações e das brincadeiras oferecidas em creches e pré-escolas, a publicação reúne 11 recomendações para que professores, gestores de ensino e as secretarias Municipais de Educação possam adotar para qualificar as aprendizagens em sala de aula:
- Elaborar estratégias condizentes com a BNCC para que as condições de infraestrutura, de fato, sejam promotoras de uma ampliação de aprendizagens das crianças, proporcionando interações de qualidade entre as crianças e os pares mais experientes (professores e demais profissionais das unidades).
- Estabelecer a gestão democrática em todos os âmbitos da rede de educação, do gabinete à comunidade escolar.
- Trabalhar para que o planejamento pedagógico nas unidades educacionais contemple experiências diversificadas, que estimulem o protagonismo das crianças durante o processo de aprendizagem.
- Investir em momentos que valorizem participação das rotinas diárias, como a ampliação dos movimentos corporais, a leitura de histórias, o brincar livre, e garantir que em toda a atividade da educação infantil haja intencionalidade pedagógica e protagonismo das crianças.
- Efetivar as oportunidades de aprendizagens relacionadas à educação étnico-racial, em que cada gestor e profissionais de educação pensem o quanto isso realmente se dá nas relações cotidianas das unidades de Educação Infantil.
- Trabalhar em cada unidade educacional para que momentos relacionados ao cuidado tenham intencionalidade educativa, dedicando especial atenção, por exemplo, durante a lavagem de mãos.
- Quebrar alguns paradigmas enraizados sobre a concepção de criança, como a cultura de que se os materiais estiverem ao alcance das crianças e forem usados livremente serão estragados.
- Combater ativamente as violências ainda presentes no contexto da Educação Infantil para atingir um ensino livre de qualquer ato que viole os direitos das crianças ou promova qualquer tipo de discriminação.
- Mapear por meio de gestores escolares e coordenadores de regionais, as possíveis fontes de desigualdade de atendimento dentro da rede e utilizar boas práticas como fonte de inspiração para a superação dessas desigualdades.
- Identificar dentro do que compete às gestões das unidades educacionais o que é preciso incidir para que não haja maiores retrocessos na Educação Infantil brasileira.
- Estabelecer no âmbito das Secretarias Municipais de Educação uma cultura permanente de acompanhamento da qualidade da Educação Infantil, com análises periódicas, construção de planos de ação a partir dos resultados dessas avaliações e estabelecimento de parâmetros de qualidade inspirados em evidências, gerando uma melhoria progressiva dessa etapa da Educação Básica.
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Panorama da Educação Infantil
Para avaliar a qualidade da educação infantil no Brasil, o estudo utilizou escala da EAPI (Escala de Avaliação de Ambientes de Aprendizagens dedicados à Primeira Infância), criada a partir de uma adaptação do instrumento MELE (Measuring Early Learning Environments).
Com base nesse método, foi mostrado que os alunos têm acesso ao mínimo que é ofertado pelas redes de ensino, como infraestrutura e materiais pedagógicos, mas que não promove experiências transformadoras na vida do estudante.
Sobre o estudo
A pesquisa “Avaliação da Qualidade da Educação Infantil” foi elaborada pela FMCSV (Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal), em parceria com o LEPES (Laboratório de Estudos e Pesquisas em Economia Social) da Universidade de São Paulo, com apoio do Itaú Social e do Movimento Bem Maior. Foram analisadas 3.467 turmas de creches e pré-escolas em 12 municípios brasileiros, contemplando 1.807 unidades de ensino de todas as regiões do país.