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Polo de desenvolvimento educacional

Desenvolvimento de habilidades socioemocionais foi tema de debate em SP

A Fundação Itaú Social realizou, no dia 2 de setembro, em São Paulo, o 11º Seminário Itaú Internacional de Avaliação Econômica de Projetos Sociais. O evento reuniu especialistas do Brasil, Estados Unidos, Bélgica e Dinamarca para debater o que são competências socioemocionais, qual a sua importância para o desenvolvimento das habilidades cognitivas e a necessidade de criar políticas públicas que ajudem no desenvolvimento de tais habilidades.

Um dos três painéis do evento teve como foco o Desenvolvimento de habilidades socioemocionais. Participaram desta mesa os especialistas Ricardo Paes de Barros (Secretaria de Assuntos Estratégicos – Governo Federal), Ana Helena Altenfelder (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária – Cenpec), Ricardo Primi (Universidade de São Francisco) e Tatiana Filgueiras (Instituto Ayrton Senna). A mediação foi realizada pela superintendente da Fundação Itaú Social, Isabel Santana, que ressaltou a riqueza do debate graças aos diferentes enfoques apresentados sobre o tema. “Já faz onze anos que estamos procurando contribuir para a discussão sobre a relevância das avaliações de impacto e de retorno econômico para o aprimoramento das ações sociais e educacionais. Contar com o relato e as experiências de especialistas em diversas áreas é a forma que encontramos para qualificar o debate com intersetorialidade, além de fomentar novos questionamentos”, afirmou.

Segundo Altenfelder, a discussão sobre o desenvolvimento das habilidades socioemocionais não pode estar desvinculada do debate da educação integral, que contempla ampliação de tempos e espaços de aprendizagem. Ela também destacou a necessidade de atrelar a oferta de uma formação plena a crianças e jovens à criação de mecanismos que auxiliem os profissionais da educação a acolher as famílias e trazê-las para o cotidiano da escola. “Falta entendimento, por parte da equipe escolar, sobre a importância da presença da família para a formação plena de crianças e jovens. Precisamos criar estratégias para aproximar pais e professores e fortalecer o seu relacionamento, sem acentuar a culpa pelo fracasso escolar. Se fizermos essa ponte, estaremos mais próximos de reduzir as desigualdades”, disse.

Ricardo Paes de Barros apontou outro desafio importante para dar saltos de qualidade no ensino público: a construção de avaliações em larga escala, confiáveis para verificar as habilidades socioemocionais desenvolvidas, e o impacto delas sobre a vida dos alunos. “O Brasil está uma geração atrás do Chile no ponto de vista educacional, o que representa uma defasagem de 30 a 40 anos. Precisamos pular urgentemente para o futuro, em vez de perseguir cada um dos passos dados por países mais avançados. O desafio agora é criar medidas práticas, sem um custo elevado, e que possam ser levadas a cada escola brasileira”, disse.

Ricardo Primi, doutor em psicologia escolar e do desenvolvimento humano pela USP, também destacou a necessidade de estudar mais as características socioemocionais, por meio de estudos longitudinais. A partir dessa abordagem sobre o tema, ele defende que será possível chegar ao modelo de intervenção mais adequado. “Já temos algumas respostas sobre o tema, mas precisamos continuar investigando essas habilidades para entender melhor como essas características se desenvolvem ao longo da vida, quais são os seus padrões de desenvolvimento, as causas que geram mudanças durante a vida e os efeitos dessas habilidades para podermos construir políticas públicas mais efetivas”, explicou.

A importância da comunicação para esclarecer para pais, professores e alunos a relevância das habilidades socioemocionais, de forma que essas competências sejam intencionalmente desenvolvidas, foi o ponto destacado pela coordenadora da área de Avaliação e Desenvolvimento do Instituto Ayrton Senna, Tatiana Filgueiras. “Uma boa comunicação sobre essas competências é fundamental para que a discussão não se limite à semântica, para definir se a denominação correta deve ser habilidades socioemocionais, não cognitivas ou traços de personalidade”, afirmou. Na visão de Filgueiras, outros pontos essenciais para acelerar o aprimoramento da qualidade da educação no país passam por uma articulação entre o trabalho realizado pelos responsáveis por desenvolver e gerir as políticas públicas e quem atua diretamente nas escolas, além de oferecer uma formação específica para os docentes.

Saiba mais sobre os palestrantes e mediadores dos debates:

Competências socioemocionais para o século XXI

John Lawrence Aber – Professor da Universidade de Nova Iorque (NYU)

http://steinhardt.nyu.edu/faculty_bios/view/J._Lawrence_Aber

Oliver P. John – Professor e psicólogo na Universidade da Califórnia, Berkeley

http://psychology.berkeley.edu/people/oliver-p-john

Avaliações de impacto das habilidades e competências socioemocionais

Miriam Gensowski – Professora da Universidade de Copenhague (Dinamarca)

http://www.econ.ku.dk/gensowski/

Filip de Fruyt – Professor da Universidade de Gent (Bélgica)

http://www.vopspsy.ugent.be/en/personality-psychology/filip-de-fruyt.html

Daniel Santos – Universidade de Sao Paulo (USP)

http://www.fearp.usp.br/principal.php?go=99&docente=125

Mediação: Naercio Menezes Filho – Insper e Universidade de São Paulo  (USP).

http://www.insper.edu.br/professores/pesquisadores/naercio-aquino-menezes-filho/

Desenvolvimento de habilidades não cognitivas

Tatiana Filgueiras – Instituto Ayrton Senna

http://educacaosec21.org.br/entrevista-com-tatiana-figueiras-canal-futura/

Ricardo Primi – Universidade São Francisco

http://www.bv.fapesp.br/pt/pesquisador/2548/ricardo-primi/

Ricardo Paes de Barros – Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República – SAE/PR

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&id=K4721799D9

Mediação: Isabel Santana – Superintendente da Fundação Itaú Social

http://www.fundacaoitausocial.com.br/rodape/sala-de-imprensa/porta-vozes/