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Polo de desenvolvimento educacional

Desafios para criar cultura de avaliação foram tema de debate em São Paulo

A formação de capacidade avaliativa em pessoas e organizações foi o tema do debate da série Diálogos, realizado no último dia 2 de junho, pelo Instituto Fonte, com o apoio da Fundação Itaú Social e do Instituto C&A. O encontro, realizado no Itaú Cultural, teve a participação da superintendente da Fundação Itaú Social, Isabel Santana, do diretor executivo da SP Leituras, Pierre André Ruprecht e da especialista do Instituto Fonte, Martina Rillo Otero, que mediou o debate.

O evento reuniu cerca de 160 gestores de projetos sociais e especialistas para abordar desafios enfrentados ao se criar uma cultura de avaliação em organizações sociais e governamentais. Também foram expostas oportunidades que a incorporação da prática avaliativa pode criar; entre elas, o fortalecimento de instituições que a adotam de forma estruturada.

De acordo com Santana, não basta apenas haver um bom gestor de projeto, ou um bom técnico que queira produzir avaliações. O processo também depende de políticas organizacionais, questões culturais e condições práticas. “As práticas de avaliação ajudam a justificar as escolhas e a ter clareza nas diretrizes de atuação”, disse.

Ela destacou ainda que a avaliação deve ser vivenciada como algo positivo e estar prevista no projeto desde o início, pois isso facilita a criação de boas condições. “As pessoas contam pouco sobre seus processos avaliativos e seus aprendizados. A gente precisa promover exemplos, pois é uma forma de desenvolver essa capacidade”, afirmou.

Estudar, fazer cursos, ler muito e distinguir conceitos estão entre as iniciativas apontadas como essenciais para quem deseja incorporar a cultura de avaliação. Porém, há um espaço que vem sendo pouco usado: a formação em serviço. “Se não vivenciarmos processos avaliativos como estratégia de formação, não será possível fazê-los de forma mais aprofundada e independente”, concluiu a superintendente.

Ruprecht, que dirige uma organização social da área de cultura, relatou que, em sua experiência, a avaliação surgiu no âmbito da relação com a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, da qual a ONG é parceira. “A princípio, avaliar se traduzia em checar o cumprimento de metas e a satisfação do público. Porém, a organização começou a refletir sobre suas próprias práticas e a fazer perguntas sobre o impacto das ações que estão sendo realizadas”, afirmou. Com base nisso, buscou um parceiro que a ajudasse a desenvolvê-la: o Instituto Fonte.

Uma grande vantagem entre as organizações sociais, de acordo com o executivo, é que boa parte das equipes tem identidade com a missão da instituição. “A avaliação é hora de dar voz a essas pessoas, é um espaço que deve ser construído como momento de escuta e de reflexão, que exige uma pré-disposição da liderança para desnudar-se, cultivando a alegria de trabalhar em equipe”, afirmou.

Para Otero, as reuniões que permeiam o processo de avaliação devem ser vivenciadas com intensidade, ter consequências e ser de fato espaços de encontro.  “Do ponto vista de quem está sendo avaliado, é uma oportunidade de ser ouvido, de falar sobre o trabalho com o avaliador, expor dificuldades, mostrar o lado de cada um dos envolvidos com o trabalho”, concluiu a mediadora.