Quase metade dos adolescentes dos Anos Finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) reconhece que passeios, visitas e atividades fora da escola são importantes para a aprendizagem. Segundo o Relatório Nacional da Semana da Escuta das Adolescências nas Escolas, 45% dos estudantes do 8º e 9º anos apontam essas experiências como formas relevantes de aprender. Entre os alunos do 6º e 7º anos, o percentual chega a 39%.
Realizada pelo MEC (Ministério da Educação), em parceria com o Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), a Undime (União dos Dirigents Municipais de Educação) e o Itaú Social, a iniciativa ouviu mais de 2,3 milhões de adolescentes em todo o país.
No período das férias escolares de julho, os resultados evidenciam o potencial educativo das experiências vividas fora da sala de aula. Museus, bibliotecas, parques, centros culturais e de ciência, equipamentos esportivos e até passeios pelo próprio bairro podem se transformar em oportunidades de descoberta, convivência e ampliação de repertório.
Para Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, os dados desafiam a percepção de que a aprendizagem fica suspensa durante o recesso escolar. “Na visão dos próprios participantes, conhecer novos lugares, participar de atividades culturais, explorar a cidade e vivenciar experiências práticas também são formas de construir conhecimento, desenvolver autonomia e ampliar repertórios”, destaca.
Os resultados também reforçam a importância dos chamados espaços não formais de aprendizagem, que podem complementar o percurso educativo e contribuir para a formação integral de crianças e adolescentes. Isso não significa, porém, transformar as férias em uma extensão da rotina escolar, mas reconhecer que a curiosidade, a convivência e o contato com diferentes realidades também fazem parte do processo de aprender.
“Quando dizem que aprendem em passeios, visitas e outras experiências, os estudantes nos lembram que a curiosidade, a convivência e o contato com diferentes realidades também fazem parte do processo educativo. As férias representam um momento propício para ampliar repertórios, fortalecer vínculos familiares e estimular descobertas, sem transformar o descanso em uma continuidade do dia a dia escolar”, afirma Patricia.
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Como transformar as férias em oportunidades de aprendizagem
A preferência dos adolescentes por atividades realizadas fora da escola indica que a aprendizagem pode ganhar força quando eles participam ativamente da construção do conhecimento. Descobrir, experimentar, interagir e fazer escolhas são experiências que ajudam a desenvolver autonomia e a atribuir sentido ao que se aprende dentro e fora do ambiente escolar.
Se os próprios estudantes reconhecem que aprendem em visitas, passeios e atividades externas, as férias podem ser uma oportunidade para as famílias estimularem essas experiências de maneira leve e acessível. A proposta não é reproduzir conteúdos escolares durante o recesso, mas criar condições para que crianças e adolescentes explorem novos ambientes, convivam com diferentes pessoas, desenvolvam interesses e façam perguntas sobre o mundo ao seu redor.
A seguir, o Itaú Social apresenta seis dicas para transformar as férias escolares em oportunidades de aprendizagem:
1. Conheça lugares novos, mesmo perto de casa
Não é preciso viajar ou percorrer grandes distâncias para proporcionar experiências significativas. Conhecer outro bairro, visitar um museu, uma biblioteca, um parque, uma praça, uma feira ou um centro cultural pode despertar a curiosidade e ampliar o repertório de crianças e adolescentes.
O mais importante é criar situações para que eles observem, comparem, façam perguntas e descubram novas formas de olhar para a cidade e para o ambiente em que vivem.
2. Dê espaço para que os adolescentes escolham
Na adolescência, participar das decisões pode fazer diferença no interesse e no envolvimento com uma atividade. Por isso, vale construir a programação das férias em conjunto, perguntando o que desperta curiosidade, quais lugares gostariam de conhecer ou que experiências desejariam vivenciar.
Quando os adolescentes participam das escolhas, as atividades tendem a ganhar mais significado e podem contribuir para o desenvolvimento da autonomia.
3. Troque respostas prontas por boas conversas
Um passeio não precisa se transformar em uma aula para gerar aprendizagem. Conversas espontâneas podem ajudar crianças e adolescentes a refletir sobre o que observaram e a elaborar suas próprias descobertas. Perguntas como “O que mais chamou sua atenção?”, “O que você descobriu hoje?” ou “O que foi diferente do que imaginava?” estimulam a reflexão sem retirar da experiência sua leveza e seu caráter de lazer.
4. Valorize experiências em grupo
Na adolescência, as relações com os pares ganham especial importância. Sempre que possível, atividades com amigos, vizinhos e familiares podem enriquecer as experiências, favorecendo a convivência, a cooperação e a troca de diferentes perspectivas.
Jogos de tabuleiro, cartas, brincadeiras ao ar livre e a participação em celebrações comunitárias, como as festas julinas, são exemplos de atividades que podem fortalecer vínculos e proporcionar momentos de aprendizagem e diversão.
5. Incentive novas experiências
As férias também podem ser uma oportunidade para experimentar algo novo: praticar um esporte, participar de uma oficina, aprender um instrumento, cozinhar uma receita, visitar uma exposição, fazer uma trilha ou descobrir uma nova atividade cultural.
O contato com experiências diferentes pode despertar interesses, estimular habilidades e ampliar o repertório dos adolescentes, sem a necessidade de transformar cada atividade em uma obrigação ou meta de desempenho.
6. Respeite o tempo do descanso
As férias escolares não precisam ser preenchidas por uma agenda intensa. O descanso, o lazer, o ócio e o tempo livre também são importantes para o desenvolvimento e o bem-estar de crianças e adolescentes.
Mais do que ocupar todos os momentos do recesso, o importante é encontrar equilíbrio entre descanso e experiências que despertem curiosidade, favoreçam interações positivas e estimulem a vontade de conhecer e explorar o mundo.
Assim, as férias podem preservar aquilo que têm de mais valioso, o tempo para descansar e desacelerar, e, ao mesmo tempo, abrir espaço para descobertas que nascem de uma visita, de uma conversa, de uma brincadeira ou simplesmente de um novo olhar sobre lugares já conhecidos.