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Como plantar a semente da leitura

"Sim, há estratégias para desenvolver na criança o apreço pelos livros. Algumas delas podem ser feitas desde o berço. E valem a pena!"


Miguel e Pedro em três momentos: dos livros emborrachados para bebês aos ambientes criados para estimular o interesse em diferentes fases. Foto: arquivo pessoal

Por Nathalia Bini, jornalista da Rede Galápagos em Belo Horizonte. Mãe de Miguel, 9, e Pedro, 6

Enquanto estava grávida, tinha mil teorias para fazer o filho gostar de ler. Depois percebi a perda de tempo, já que cada criança tem um ritmo. Mas algumas estratégias ajudam muito: ter livros diferentes à disposição e achar um horário meio ‘obrigatório’ para a leitura na rotina maluca da família. Quando Miguel, 9 anos, era bebê, eu comprava livros emborrachados, cheios de cores e barulhos.

Alguns nem tinham letras. Mas confiava que só de ‘passar as páginas’ estava plantando uma sementinha. Aproveitava, antes da soneca da tarde, para ler uma história maior com ele. E, toda noite, a rotina incluía janta, banho e uma leitura antes de dormir. À medida que foi crescendo, com a inclusão de outras atividades no dia e, principalmente, com a chegada do irmão, o esquema bagunçou todo. Mas eu mantinha a meta de pelo menos um exemplar à noite.

Pedro, de 6, também entrou nesse esquema: enquanto o mais velho não sabia ler, eu deitava com os dois ao mesmo tempo. Espremida numa cama de solteiro, muitas vezes separando briga, porque eles não chegavam a um consenso sobre o exemplar da noite. Acontecia de eles não se entenderem e eu acabar não lendo nada. Ou, se estava mais paciente, escolhia uma história para cada. Aí era livro fininho, para não perder o costume. Também já coloquei Miguel lendo para Pedro enquanto eu fazia outras coisas. Infelizmente (ou felizmente dependendo do meu cansaço), o caçula não tem paciência e o livro precisa ser curto. Os amigos que dormem aqui também entram na roda. Ao longo do tempo, percebi que temos de criar situações para a leitura.

Claro que as mini bombas de testosterona não vão parar o videogame ou a brincadeira para ler. No quarto há várias estantes com livros à mão. Como são fininhas, deixo poucos exemplares e guardo o restante. Mudo sempre o que vai na estante, porque aí o livro velho parece novo. Vira e mexe crio algum espaço novo para estimular: uma cabaninha, um acampamento… levo livros e lanternas. Parece besteira, mas cria um ambiente para ouvir histórias. Deixo revistinhas dentro do carro e no banheiro. Sempre saio de casa com um livro dentro da bolsa, porque o tempo passa mais rápido lendo. Levo a livrarias, bienais e feiras. Se vamos viajar, encho a mochila deles com estórias. Troco muitos livros com amigas ou compro em sebos. Haja grana para manter uma biblioteca atualizada. Aliás, é fundamental que os títulos tenham a ver com a faixa etária.

Fotos: arquivo pessoal

Pedro está sendo alfabetizado on-line e a leitura regrediu nesta pandemia. Tem dias em que não vejo a hora de ele ter domínio das letras. Quando estou exausta, meu marido reveza na leitura. Às vezes, quando saímos e chegamos tarde ou não estamos em casa, pulamos a rotina sem culpa. Criar um hábito é trabalho de formiguinha. Haja persistência, paciência e criatividade. Mas o resultado vale a pena. Miguel pede livros de aniversário e Natal. Pedro ainda não. Mas também não dorme sem falar: “Qual a historinha de hoje, mãe”?