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Polo de desenvolvimento educacional

Como foi feita a pesquisa

Parceria do Itaú Social e do Observatório de Favelas, a Pesquisa Nacional sobre Organizações de Juventudes Negras pretende ser um painel abrangente de organizações que atuam na área e visam a afirmação e garantia de direitos dos jovens negros no Brasil.

Por que “juventudes negras”? Ao longo do documento, a equipe de pesquisa recorre ao plural para se referir a um sujeito complexo e coletivo. Para além da cronologia e das representações estatísticas e romantizadas, a juventude se constrói por meio de práticas, vivências e maneiras diferentes de experimentar o mundo e a vida em sociedade. Experiências múltiplas, que passam pela condição de cada indivíduo e são definidas por raça, classe, etnia, gênero e território de existência. “Por isso, acreditamos que o uso da expressão juventudes é o mais adequado”, escrevem os pesquisadores.

Para catalogar e categorizar as instituições, os pesquisadores ouviram diferentes entidades de todo o país. Também entrevistaram estudiosos e ativistas do tema. O trabalho começou com o levantamento de 200 instituições. Com o estabelecimento de filtros que identificaram a predominância da juventude tanto na temática quanto nas equipes das organizações, construiu-se o universo da pesquisa em profundidade, composto por 40 entidades responsáveis por 63 projetos.


Um retrato em cinco dimensões
As entrevistas direcionadas às organizações foram divididas em cinco blocos temáticos de perguntas, englobando o processo de criação da organização, atuação, sustentabilidade, agenda de juventudes e promoção e articulação das agendas das juventudes negras.

Já os pesquisadores e ativistas responderam questões dedicadas ao entendimento dos processos discriminatórios postos em prática pelo racismo institucional. Também se buscou que opinassem sobre políticas públicas e ações desenvolvidas por coletivos de juventudes negras para o enfrentamento do racismo. Com base nesse conjunto de informações, a pesquisa classificou as organizações em:

  • Organização de condensação sociopolítica: articulam e formulam ações que mobilizam outras organizações, coletivos e indivíduos em escala nacional, regional e local.
  • Organizações irradiadoras: promovem ações em redes e abrangem os níveis regional e local.
  • Organização e/ou coletivo com ações significativas e experiências inovadoras: fornecem insumos para novos referenciais de formulação de conceito, de inovação de práticas e proposição de agendas de direitos.

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Objetivo: combater o racismo institucional

O racismo institucional pode ser entendido como uma forma de discriminação entranhada na sociedade e materializada em desigualdades baseadas na raça. Pode ocorrer em ambientes públicos ou privados, e é particularmente perverso porque muitas vezes nem é percebido como discriminação – de tão repetido, acaba naturalizado.

Para a equipe da pesquisa realizada pelo Itaú Social e pelo Observatório de Favelas, é o combate ao racismo institucional que une as lutas das organizações das juventudes negras. Mas qual o seu grau de efetividade? Confira o que os especialistas ouvidos pelo estudo têm a dizer sobre o assunto:

“Eu acho o seguinte: existem duas frentes de luta nesse campo e nenhuma das duas pode ser deixada de lado. A primeira é realmente a pressão sobre instituições privadas e empresas para que elas de fato promovam maior igualdade racial e de gênero. Mas é preciso também lutar pela mudança dos critérios das instituições estatais. E as duas coisas precisam acontecer ao mesmo tempo.” João Feres (UERJ)

“Minha concepção é que essas instituições estão longe de garantir uma ação efetiva no campo empresarial que mostre um pleno compromisso com essa agenda. Ainda estamos naquela discussão inicial sobre ter um funcionário negro nas estruturas de base das empresas. As instituições reagem pouco, inclusive, a processos de violência e discriminação. As atuações são pontuais, não vemos posicionamentos plenos. O movimento da sociedade civil tem que estabelecer processos ainda muito mais fortes para a gente alcançar mudanças estruturais. A estrutura foi balançada com um grau de mudança, mas a essência ainda é a da negação de direitos.”
Diosmar Filho (Fórum de Igualdade Racial – FOPIR)

“A nossa prática age em conjunto com as juventudes que são protagonistas nos processos de abertura de espaços nos diferentes campos institucionais. Trabalhamos para dar cada vez mais visibilidade às ações que estão sendo desempenhadas por esses jovens que já têm a sua própria linguagem, a sua própria forma de analisar, sentir e viver essa luta.” Elisa Nascimento (IPEAFRO)

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Conheça outros destaques da pesquisa