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Boas-vindas à solidariedade

Como a Casa Pequeno Davi atua para apoiar a comunidade do Baixo Roger, em João Pessoa, durante a pandemia


A pedagoga e coordenadora-geral Cláudia Costa: voluntários entregam kits de higiene básica nas residências. Foto: Matheus Felipe Pereira/Casa Pequeno Davi/Divulgação

Por Gustavo de Souza, Rede Galápagos, Campina Grande (PB)

Uma pesquisa publicada pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) durante a pandemia acompanhou os índices de vulnerabilidade social e os desafios enfrentados pelas comunidades mais pobres de João Pessoa, na Paraíba. Bem antes da inesperada Covid-19, e atuando na região periférica do Baixo Roger, a organização da sociedade civil (OSC) Casa Pequeno Davi já contribuía para diminuir os efeitos da pobreza entre crianças e jovens. A organização é focada em ações de educação integral e articulação comunitária. Com as instalações da organização obrigatoriamente vazias, as iniciativas de arte-educação, esporte, dança, costura, inclusão digital, iniciação profissional e formação humana seguem de maneira virtual e com materiais impressos de apoio. Falta de celular ou computador e conexão ruim de internet acabam fragilizando o trabalho, mas é neste momento que a Casa Pequeno Davi faz a diferença. 

Atuando há 35 anos, a instituição já formou cerca de 10 mil educandos moradores da região metropolitana da capital. Hoje acompanha diretamente 310 meninas e meninos, com idades entre 6 e 18 anos. De maneira indireta, inúmeros paraibanos são beneficiados pelas ações da Casa Pequeno Davi no incentivo ao cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com atenção especial para o combate ao trabalho infantil. 

Como a OSC está em uma comunidade próxima a um lixão desativado, a pedagoga Cláudia Maria Costa, atual coordenadora-geral, explica que no início era comum as crianças saírem das atividades na sede e irem ao lixão em busca de sustento para suas famílias. Foi a partir daí que começou a luta contra o trabalho precoce. “Fizemos um estudo para detectar os desafios da criança e do adolescente. O trabalho infantil estava lá, como uma pedra, que os impedia de crescer”, diz.

Revisões de conteúdos, WhatsApp e impressos
Para que a pandemia não se tornasse mais um agravante, a Casa Pequeno Davi correu contra o tempo procurando manter o vínculo com os educandos. O educador social Matheus Felipe Pereira, 21 anos, busca contornar as dificuldades para dar aula virtualmente. Um dos meios que usa são as revisões de conteúdos já ensinados em atividades presenciais. “Como meus alunos têm entre 6 e 10 anos de idade, dificultou um pouco porque eles não possuem redes sociais”, conta ele, responsável pelas oficinas de musicalização. Para evitar a evasão escolar de seus 41 alunos, a ajuda da família tem sido essencial. “Pedimos para que mandem fotos e vídeos dos alunos fazendo as atividades, abrimos um canal para dúvidas no WhatsApp”, explica.

Em 2019, a OSC foi uma das selecionadas pelo programa Missão em Foco, do Itaú Social, que visa estimular o desenvolvimento de organizações da sociedade civil com formações em gestão organizacional. “Isso nos ajudou a qualificar as ações, aplicar metodologias, comprar os equipamentos certos para desenvolver as atividades e garantir uma estratégia sólida visando o longo prazo”, explica Cláudia. Além do apoio do Missão em Foco, a Casa Pequeno Davi fez parte do grupo de organizações que já beneficiaram mais de 116 mil famílias a partir de doações feitas pelo Itaú Social neste ano.

O educador social Matheus Felipe Pereira: além das revisões de conteúdo, ajuda na força-tarefa para a entrega de kits de higiene básica. Foto: Lenilda de Souza/Casa Pequeno Davi/Divulgação

Copo cheio de esperança
Quando se fala em prevenção à Covid-19, logo vem à mente a importância da água e do sabão. Porém, como lavar as mãos quando o principal item está em falta? No bairro do Baixo Roger, o abastecimento de água é irregular e afeta até mesmo a sede da Casa Pequeno Davi. Além de ações de distribuição de alimentos e materiais de higiene pessoal durante o distanciamento social, a OSC criou uma campanha para doação e instalação de 100 caixas d’água na Comunidade do S, uma das mais vulneráveis na região do Baixo Roger.

A dona de casa Terezinha dos Santos: uma das beneficiadas com a instalação de caixas d’água na Comunidade do S. Foto: Lenilda de Souza/Casa Pequeno Davi/Divulgação

A dona de casa Maria da Guia dos Santos, 47 anos, foi uma das 30 beneficiadas da primeira etapa do projeto e diz que a caixa d’água chegou em uma boa hora. “Aqui em casa a água é muito fraca. De dia, não chega e tinha que ficar juntando no balde para tomar banho”. Maria tirava o sustento trabalhando com reciclagem, mas precisou parar depois que foi diagnosticada com leucemia. Um alento tem sido ver a filha Derilayne, de 9 anos, participando das atividades promovidas pela OSC. “Ela diz que não vê a hora de voltar pra Casa Pequeno Davi”, afirma. Tanto Derilayne quanto seus colegas são orientados a buscarem apostilas com tarefas semelhantes àquelas realizadas em sala de aula. Para os alunos que não moram próximo à sede, os voluntários vão até suas casas entregar o material. Além dos kits de higiene básica e um material didático explicativo sobre os riscos da Covid-19, as doações do Itaú Social proporcionaram um cartão alimentação para 208 famílias até o mês de dezembro. “É o que tem feito a diferença para enfrentarmos essa pandemia”, diz. 

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