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Polo de desenvolvimento educacional

(Boas) Contribuições do Prêmio Itaú-Unicef

No litoral norte da Paraíba, a 48 km de João Pessoa, fica Lucena. Uma cidade com quase 11 mil habitantes, segundo a mensuração feita em 2007 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É desse município que vem o projeto vencedor da 6ª edição do Prêmio Itaú-Unicef, realizada em 2005 pela Fundação Itaú Social e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A organização não-governamental (ONG) Associação de Apoio ao Trabalho Cultural, Histórico e Ambiental, conhecida como Apôitchá, conquistou o Prêmio com o projeto Rede Participativa.

O trabalho traz como principais estratégias de atuação oficinas de linguagem, que incluem leitura e escrita, música, teatro, artesanato e jornalismo, e de protagonismo juvenil com crianças e adolescentes. Segundo a coordenadora geral da instituição, Andrea Carrer Carvalho, a premiação foi um divisor de águas, pois a ONG ganhou visibilidade na cidade, no estado e até fora do País. “Atualmente, contamos com uma rede ampliada de parceiros e atendemos oito escolas a mais que no passado.”

Como Lucena é uma cidade litorânea, todos os anos a Apoitchá ficava sem endereço durante o verão. “O dono do imóvel pedia que saíssemos para alugar para turistas”, explica Andrea. Com os R$ 100 mil que a organização recebeu pelo primeiro lugar, construiu a própria sede.

Já a ONG Bem TV Educação e Comunicação, de Niterói (RJ), que também conquistou o Prêmio em nível nacional, em 2007, com o projeto Olho Vivo, preferiu aplicar em gestão. “Sempre envolvemos a comunidade e os jovens no planejamento, monitoramento e avaliação dos trabalhos”, afirma Olívia Bandeira de Melo, coordenadora do projeto. “Foi possível investir em um plano totalmente elaborado pelos jovens participantes, com a liberdade que não é, muitas vezes, concedida pelos financiadores.”

Para a coordenadora do Centro de Referência Integral de Adolescentes (Cria), Maria Eleonora Rabello, o reconhecimento nacional facilitou a aproximação de futuros financiadores de projetos. “A marca do Prêmio Itaú-Unicef abriu portas”, afirma. A ONG fica em Salvador (BA) e foi a grande vencedora da 7ª edição do Prêmio, em 2007, com o projeto Escola e Comunidade: Um diálogo necessário, que tem como foco o processo formativo dos participantes para se constituírem como dinamizadores culturais.

Além dos benefícios proporcionados pelos recursos destinados, há outras oportunidades de aprimoramento dos projetos. Uma delas é a formação. O processo começa na ficha de inscrição, quando as instituições respondem um questionário e descrevem suas atividades. “Esse foi um exercício muito rico, que obrigou a revisitar nossas produções”, conta Maria Eleonora, do Cria.

No ano seguinte à premiação, todas as ONGs inscritas são convidadas a participar de encontros de formação. “Eles têm o objetivo de ampliar o debate sobre educação integral e as práticas que as organizações sociais desenvolvem com crianças e adolescentes no contraturno escolar, além de estimular a formação de redes sociais”, explica Ana Beatriz Patrício, diretora da Fundação Itaú Social.

Sistematização de metodologias e avaliação são alguns dos temas abordados nesses eventos. “O conteúdo nos deu mais fundamentação para dialogar com financiadores ou mesmo com o poder público na hora de estabelecer parceria”, revela Andrea, da Apôitchá. Outro ponto positivo dos encontros é a troca de informações entre as instituições, o que possibilita pensar em novas perspectivas.