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Polo de desenvolvimento educacional

Avaliação e sistematização na pauta das ONGs

Dois representantes de cada uma das 53 organizações não-governamentais (ONGs) finalistas do Fundo Itaú Excelência Social (FIES) 2008, do Banco Itaú, se reuniram em um hotel, em São Paulo, há duas semanas. A diversidade de sotaques revelou a abrangência do Programa no território nacional. O que não variou foi o objetivo que envolve toda essa gente. Cada um em sua área de atuação e todos envolvidos em boas práticas sociais.

A iniciativa faz parte da formação prevista no Programa FIES de Investimento Social e tem como meta ajudar gestores de ONGs a tornar mais consistente as avaliações e sistematizações que realizam sobre seus próprios projetos. Na edição passada (2007), participaram da formação apenas as 20 organizações selecionadas para receber o apoio financeiro. Mas esse não é o único sinal de crescimento. Desde 2004, os valores investidos em programas sociais cresceram 98% e já beneficiaram 33 instituições de todo o País.

O processo seletivo dos programas a serem apoiados aconteceu em 2008, com aporte total de R$ 5,4 milhões para beneficiar 25 ONGs que trabalham com educação. Elas receberão entre R$ 145 mil e R$ 250 mil durante o ano de 2009. O restante do dinheiro destina-se a suporte técnico, monitoramento e formação dos gestores.

Dias de aprendizado

Na abertura da oficina de formação, que durou dois dias, as ONGs participantes foram divididas por suas categorias de atuação: Educação Infantil, Educação Ambiental e Educação para o Trabalho. Todos os representantes tiveram de apresentar para o grupo o trabalho da instituição em que atuam e contar um pouco sobre o programa que inscreveram no processo seletivo do FIES. Para isso, tiveram apenas três minutos. “Esse exercício visa o poder de síntese”, justifica Vera Madeira, formadora do Ficas, organização sem fins lucrativos que realiza a consultoria do Programa.

Depois, a turma conversou sobre as diferenças entre objetivos gerais e específicos, pistas e indicadores, esses dois últimos classificados como bases para a construção de instrumentos de investigação. Na sequência, receberam explicação sobre os tipos de avaliação (em processo, de resultado e de impacto) e sobre os instrumentos de coleta de informações (observação direta, questionário, entrevista e grupo focal). “É importante registrar dados, fatos, impressões e processos desde a implantação dos programas”, afirma Márcia Quintino, coordenadora de projetos da Fundação Itaú Social. “Sem isso, não é possível sistematizar aprendizados, monitorar avanços e medir resultados.”

O grupo assistiu a uma apresentação do livro Zoom, que revela que é necessário ver o todo, sem descuidar dos detalhes. Após a parada para um lanche, todos se organizaram em subgrupos para uma atividade prática. A tarefa era criar questões para um instrumento de avaliação. Cybelle Cristina Pereira, auxiliar de projetos sociais do Centro Comunitário Franco Rossetti, em Pedro Canário (ES), aprovou o aprendizado. “Vou voltar para o Centro com as ferramentas de que precisava para avaliar melhor nossos trabalhos”, revela.

Momentos de trocas

Dias 15 (domingo) e 16 (segunda) de março foram de muito trabalho, em que os representantes aprenderam a construir instrumentos de monitoramento e avaliação. “As discussões foram ricas”, aponta Andréia Saul, diretora executiva do Ficas. “Ficou claro para os participantes que coerência é o item mais importante.” Essa foi a segunda oficina do Programa e uma oportunidade de fortalecer os conteúdos do primeiro encontro, que aconteceu na mesma data em que todas as 53 ONGs receberam a visita técnica, durante o processo seletivo.

Outro ganho do evento foi a troca de experiências entre as instituições. “Aqui, realmente, existe espaço para isso”, pontua Janaína Alcântara, coordenadora do projeto Pequenas Luzes da Lua, da Associação de Formação e Reeducação Lua Nova, em Araçoiaba da Serra (SP). “Já participei de outras formações em que a programação não dava brecha para conhecer a ação dos outros participantes.”

Para finalizar as atividades, todas as categorias se reuniram e puderam compartilhar seus registros. Na parte da tarde, no segundo dia, as 25 ONGs que receberão o investimento financeiro se reuniram para orientação sobre o cronograma de repasses, entrega de relatórios e ações de apoio técnico. À noite, os envolvidos se reuniram no Itaú Cultural, em São Paulo, para um evento de homenagem a todos os finalistas, que se destacaram entre os 1.139 programas inscritos em 2008.