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Autonomia e flexibilidade

Organizações fomentadas pelo programa Missão em Foco priorizam o uso dos recursos com autonomia e responsabilidade


Entre os vários exemplos do uso flexível de recurso do programa Missão em Foco está uma capacitação presencial de uma equipe do CPCD em fevereiro de 2020, aqui no registro de uma atividade lúdica em grupo: uma semana de formação em cada um dos polos da organização. Foto: CPCD

Por Maggi Krause, Rede Galápagos, São Paulo

‘Tire o seu RACISMO do caminho que eu quero passar com a minha COR.’ A frase com palavras destacadas estampa uma camiseta preta criada pela Casa Pequeno Davi, organização da sociedade civil que realiza atividades educacionais, artísticas, culturais e esportivas na Região Metropolitana de João Pessoa, na Paraíba. “Sempre tivemos loja física, que está sendo reestruturada, mas por causa da pandemia apostamos na venda on-line. As mensagens nos produtos têm a ver com a nossa missão, que é efetivar os direitos humanos, em especial de crianças e adolescentes em vulnerabilidade social”, conta a pedagoga Cláudia Costa, coordenadora-geral da OSC. A Casa Pequeno Davi acaba de finalizar uma reforma que adaptou a sede para acessibilidade e montou um polo audiovisual. 

“Antes do Missão em Foco, do qual participamos desde 2019, vínhamos correndo em outra dinâmica, de captar recursos e executar projetos. O programa nos fez parar para pensar em planejamento estratégico, desenvolvimento institucional e nas nossas necessidades”, diz Cláudia. Entre elas, a abertura de uma rádio e do estúdio para a comunidade — que, além de servir aos projetos de educomunicação com os adolescentes, vai cobrar por serviços de gravação a terceiros, garantindo seu custeio. A OSC também iniciou uma formação em habilidades socioemocionais para a equipe. Tudo isso foi possível graças ao repasse de recursos flexíveis pelo Itaú Social, para uso de acordo com as prioridades definidas pela participante.  

Visão estratégica
Helena Gomes, da consultoria Lemniscata, acompanha a Casa Pequeno Davi e outras três organizações no Missão em Foco. Ela explica que esse modelo de investimento na sociedade civil é inovador, pois permite que a OSC avalie como vai usar o recurso no seu próprio desenvolvimento. “A premissa da confiança está dentro do conceito… e alguns até demoram a entender que podem investir como querem, pois geralmente esse dinheiro vem atrelado a muitas rubricas, requisitos e prestações de contas”, diz Helena. 

Algumas organizações colocam recursos em um fundo patrimonial, que pode ser acionado em questões emergenciais; outras investem em infraestrutura para aprimorar e ampliar seus espaços acolhendo melhor os participantes, a comunidade e a equipe, como foi o caso da reforma na Casa Pequeno Davi.

O estúdio que integra o polo audiovisual na sede da Casa Pequeno Davi é resultado do uso do recurso flexível: além de sediar a rádio própria, vai prestar serviços de gravação, trazendo renda extra para a OSC. Foto: Casa Pequeno Davi

No cenário de pandemia, em 2020 houve quem usasse para pagar funcionários e garantir a manutenção das ações; outros aproveitaram para custear encontros e formações. “Os gestores têm visão estratégica e miram direitinho onde sabem que não vão conseguir recursos de outro lugar; é uma oportunidade única para garantir a sustentabilidade institucional”, observa Helena. Um seminário presencial de uma semana para resgatar práticas e metodologias nos três locais de atuação do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD) no interior de Minas Gerais, em São Paulo e no Maranhão só se realizou graças ao recurso do programa. “Foi muito importante para a capacitação das equipes, e um mês depois veio a pandemia”, conta Flávia Mota, diretora administrativa do CPCD. 

Planejar a sustentabilidade
Durante o ano, o CPCD usou o recurso flexível para pagar o que chama de contas de escritório (água, luz, telefone, internet e até salários do pessoal de apoio), o tipo de despesa que não pode ser incorporado nos projetos, mas é essencial para manter as ações de campo. “Pensando no futuro e no legado do CPCD e em sua permanência, estamos criando um fundo patrimonial, que também será comunitário, apoiando outras organizações e suas causas. A lei para isso é muito nova, mas logo estaremos com o estatuto em mãos, e a ideia é começar a buscar apoiadores para esse fundo agora em fevereiro”, diz Flávia. A OSC, fundada pelo educador Tião Rocha, hoje atua em 13 cidades de três estados e atende diretamente cerca de 15 mil pessoas. Planejar a sustentabilidade para o futuro é parte das reflexões motivadas pelo Missão em Foco e impulsiona o caminho que a OSC escolheu trilhar: tornar-se uma referência regional e nacional na construção de Cidades Educativas e implementação de Cidades Sustentáveis. 

‘Meu bairro, minha história conto eu’ é um dos projetos em andamento com foco no protagonismo e participação de adolescentes: suas atividades de educomunicação se beneficiam do novo estúdio e de equipamentos para produção audiovisual. Imagem: Casa Pequeno Davi

O acompanhamento da consultoria gera cumplicidade, dá vontade de partilhar vulnerabilidades, dificuldades, erros, acertos… “O recurso flexível exige mais responsabilidade, mas estabelece uma relação de parceria, não de patrocinador e patrocinado. É um sinal de que eles confiam no nosso trabalho e nas decisões criteriosas que tomamos. Flávia elogia a iniciativa e espera que outros patrocinadores também passem em breve a pensar dessa forma. “Acho que o grande trabalho do Missão em Foco é o de reflexão institucional”, diz a consultora Helena. “Isso obriga a pensar estrategicamente para ter o recurso na mão e leva os integrantes das OSCs a perceberem que, dependendo das decisões tomadas, os avanços serão muito diferentes.” 

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