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Artigo | Avaliar é garantir impacto ao campo social

Não é possível gerar impacto, atingir escala e sistematizar conhecimento do investimento social sem dedicar recursos e trabalho constante à avaliação


Por Angela Dannemann*

Quero iniciar esta reflexão reconhecendo o poder transformador da produção de conhecimento – seja na área da saúde, das exatas ou de humanas. É preciso, especialmente em um cenário de tanta desinformação, celebrar a relevância da pesquisa, do monitoramento e da avaliação. E isso também vale para nós, do campo social. 

Não é possível gerar impacto, atingir escala e sistematizar conhecimento do investimento social sem dedicar recursos e trabalho constante à avaliação. Os métodos de coleta e análise de informações sobre projetos do poder público e programas sociais ajudam a apoiar decisões em contextos cada vez mais complexos. 

O acompanhamento dos resultados de programas e projetos exige monitoramento contínuo e avaliações quantitativas e qualitativas bem desenhadas. E, ainda bem, temos observado o fortalecimento do campo da avaliação no ecossistema do Investimento Social Privado, bem como nas organizações da sociedade civil nos últimos anos. A evolução da área da avaliação tem nos oferecido uma diversidade de metodologias que tem produzido um entendimento maior sobre o impacto das ações, além de desenvolver pensamento crítico sobre o trabalho e auxiliar no entendimento do que já foi alcançado, e dos erros e acertos do processo. 

O Brasil é globalmente reconhecido pela produção de conhecimento a partir de pesquisas, em especial sobre questões sociais, econômicas, educacionais, de saúde, nutricionais, de gênero e de raça. Além das grandes instituições da esfera pública como o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) e a Fiocruz, para citar apenas duas, existe hoje um investimento significativo de outras organizações, inclusive de institutos, fundações e organizações da sociedade civil no campo do conhecimento. Não é hora de retroceder, mas sim de ampliar esse trabalho.

Alguns princípios devem nortear a avaliação, transcendendo o caráter apenas técnico. São eles: 1) o uso efetivo dos resultados para aprimorar a gestão; 2) métodos como meio e não como fim, essencialmente adequados às necessidades emergentes dos variados cenários; 3) visão sistêmica, com atenção ao ciclo de vida dos programas e políticas; 4) participação efetiva de todos os atores envolvidos e 5) transparência e comunicação dos resultados como forma de gerar mudança.

Diante das iniquidades históricas do contexto brasileiro – especialmente em relação a questões sociais, econômicas e de gênero e raça – onde organizações da sociedade civil têm firme propósito de reduzir essas desigualdades, está mais do que em tempo da avaliação desempenhar seu importante papel de contribuir para uma sociedade com maior equidade.

A especialista americana Jara Dean-Coffey detalha a importância de aprofundar e melhorar as práticas avaliativas com equidade na pesquisa Raising the Bar: Cultural Competence and Equity – Equitable Evaluation, trabalho que deu origem ao projeto Equitable Evaluation, realizado em parceria com o Center for Evaluation Innovation e com o Johnson Center for Philanthropy. A experiência dos Estados Unidos no progresso de práticas avaliativas com equidade em organizações do terceiro setor em diálogo com o contexto brasileiro, apresentada pela pesquisadora durante o 15º Seminário Internacional de Avaliação, em setembro, demonstrou como parcerias com fundações e organizações sem fins lucrativos de diversos portes em um país de dimensões continentais contribuem para aprofundar o conhecimento a respeito da relação entre valores, contextos, estratégias e avaliação.

A avaliação é fundamental para a garantia das transformações sociais com equidade. No fim da linha, significa uma atuação com foco em resultados: garantia de direitos básicos como dar a todas as crianças acesso à educação de qualidade, saúde para todos e todas, trabalho digno e conservação ambiental. Avaliar é gerar conhecimento e caminhar com mais segurança no sentido de um mundo melhor. 

*Angela Dannemann é superintendente do Itaú Social