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Aprendizado para continuar a jornada

Professor conta como o conteúdo de curso sobre BNCC para educação infantil abriu seu horizonte na busca de construção do conhecimento


Marçal Nunes dos Santos é educador físico em dois colégios, em Guarulhos (SP): “A educação infantil não é uma decoreba, é uma construção do conhecimento”. Foto: Arquivo pessoal

Por Alexandre Raith, Rede Galápagos, São Paulo
Depoimento de Marçal Nunes dos Santos, professor nos colégios Poeta Manuel Bandeira e Futurum, em Guarulhos (SP)

Sempre fui muito bom no esporte. No colégio, jogava futebol de salão. Na época, meus colegas mandavam bilhetinhos para que os escolhesse para o meu time. Escolhia todos eles. Percebi que uma equipe pode ter ótimos jogadores, mas, se eles não se entrosarem, serão apenas bons jogadores. Os meus amigos não conseguiam ter o mesmo desempenho que eu, mas eram tão eficientes em passar a bola e fazer a marcação que ganhávamos muitas partidas. Não éramos os melhores, mas o que importava era o coletivo. Assim como na escola, se tiver união, a intenção de fazer em conjunto, o projeto funciona. 

É exatamente essa ideia de conjunto e da importância de uma observação atenta de cada elemento do grupo que me chamou a atenção no curso sobre a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) para educação infantil que fiz no Polo, a plataforma de formação do Itaú Social, sobre a qual falarei mais adiante. É um curso on-line autoformativo, com 20 horas de duração, que traz uma visão atual sobre a infância, nos ajuda a entender como as crianças aprendem e destaca o papel do professor como um parceiro de descobertas e aprendizagens.

Minha relação com a educação começou, digamos, tarde. Iniciei o curso de educação física aos 28 anos. Como um amante do esporte, me tornei jogador de vôlei, mas encerrei a carreira precocemente. Antes de me formar aprendi muito no programa Escola da Família, uma iniciativa de inclusão da rede estadual de ensino de São Paulo que na época proporcionava a abertura de escolas aos finais de semana. Aqui em Guarulhos, onde dou aula há 12 anos, também participei de iniciativas de inclusão. Foi a minha referência de formação, pois o programa era voltado para a diversidade. Tenho uma filha com síndrome de Down. Então, sempre me pergunto: “Quem vai orientá-la na escola?”. Esse viés é importante para mim. Nesse projeto, orientamos atividades de educação física e exercícios de coordenação motora. O esporte é uma ferramenta que torna possível favorecer a inclusão. Ao final da faculdade ingressei de vez em uma escola e abracei a profissão de educador. Foi o que escolhi e deu certo. Hoje, estou encantado. É desafiador, mas muito prazeroso.

Professor Marçal com os alunos: “Nosso papel é contribuir para que crianças e adolescentes possam se desenvolver por meio da educação”. Foto: Arquivo pessoal

Nosso papel é contribuir para que crianças e adolescentes possam se desenvolver por meio da educação. É preciso enxergar para além do uniforme e ver o ser humano que há por trás dele. Como educador físico, entendo que o corpo se expressa. Você pode não falar com as palavras, mas o corpo fala. Quando o aluno está triste, chateado, chega à escola chorando ou está bravo atacando outro colega, é um indício de que algo não está legal. O professor deve estar atento para perceber os sinais e trabalhar as dificuldades dos alunos.

Na escola, encontramos crianças e jovens em fase de transformação, o que já é um desafio em si. Neste momento, a própria educação vive um momento de profundas mudanças. Esses dois aspectos estão no foco do curso Experiência e Protagonismo: a BNCC na Educação Infantil, disponível no Polo. O conteúdo me ajudou nesse processo, resgatou a parte teórica e me acrescentou o principal: uma base de educação infantil que é muito difícil de aprender em aula. Acredito que ampliamos as ferramentas conforme mais nos aproximamos da nossa área de conhecimento e das diferentes formas de olhar para o trabalho. As brincadeiras e cantigas de roda, por exemplo, têm de ser direcionadas e induzidas ao conhecimento. Até porque o aluno traz uma bagagem rica da sua casa, da formação daquela família. Cada criança e cada turma têm a sua singularidade. Elas são de mundos, realidades e processos distintos, e o professor precisa favorecer a expressão de cada uma no conjunto, como nos times vencedores do qual falei no início deste texto. 

Depois que terminei o curso, reforcei a ideia de que devemos respeitar cada vez mais as crianças e as leis que foram criadas para elas. Isso significa fazer um planejamento adequado, abordar todos os temas referentes a cada faixa etária. A educação infantil não é uma decoreba, é uma construção do conhecimento. Ele me abriu o horizonte e me deu mais segurança para continuar a jornada.

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