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“Tenho 31 anos de profissão, mas não paro de estudar. Eu me inscrevi no curso Redes de proteção para aprender mais durante a pandemia.”


Chamada virtual para uma das lives com participação de Neide: temas dos encontros foram os serviços especializados da rede de atendimento à mulher em situação de violência e os mecanismos de denúncia. Imagem: Facebook da Prefeitura de Guamaré

Depoimento de Neide Pereira, gerente da vigilância socioassistencial do município de Guamaré, Rio Grande do Norte, e cursista do Polo
Por Maggi Krause, Rede Galápagos, São Paulo

Trabalho há dez anos na Secretaria de Assistência Social do município de Guamaré, uma cidade pacata de 15 mil habitantes no litoral do Rio Grande do Norte. Durante a pandemia, um dos desafios da vigilância foi levantar e analisar indicadores para atender quem está em isolamento social e em precariedade de renda. Em abril, mapeamos os idosos que moram sozinhos e as pessoas com deficiência, levantamos o perfil também dos outros atendidos, com nome, endereço, programa em que está inscrito e auxílios que recebe. Em uma situação de crise como esta, trabalhamos nos três turnos para dar conta. Temos de motivar as equipes, analisar dados e dar respostas ao gestor. É bem movimentado, mas eu gosto.

Não paro de estudar e de aprender, mesmo após 31 anos de profissão. Por isso, quando vi a oportunidade logo me inscrevi nos cursos Redes de proteção oferecidos pelo Polo, ambiente de formação do Itaú Social. Eles abordam os impactos do isolamento e o planejamento de ações para manutenção da convivência social durante a pandemia. E, nesse contexto, sugerem estratégias para ampliar a atuação com crianças, adolescentes e famílias. Adorei os vídeos explicativos das professoras Stela e Abigail. Pelo que falaram sobre a temática da convivência, estamos no caminho certo, buscando mais intersetorialidade para melhorar os serviços em Guamaré. Eu queria somar ideias e conhecimento para aprimorar o trabalho e fiquei muito impactada com as ações descritas. Passei vídeos do curso para mostrar às assistentes sociais a relevância dos serviços, ainda mais durante esse período – tomando todos os cuidados e usando os equipamentos de proteção, é claro. 

No curso “Convivência: planejamento de ações”, assim que a professora apresentou o mapeamento da vulnerabilidade nos territórios, logo pensei: vou fazer isso! Desenhei o mapa e vi onde estão concentradas as violações de direito na cidade. O mapa serve para orientar as equipes no atendimento a essas famílias. Temos 23 comunidades em zona rural. Mapeamos as áreas onde acontecem mais casos de abandono de idosos, negligência com crianças e violência contra a mulheres e crianças. Fizemos campanhas on-line. Mas como uma das maiores dificuldades daqui é a internet, nossa preocupação foi chegar aos que não têm acesso. A estratégia foi pegar carona nos cadernos de atividades da Secretaria de Educação distribuídos aos estudantes e inserir orientações sobre violência doméstica, gravidez na adolescência e aceitação da diversidade.

Queremos reforçar esse tipo de iniciativa intersetorial. Depois de completar as aulas sobre redes de proteção, criei um fluxo de troca de informações entre o Conselho Tutelar, o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), o CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) e o serviço de aconselhamento jurídico.

A violência contra a mulher foi tema da campanha on-line: também distribuída por meio de mensagens da assistência social impressas nos cadernos escolares entregues pela Secretaria de Educação. Imagem: Facebook da Prefeitura de Guamaré

Assim, quando um deles identifica conflito por conta de pensão alimentícia ou por guarda compartilhada, por exemplo, encaminha rápido a questão. Para atender a população, temos uma segunda unidade do CRAS junto de quatro assentamentos de reforma agrária, dois restaurantes populares e uma série de serviços e benefícios. As famílias de baixa renda têm direito a aluguel social e a um cartão com 120 reais para gêneros alimentícios. Damos assistência e enxoval de bebê para as gestantes, temos veículos que levam para a perícia no INSS ou para as comarcas da justiça em municípios próximos.

Neide: “Se nascesse de novo, eu escolheria ser assistente social outra vez.”

A situação econômica de Guamaré já estava frágil antes da pandemia. A presença da Petrobrás impulsionava a economia local, mas a empresa saiu da região há 2 anos. Hoje, quase 2.000 pessoas recebem benefícios dos programas Bolsa Família e Renda Cidadã.

Por conta disso, a Secretaria da Assistência Social criou a Casa da Cidadania, que ajuda a montar os currículos, tira carteira profissional e de identidade, encaminha para o mercado. O município oferece cursos profissionalizantes e forma mão de obra qualificada. No dia a dia do acompanhamento, minha maior alegria é ver uma família superar suas vulnerabilidades. Se nascesse de novo, eu escolheria ser assistente social outra vez.

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