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Polo de desenvolvimento educacional

Alunos e professores aprimoram seus conhecimentos em oficinas

A premiação nacional da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro aconteceu em 29 de novembro, no Museu Nacional de Brasília, onde foram anunciados os 20 vencedores, professores e alunos, da edição 2010. O presidente Lula e o ministro da Educação, Fernando Haddad, marcaram presença na cerimônia que reuniu mais de 700 pessoas, entre pais, alunos, professores e diretores de escolas. Seguiram para a etapa final 152 alunos e professores de todo o país que já haviam passado por quatro etapas de seleção (escolar, municipal, estadual e regional). Antes de desembarcarem em Brasília, estes alunos e professores, ainda na condição de semifinalistas, estiveram nas premiações regionais que ocorreram nas cidades de Curitiba, Fortaleza, Belo Horizonte e São Paulo, ao longo do mês de novembro.

No total, foram 500 semifinalistas selecionados nos quatro gêneros textuais – poema, crônica, memórias literárias e artigo de opinião – que participaram de oficinas com o objetivo de aprimorar seus conhecimentos e aperfeiçoar suas produções textuais e práticas pedagógicas, no caso dos professores. Na capital paranaense, Curitiba, entre os dias 3 e 5, concentraram-se os estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental e do 1º ano do Ensino Médio, que produziram crônicas. Em Fortaleza, reuniram- se os alunos do 5º e 6º anos do Ensino Fundamental, entre os dias 9 e 11. Já em Belo Horizonte, entre os dias 10 e 12, reuniram-se os estudantes do 7º e 8º anos do Ensino Fundamental que produziram textos de memórias literárias. Por fim, em São Paulo, entre os dias 16 e 18, estiveram presentes os alunos do 2º e 3º anos do Ensino Médio que produziram artigos de opinião.

Confira nas matérias a seguir os principais momentos de cada uma das premiações regionais.

Curitiba                Fortaleza               Belo Horizonte               São Paulo

Semifinalistas no gênero crônica reuniram-se em Curitiba

Encontro com o fotógrafo Cristiano Mascaro foi destaque

A capital paranaense, Curitiba, foi escolhida para receber os 125 estudantes e professores semifinalistas que concorreram com o gênero textual crônica na edição 2010 da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro. Entre os dias 3 e 5 de novembro foram desenvolvidas oficinas, por meio das quais os alunos tiveram a oportunidade de aprimorar as técnicas de escrita e reescrever o texto original e os professores de aprofundar conhecimentos e trocar experiências com profissionais de todo o país.

Um dos momentos mais marcantes foi o encontro entre os estudantes e o renomado fotógrafo brasileiro Cristiano Mascaro, no primeiro dia das oficinas. Mascaro comparou o ofício do fotógrafo com o do cronista, apresentou seu trabalho e deu dicas aos alunos. Para a estudante do 9º ano do Ensino Fundamental Ana Maria Cedraz, 14, de Conceição do Coité (BA), uma das finalistas da Olimpíada, o encontro ajudou a compreender a importância de valorizar os pequenos detalhes do cotidiano, fator fundamental para um cronista. “Eu me identifiquei muito com a o trabalho dele, com sua forma de pensar. Vou guardar para sempre tudo o que ele falou: fotografar a partir do que você acredita, do que você sente. O meu olhar é único e isso eu levo para as minhas crônicas”, disse.

No dia seguinte ao bate-papo com Mascaro, os estudantes receberam máquinas fotográficas com a missão de registrar diferentes momentos durante o passeio cultural pela cidade que incluiu no roteiro a Ópera de Arame, a Pedreira Paulo Leminski e o Jardim Botânico. Após uma seleção realizada pelos próprios alunos, as fotografias () foram impressas e expostas em murais. A partir delas, os jovens produziram novas crônicas. A estudante de Cordeirópolis (SP) Bárbara Maria Carneiro da Silva, também finalista da edição 2010, escolheu a foto de um senhor que trabalha como porteiro na Ópera de Arame para escrever a crônica “O filho da pátria”. O título do texto foi sugerido pelo próprio personagem, cuja história serviu de inspiração para a jovem. “Quando tirei aquela foto já sabia sobre o que escreveria. A história de vida dele e a forma como superou as dificuldades e construiu uma família me impressionaram muito. Gosto de contar histórias de pessoas simples porque acho que elas merecem ser ouvidas. Escrevi a crônica assim que voltei ao hotel, nem consegui esperar o dia seguinte”, conta.

Se por um lado as experiências vivenciadas pelos alunos foram marcantes, os relatos dos professores não deixam dúvidas de que para eles as oficinas também renderam bons frutos e de que voltaram para casa com a bagagem recheada de novas propostas. Autor do livro de crônicas “A riqueza do detalhe”, o professor José Moacir Forte Saraiva, de Valença (BA), um dos vencedores de 2010, embora tenha bastante intimidade com o gênero, é categórico ao afirmar que a experiência foi enriquecedora do ponto de vista pedagógico. “Saio daqui com novas visões sobre o ensino da língua portuguesa. Creio que a simplicidade da abordagem dos formadores foi muito adequada ao universo tão diverso de educadores que se encontraram na semifinal”.

Os professores Ladmires Carvalho, de Natal (RN), Maria Aparecida Pontes, de Jaçanã (RN), Valda Panizzi, de Barra do Piraí (RJ), Sandra Maria Pereira de Aparecida, de Goiânia (GO), e Crislane Marques de Oliveira, de Logradouro (PA), registraram no texto A crônica e o cronista, produzido por eles durante as oficinas, o aprendizado adquirido nos três dias de formação. Em um dos trechos, a professora Valda conta que não conhecia a riqueza da crônica até participar da Olimpíada e afirma: “Hoje, vejo meu mundo com um olhar mais crítico, mais reflexivo e mais observador. Saio daqui com minha maleta cheia de informações que vão se multiplicar a cada aluno que passar por minhas mãos”. A professora Sandra Maria complementa o relato da colega e, em outro trecho extraído do texto, diz que nunca imaginou aprender tanto, em tão pouco tempo. “Volto para casa com a mala recheada de ideias e disposição para aguçar ainda mais o olho reflexivo de meus alunos para descobrir o que dá crônica”.

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Os aprendizes de poetas reuniram-se em Fortaleza

125 semifinalistas, alunos e professores, participaram de três dias de oficinas

Os 125 alunos do 5º e 6º anos do Ensino Fundamental e seus respectivos professores semifinalistas na categoria poema reuniram-se em Fortaleza, entre os dias 9 e 11 de novembro, para a premiação regional da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro. Foram três dias de oficinas com atividades voltadas para o aprimoramento dos conhecimentos e das técnicas de escrita. Os estudantes participaram de atividades lúdicas como a montagem de um móbile poético a partir de versos escritos por eles e da confecção de um dicionário poético. No segundo dia de oficinas, os alunos responderam aos cartões postais enviados por funcionários voluntários do banco Itaú. Já os professores estiveram focados no aprofundamento dos conhecimentos sobre o gênero e nas possibilidades para desenvolver um bom trabalho em sala de aula.

A educadora Ana Elvira Luciano Gebara, que atuou como palestrante em Fortaleza, leu todos os poemas classificados para a semifinal e destacou a preferência dos alunos por textos que exaltam as belezas dos lugares onde vivem. “Nesta edição da Olimpíada, observamos alguns pontos em comum, como a questão religiosa e os poemas de louvor à terra. No entanto, é possível observar estilos bem diferenciados, de acordo com a região do país. Os estudantes do Sul, por exemplo, fazem bastante uso de regionalismos; os poemas do Sudeste costumam apresentar estrutura mais condensada; no Nordeste, as características da literatura oral aparecem de forma bem marcante”, pontua.

Parte desta preferência é explicada pelo tema da Olimpíada, O lugar onde vivo, que estimula o aluno a interagir com a comunidade e a valorizar a cultura local. Além disso, o tema também instiga os estudantes a analisarem a realidade e a desenvolverem uma percepção crítica. Ianne dos Santos Aranha, de Xinguara (PA), 10, falou em seu poema sobre os conflitos que envolvem a luta por terras em seu município. A aluna escolheu entrevistar Frei Henry Burin des Roziers, advogado da Comissão Pastoral da Terra, que atua fortemente no combate ao trabalho escravo e injustiças cometidas por latifundiários da região. Em um dos trechos do poema, Ianne diz: Em Xinguara mora Frei Henry/Que veio pelo pobre lutar/Mas não se sabe até quando sua vida irá durar/Frei Henry tem muito valor para muitos da região/Mas para os grandes fazendeiros sua vida não vale um tostão. “Frei Henry é uma pessoa muito boa que defende os trabalhadores sem-terra. Nós conversamos muitas vezes e ele me explicou como é o trabalho dele na Pastoral. Achei que precisava falar sobre ele no poema”, conta.

A professora Maria Lucimara de Sousa Silva foi quem mencionou o trabalho de Frei Henry aos seus alunos durante as oficinas em sala de aula. “Para ajudá-los a desenvolver os poemas, tendo como diretriz o tema da Olimpíada, compartilhei informações sobre pontos interessantes a serem explorados na cidade e também sugeri algumas pessoas que pudessem inspirá-los”, disse. A professora emocionou-se com o sarau promovido pelos alunos ao final do terceiro dia de oficinas, que culminou com a entrega de um CD que reúne trechos de todos os poemas selecionados para a semifinal. “Este é o momento em que reafirmo meu compromisso como educadora”, ressaltou.

A descoberta da poesia

Para muitos alunos participar da Olimpíada possibilitou uma série de descobertas, inclusive a escrita da primeira poesia. Josiel Salvador de Lima Silva, 11, de Bacabaú (MA), conta que reescreveu muitas vezes o poema selecionado para a semifinal e para ele “o mais difícil foi encontrar as rimas certas”. O garoto que arriscou as primeiras estrofes há poucos meses define o poema como sendo “a arte de escrever versos” e diz que poesia “é aquilo que desperta o sentimento belo”. Já para o estudante Zilberto Luiz Costa Silva, de Paulo Afonso (BA), o poema é “uma representação do que o escritor deseja dizer” e, por isso, o leitor tem de estar muito atento. “Para compreender o que o poeta quis dizer é preciso ler e reler muitas vezes”, opina.

Ambos, além de serem poetas iniciantes, têm em comum o fato de terem escolhido falar sobre rios importantes de suas cidades em seus poemas. Em Ilha de encanto, rio de beleza, Zilberto diz: Manancial de Paulo Afonso/Fonte inesgotável que não para/Vai embora, vai para o céu/ Mas nas nuvens ela não para/ Regressando ao velho Chico em uma chuva fina e rara. Josiel escolheu falar sobre a poluição que afeta o rio Mearin no poema O rio da minha cidade. Em um dos trechos, ele escreve: O rio da minha cidade é o rio Mearin/ Já teve fartura de peixe com o famoso surubim/ Hoje o pescador diz que a coisa está ruim.

Se para alguns escrever poemas é novidade, para outros a prática já é parte da rotina há algum tempo. Este é o caso de Guilherme Resende Ferreira, 10, um dos finalistas da Olimpíada 2010. O menino de Niquelândia (GO) escreveu seu primeiro poema aos sete anos. “Foi minha mãe quem me disse que eu havia escrito um poema quando mostrei a ela”. Guilherme conta que gosta de escrever poemas a partir de histórias que lê em gibis e livros de literatura. “Tenho paixão por livros e amo fazer poemas. Eu penso em ser escritor ou talvez pediatra”, dispara o goiano.

A estudante Ana Carolina Porto de Oliveira, de Paty do Alfares (RJ), conta que escreve desde pequenininha. Ana começou a escrever em Casimiro de Abreu, onde morou com a família durante alguns anos. Na cidade, que é famosa por ser um reduto de poetas, ela ganhou alguns concursos locais. “Eu tenho um caderno de poemas que costumo mostrar para as pessoas. Para mim, escrever é dizer o que estou sentindo. Não escrevo para agradar os outros, mas porque me faz bem”. Por conta da participação na Olimpíada, o pai de Ana decidiu revelar a ela os poemas que escreveu na juventude. “São muito bonitos os poemas dele. É muito legal saber que tem mais alguém da minha família, além de mim, que escreve, isso me inspira”, conta a menina que foi finalista com o poema Cidade Carinho.

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Semifinalistas de memórias literárias reuniram-se em BH

Participação do músico Fernando Brant foi destaque

Entre os dias 10 e 12 de novembro, 125 alunos do 7º e 8º anos do Ensino Fundamental e seus respectivos professores semifinalistas da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro no gênero memórias literárias reuniram-se em Belo Horizonte, onde participaram da premiação regional. Foram três dias intensos de oficinas voltados para o aprofundamento dos conhecimentos e das técnicas de escrita.

Para a professora Ângela Maria Jung Silvestrin, de Farroupilha (RS), a experiência da Olimpíada foi “a mais gratificante e intensa em 36 anos como educadora”. Em sua opinião, o programa aponta um caminho para que haja de fato uma mudança na educação do país. “A participação de meus alunos foi 100%. Posso garantir que todos eles melhoraram suas produções textuais”, afirmou. Ela conta que o tema da Olimpíada, O lugar onde vivo, estimulou o envolvimento com a comunidade. Os alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Ângelo Chiele, onde Ângela leciona, produziram os textos de memórias a partir de entrevistas coletivas com moradores antigos da comunidade e com suas próprias famílias. “Nós tivemos o cuidado de valorizar a produção de todos os alunos. Por isso, editamos quatro livros que reúnem todos os textos. Uma cópia foi entregue aos entrevistados e outra permanece no acervo da biblioteca da escola”.

A valorização da cultura local é percebida também entre os alunos, conforme relata Wanderley Williams Santos Silva, 12, de Malhador (SE), que foi finalista desta edição. Em seu texto, Acorda, vem ver!, ele narra a história de um ritual criado há 45 anos por João Piloto, na ocasião do nascimento de seu primeiro filho. A narrativa é criada sob o ponto de vista de João Paulo dos Santos, um dos filhos do lendário João Piloto. Para recriar as histórias, o menino entrevistou mais de 50 pessoas da comunidade. “A Olimpíada despertou meu interesse pela cultura. Hoje, eu respeito muito as histórias de Malhador e me preocupo com as memórias de minha cidade”, diz.

Uma das finalistas da edição 2010, a professora Julieta Maria Cartelli Simon, de Santa Maria do Oeste (PR), observa que os alunos passaram a valorizar mais as pessoas idosas. “Por conta da proposta da Olimpíada para a construção dos textos de memórias, que pressupõe a reconstrução de aspectos da história da comunidade a partir de entrevistas com antigos moradores, os alunos compreenderam que as histórias das pessoas mais velhas fazem parte de suas próprias histórias. Eles reconheceram que não é só nos livros que adquirimos conhecimento”, pontuou.

Um exemplo de superação

Entre os 125 semifinalistas no gênero memórias literárias, uma dupla de Crato (CE), a aluna Rosilda Araújo de Sousa, 30, que cursa o 8º ano do Ensino Fundamental, e a professora Joana Dárc Nóbrega Lemos, chamou a atenção. Rosilda é deficiente visual e com muita dedicação e perseverança teve seu texto Cem anos de Rosas selecionado para a semifinal. O texto foi escrito a partir de uma série de entrevistas com Rosa Maria da Conceição, que aos cem anos é a moradora mais antiga da região. Fã de Raquel de Queiroz e Graciliano Ramos, a cearense disse estar orgulhosa por representar a educação especial nesta Olimpíada e faz planos para o futuro, “Eu aprendi muito com as oficinas e quero aprimorar meus estudos até onde for capaz. Eu me sinto renovada com esta experiência”.

A professora Joana define a construção do texto como uma “verdadeira saga”. A aluna contou com a ajuda de seu namorado que a acompanhou em todas as entrevistas com o objetivo de anotar as conversas. Após os encontros, Rosilda levava as anotações para a escola e, a partir delas, a professora a orientava na construção do texto. “Apesar de a escola ter sido adaptada para receber alunos com deficiência visual, nós não temos máquina de datilografia para a escrita em braile. Os alunos, assim como a Rosilda, trabalham com a punção e o reglete que são instrumentos manuais e podem causar problemas de saúde a longo prazo, por conta do esforço repetitivo. Além disso, não temos uma biblioteca equipada com livros em braile, o que limita as possibilidades. Ainda assim, ela superou as barreiras e mostrou que é possível conseguir bons resultados”, ressaltou a professora orgulhosa.

Um encontro especial

“Há um menino, há um moleque morando dentro do meu coração. Há um passado no meu presente. O menino me dá a mão e me fala coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de existir. Assim como o moleque, o menino ainda existe em mim. Nos momentos em que me sinto inseguro, o menino me dá a mão e me acalma, aquieta meu coração”.

O trecho acima foi retirado do texto Um rosto simples e calmo, um vencedor, de autoria da estudante Saionara Aparecida dos Santos, de Governador Lindenberg (ES), uma das vencedoras no gênero memórias literárias da edição 2010 da Olimpíada. O texto foi escrito a partir de uma entrevista realizada no segundo dia de oficinas com o músico mineiro Fernando Brant, compositor e um dos expoentes do Clube da Esquina, grupo composto por Milton Nascimento, entre outros nomes conhecidos da música brasileira. Os estudantes entrevistaram coletivamente o compositor e, a partir da entrevista, escreveram um novo texto de memórias literárias.

Emocionado com o que ouviu, Fernando Brant disse ter ficado muito satisfeito em ter sido convidado a participar desta etapa da Olimpíada. “Estou diante do futuro de meu país e de um belo futuro. Em 1920, o educador Anísio Teixeira já dizia que só poderíamos progredir se a educação fosse prioridade. Acredito que o Brasil tem tudo para dar certo quando me deparo com iniciativas como essa e com jovens tão interessados”, disse no encerramento do terceiro dia de oficinas.

Leia aqui o artigo escrito por Fernando Brant sobre a experiência da Olimpíada, publicado em 15 de novembro no jornal Estado de Minas.

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Semifinalistas no gênero artigo de opinião encontraram-se em São Paulo

Estudantes participaram do programa Ponto de Vista

A cidade de São Paulo foi escolhida para receber os 125 estudantes e professores semifinalistas da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, na categoria artigo de opinião, entre os dias 16 e 18 de novembro. Durante o encontro, que classificou os 38 finalistas para a grande premiação da Olimpíada em Brasília, o público pôde trocar experiências e aprofundar os conhecimentos em leitura e escrita por meio de oficinas.

O destaque do evento foi a participação dos alunos no programa Ponto de Vista na manhã do dia 18, quando os estudantes puderam debater sobre o impacto da tecnologia no dia-a-dia das pessoas. O programa, que teve duração de aproximadamente três horas, foi transmitido ao vivo pela internet e possibilitou que outros professores, alunos, familiares e amigos dos semifinalistas pudessem participar das discussões enviando pela internet perguntas e comentários.

Na primeira parte, os estudantes debateram como a internet pode ser usada como uma ferramenta para aproximar pessoas de culturas diferentes. Durante esse mesmo bloco, os alunos consideraram também como as tecnologias podem provocar o afastamento das relações pessoais.

No segundo bloco, com menos timidez, os estudantes começaram a questionar se o limite entre o público e o privado está ameaçado no mundo virtual. Algo que chamou atenção do público foi a história contada por uma estudante gaúcha. Ela contou o caso de uma amiga que postou o endereço de casa no Orkut e recebeu a ‘visita’ de uma colega paulistana que só a conhecia pela internet. A menina tinha fugido de casa e tentou se esconder na casa dessa amiga gaúcha. O caso foi resolvido quando a polícia local a encontrou em uma das praças da cidade e a escoltou até São Paulo.

“Quando escuto este tipo de história, fico com muito medo. Não costumamos pensar no lado negativo do Orkut, porque é uma boa ferramenta para fazer novas amizades, mas na verdade pode nos deixar muito expostos”, comenta a jovem pernambucana Taynara Gomes da Silva que só adiciona no Orkut pessoas conhecidas por temer sequestros e assaltos.

O terceiro bloco foi marcado pela seguinte discussão: fazer muitas coisas ao mesmo tempo prejudica a qualidade do que está sendo realizado? Para ilustrar o debate, os estudantes Wellington Mota Gama, do Amazonas, e Kelly Cristina Lobianco da Costa, do Paraná, foram convidados a participar de uma dinâmica, cujo objetivo era verificar a quantidade de informação que conseguimos absorver ao mesmo tempo. Os estudantes foram expostos a vários estímulos: falando ao celular, precisavam reconhecer quais músicas tocavam, quais notícias eram apresentadas no computador e imagens que eram mostradas para eles. “É muito difícil conseguir se lembrar de tudo. Fiquei pensando nas imagens, na conversa por telefone e nas notícias, mas fiquei realmente confusa com a quantidade de informação”, ressalta a jovem de 22 anos que participou do teste e pela primeira vez da Olimpíada.

O encerramento do Ponto de Vista foi marcado pelo duelo argumentativo entre dois alunos: a paraibana Izabel da Silva Rodrigues e o mineiro Ederaldo Silva Leandro. Ambos receberam diversas frases opinativas sobre de que forma a internet ajuda ou atrapalha as pessoas a desenvolverem ideias próprias e, em seguida, foram instruídos a construir argumentos consistentes a partir dessas frases.

Ao final, os 125 finalistas saíram diretamente do estúdio para elaborar um novo artigo de opinião, a partir dos pontos discutidos no programa.