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A dupla identidade do herói

"Desde cedo descobri no trabalho voluntário uma força superpoderosa para mudar meu mundo imediato"


Renê, representado como Batman no desenho de uma criança: fantasia que transforma. Foto: Arquivo pessoal

Depoimento de Renê Vilela Costa, Gerente de Relacionamento do Itaú Empresas, Salvador
Por Luís Gustavo Rocha, Rede Galápagos, Goiânia

Depois que uma garotinha desenhou o Batman durante a visita que fiz à escola dela, ficou claro que ela não via exatamente o Renê Vilela Costa fantasiado para mais um dia de voluntariado, e sim um super-herói salvando o mundo. Entrar em diálogo com a imaginação das crianças, o que as faz enxergar uma realidade melhorada como possível, é o tipo de coisa que me incentiva a acreditar neste trabalho. O desenho dela me mostra que minha ação pode produzir impacto positivo na vida do outro – e estou falando da formação do olhar de uma criança.

Percebo claramente que a educação é o caminho mais seguro para a transformação social de qualquer país. Foi através da escolarização que consegui conquistar meus objetivos profissionais e como ser humano. Desde cedo descobri no trabalho voluntário uma força superpoderosa para mudar meu mundo imediato. Aos 16 anos, morava na periferia de Salvador, em um local que não tinha pavimentação. Quando chovia, muitas residências ficavam alagadas e notava a tristeza no rosto das pessoas de lá. Diante dessa realidade, formamos grupos de moradores para arrecadar alimentos, roupas e materiais de higiene. Não demorou para fundarmos uma associação de moradores para reivindicar melhorias.

Todos merecem as condições para uma vida melhor, especialmente as pessoas vulneráveis socialmente. Fico feliz em ver o outro feliz. É muito forte em mim a empatia, buscar sentir o que o outro sente. Antes de provar na pele alheia, eu mesmo, quando pequeno, passei por dificuldades. Com 12 anos,  tinha de estudar à noite e trabalhar durante o dia vendendo picolé. Hoje, com 53 anos, já distante do menino que eu fui, entendo que essas experiências me ajudaram a construir um olhar sensível para o mundo. 

Leitura e brincadeiras: voluntários do Comitê Mobiliza Itaú Salvador visitam escolas públicas. Foto: Arquivo pessoal

Com colegas do Itaú, onde  atuo como gerente de relacionamento empresas, a gente se veste de algum personagem infantil e visita escolas públicas de Salvador, instituições que abrigam crianças e adolescentes em estado de vulnerabilidade social. Na época de São João e do Natal, também vamos a abrigos de idosos. Somos dez funcionários no Comitê Mobiliza Itaú Salvador e o objetivo é incentivar os colegas da instituição para o voluntariado, buscando levar a jovens e crianças diversas frentes no segmento da educação. O programa “Leia para uma criança” é um dos maiores focos.

Não consigo enumerar a quantidade de vezes que ser voluntário me permitiu fazer essa ponte com o sorriso do outro. Aconteceu, por exemplo, na Ação Voluntária Global no Parque da Cidade de Salvador, em maio de 2018. Nunca me esquecerei. Uns 80 voluntários participavam da mediação de leitura junto com brincadeiras e atividades recreativas para cerca de 500 crianças. Muitos estavam vestidos com roupas de personagens de desenho animado e outros com camisetas laranja, colorindo o ambiente.

Fiquei posicionado na entrada do parque, desta vez de Pluto, paramentado de amarelo com aquele nariz enorme. Era grande o número de crianças chegando ao local com seus pais e muitos pediam para tirar foto, além de dançar com o Pluto. Um dos pais estava com uma criança de 7 anos que tem Síndrome de Down. Após brincar e dançar com ela, passou a me seguir. O pai se emocionou com a alegria do filho. Ninguém conseguia tirá-lo do lado do cachorro Pluto. Esse momento me marcou porque a felicidade estava estampada no rosto do garoto. No final do evento, ao tirar a fantasia, todo suado, mais uma vez percebi como é bom ser voluntário.

Nas escolas públicas, outra experiência marcante é despertar o espírito empreendedor de jovens do ensino médio, ensinando como gerenciar o próprio negócio. Incentivar mostrando os caminhos para a mudança é muito importante. Acredito nisso. Todos os sábados apresento um programa na rádio comunitária do bairro, o “Alô Juventude”, para dar visibilidade a artistas jovens de comunidades carentes. Vem dando certo, porque já ajudou, até agora, no lançamento de cinco CDs. Meu sonho é que ninguém fique de fora desse mundo que tentamos fazer melhor. Não podemos parar de tentar. E não desistir nunca, assim como os super-heróis.