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Polo de desenvolvimento educacional

A difícil busca por sustentabilidade

Um dos grandes desafios das organizações de juventudes negras está na viabilização financeira dos seus projetos. O acesso a verbas comumente se dá por meio de editais públicos ou privados, recurso que, via de regra, tem data para acabar. Em geral, os contemplados são assistidos financeiramente pelo prazo de 12 meses. Ao final do período, as organizações enfrentam dificuldades para continuar e, então, voltam à linha de partida: novos editais e novos projetos.

O risco desse círculo vicioso está no fato das instituições acabarem trabalhando em ações que fogem de suas agendas para atender aos interesses dos setores privado e governamental. São raros os editais com temas diretamente ligados às pautas das organizações de juventudes negras. A saída é buscar patrocínios, mas o gargalo também é estreito. Entre os 63 projetos mapeados pela pesquisa, apenas 15 obtêm receitas dessa fonte.

Além dos editais e do patrocínio, há outras seis linhas de captação de recursos em uso pelas instituições entrevistadas: parceria, doação, prestação de serviços, venda de produtos, crowdfunding e recursos de instituições fundadoras.


Trocas sem dinheiro evidenciam a dificuldade para obter recursos
A mais popular é a parceria, que figura em 28 das organizações – 70% do total, conforme o gráfico abaixo:

Fonte: Pesquisa Nacional Sobre Organizações de Juventudes Negras

A dinâmica das parcerias é totalmente colaborativa e envolve troca de serviços sem transação financeira. Por exemplo, um espaço compartilhado ou um intercâmbio de metodologias. Sua prevalência é um sintoma da fragilidade econômica e um dos desafios à sustentabilidade das organizações.

Prestação de serviços, doação e venda de produtos são possibilidades que começam a aparecer com mais frequência nas práticas das organizações. Porém, muitas vezes exigem adequação de pessoal e estrutura que foge das atividades-fim. Além disso, é comum que requeiram algum investimento para sua boa execução.

Por fim, há o crowdfunding, espécie de vaquinha online onde pode-se dar contribuições para viabilizar a vida das entidades. Embora seja uma modalidade em crescimento, seu uso costuma ser pontual – atrelado a uma iniciativa específica e não à manutenção da organização – e seu sucesso depende da popularidade dos projetos. Além disso, o potencial de arrecadação está atrelado à confiança da população neste formato de doação e das possibilidades de contribuições generosas.

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Equipes enxutas e estrutura precária

Além de não disporem de folga financeira, as instituições entrevistadas na pesquisa do Itaú Social e do Observatório de Favelas relatam problemas para investir em recursos humanos e formação de pessoal.

Equipes enxutas e a todo tempo descontinuadas têm reflexos negativos dentro das instituições. Elas se veem obrigadas a recomeçar do zero seus processos formativos e viver rupturas na cultura de gestão, nas expertises de elaboração e na execução de projetos, assim como no conjunto das demais ações. Esse somatório de dificuldades atrapalha o desenvolvimento do capital intelectual tão importante para o desenvolvimento das ações.

Muitos entrevistados relatam, ainda, a precariedade na estrutura física. Novamente, os modelos de financiamento não ajudam. Em editais, por exemplo, gastos com impostos, água, energia, limpeza e estrutura física ficam proibidos de aparecer na lista de custo – os organizadores podem citar apenas os custos das atividades-fim. Até as despesas com banco ficam a cargo das instituições. O impacto no tamanho das organizações é direto. Apenas 23%, ou seja, nove dos projetos entrevistados, contam com mais de 30 colaboradores.

Fonte: Pesquisa Nacional Sobre Organizações de Juventudes Negras

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