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“A coordenação pedagógica está no coração da escola”

Em Nova Xavantina (MT), coordenadora pedagógica da Secretaria Municipal de Educação reflete sobre seu trabalho de pensar as melhores estratégias para garantir aos estudantes o acesso à aprendizagem com qualidade


Maria Messias Ribeiro, que cursou O Coordenador Pedagógico como Formador, no Polo: “O objetivo é engajar e animar os coordenadores, que por sua vez farão o mesmo com os professores”. Foto: Arquivo pessoal

Por Lidiane Barros, Rede Galápagos, Cuiabá
Depoimento de Maria Messias Ribeiro Santos, coordenadora pedagógica da Secretaria Municipal de Educação de Nova Xavantina (MT)

Há 36 anos me dedico à missão de educar. Fui professora em todas as etapas do ensino regular e já desenvolvi funções em vários postos da comunidade escolar. Comecei com aulas na pré-escola, depois passei por todas as séries do ensino fundamental até o nono ano e, por fim, lecionei para as classes do ensino médio. Houve vezes em que fui coordenadora ou diretora de escola. 

Há dez anos a aposentadoria bateu à minha porta. O que parecia ser o fim de um ciclo virou o início de outro. Encerrada a jornada na rede pública de ensino estadual, decidi me inscrever em um concurso da prefeitura de Nova Xavantina, na região norte de Mato Grosso. Lá estava eu recomeçando. Só que dessa vez sob outra perspectiva: a da gestão pública. 

Passei a atuar na coordenação pedagógica da Secretaria Municipal de Educação e desde então trabalho em conjunto com seis coordenadores, orientando e dando suporte a esses profissionais. O objetivo é um só: pensar as melhores estratégias para garantia da aprendizagem — com qualidade — dos estudantes das seis escolas da rede municipal. 

Desde que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) foi adotada, ela tornou-se guia, um objeto de estudo. Dois anos atrás, participei da elaboração do documento de referência para Mato Grosso, junto à equipe do Conselho Estadual de Educação. Não há conteúdo sobre o assunto que me baste. Penso que, quando se fala em educação, não podemos nunca estacionar. Ainda que nosso objetivo seja o ensino pleno, estamos formando cidadãos, e além do mais metodologias e práticas evoluem. Por esses motivos é que estou sempre à procura de cursos na área pedagógica. 

Prossigo numa incessante busca por ferramentas que nos ajudem a subsidiar o trabalho dos coordenadores aqui do município, os quais estão sempre procurando inovar em suas atividades. A internet tem sido nossa aliada no processo de encurtar distâncias. Foi no ano passado, entre uma busca e outra, que felizmente descobri o Polo, do Itaú Social. 

No percurso da BNCC, eu me interessei pelo curso O Coordenador Pedagógico como Formador, bem breve, com carga horária de quatro horas, mas com conteúdo muito embasado. A descrição me pegou de pronto porque o curso ensina como desenvolver estratégias de formação continuada alinhada à BNCC, com o objetivo de engajar e animar os coordenadores, que por sua vez farão o mesmo com os professores.

Costumo dizer que a coordenação é o coração da escola — ou está no coração da escola —, pois renova os processos, as relações, fica em estado de alerta o tempo todo, atenta ao processo de ensino e de aprendizagem, à idealização e concretização de ações, bem como ao diagnóstico e aos resultados. 

É por isso que à frente da equipe de coordenadores eu me mantenho em plena atividade, seja dentro da secretaria, seja nas escolas. Considero imprescindível fortalecer nosso vínculo, circulando pelas unidades, e dessa forma me mantenho integrada a esse organismo complexo que é a comunidade escolar. O curso realça essa necessidade de manter o radar ligado e participar ativamente de todo o processo, pois só assim vamos pensar soluções, analisando minuciosamente caso por caso. 

Com base no que havia aprendido no curso, em reuniões com os coordenadores — que por sua vez se reuniam com os professores — eu os provoquei a refletir sobre a retomada, ainda neste cenário de pandemia. Detectamos a necessidade urgente de redobrar os esforços no ensino de duas disciplinas em especial: português e matemática. 

Foram muitos os nossos desafios em uma desafiadora rotina de trabalho e eram numerosas as limitações das famílias, que muitas vezes não detinham recursos tecnológicos para acompanhar algumas atividades. Também não detinham habilidades para se moldarem às exigências impostas pelo rápido salto tecnológico a que assistimos. Então, nossa saída foi manter a distribuição regular de apostilas, o que nunca poderia substituir um atendimento constante em sala de aula. 

Com a distância imposta pelo isolamento social, quase foi perdida a conexão entre os principais agentes da comunidade escolar. Vez ou outra os professores gravavam vídeos com orientações para que os alunos pudessem desenvolver atividades, mas esse material não alcançava as turmas em sua totalidade, porque muitos alunos não conseguiam acessar esse conteúdo. 

Com base em nossa avaliação, identificamos que as classes mais prejudicadas foram as dos alunos em fase de alfabetização e as do quarto e do quinto ano, que logo ingressarão nas escolas estaduais. É que, depois do quinto ano, os alunos entram na rede de escolas estaduais para seguir sua jornada de formação. 

Foi muito importante realizarmos juntos esse trabalho. Os coordenadores e professores foram fortes aliados no desenvolvimento das ações da secretaria com foco na mitigação dos impactos da pandemia. Definimos um plano de atuação que redobra esforços no ensino do português e matemática, com mais atividades de leitura, escrita e interpretação de texto, bem como exercícios de raciocínio lógico. 

Também elaboramos juntos um plano de contingenciamento, com protocolos de biossegurança para o retorno seguro dos alunos, que do momento em que adentram os portões são monitorados ativamente. Mas, ainda que com tantas restrições, estamos mais aliviados: a escola voltou a respirar. Mesmo atrás das máscaras. Por outro lado, o brilho nos olhos de educadores e estudantes ganhou mais realce.

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