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“A base é o ponto de partida para reestruturar a educação no Brasil”

Educadora pernambucana pesquisa a importância da formação dos professores para a construção de uma sólida educação no ensino básico


Sebastiana: “Os adultos precisam estar preparados para quaisquer abordagens feitas pelos pequenos”. Foto: Arquivo pessoal

Por Ana Roberta Amorim, Rede Galápagos, Recife (PE)
Depoimento de Sebastiana Nunes, pedagoga e mestranda em educação, da linha Políticas, Programas e Gestão de Processos Educacionais e Culturais, na Universidade Federal Rural de Pernambuco. Membro do Fórum Popular Municipal de Educação do Recife e da Frente Nordeste Criança — e cursista do Polo.

Minha relação com a educação vem por meio da minha família. O desejo do meu pai era ter uma filha professora. Como minhas duas irmãs mais velhas escolheram o caminho da contabilidade, ele depositou em mim a esperança de ter uma mestra do ensino em casa. Isso pode até parecer uma imposição ou a realização de um desejo alheio, mas a verdade é que eu me descobri enquanto educadora. Não me imagino fazendo outra coisa a não ser ensinar. 

Assim que terminei meus estudos no ensino básico, parti para o magistério a fim de realizar o meu sonho, trabalhando com crianças e adultos, na EJA. Por três anos, de 1993 a 1996, permaneci fazendo o que realmente gostava. 

Mas a vida sempre acaba nos levando para caminhos inesperados e, nesse mesmo ano, saí de Serra Talhada, cidade onde nasci, no sertão de Pernambuco, e me mudei para Petrolina, no mesmo estado, onde passei mais de vinte anos. Por dez anos fiquei distante do magistério, trabalhando no ramo da construção civil em várias áreas diferentes — atuei como recepcionista e secretária, até chegar ao ponto de cuidar das finanças da empresa, compra de material e pagamento de funcionários. 

Mas, lá no fundo, eu sabia que iria voltar para a educação, onde de fato é o meu lugar. Em 2006, prestei vestibular para pedagogia. Dois anos depois, voltei para a sala de aula, trabalhando novamente com a educação básica. 

Até 2017, experimentei diferentes experiências do prazer de ensinar. Trabalhei com o programa Aprender Mais, da Secretaria Estadual de Educação, fui coordenadora pedagógica da educação infantil e ensino médio, dei aulas nos cursos de licenciatura da Universidade de Pernambuco (UPE) e atuei como coordenadora pedagógica na ONG Instituto de Educação de Petrolina — lá, conseguimos elevar as notas da Escola São Domingos Sávio, que apresentava o pior índice do município. 

Em 2020, entrei para o grupo Frente Nordeste Criança, onde me reúno com outros pesquisadores para estudarmos o fechamento das escolas, bem como as possibilidades de retorno. Esse trabalho é uma parceria com o Conselho Federal de Psicologia. Além desse projeto, estou atualmente no Fórum Popular Municipal de Educação do Recife.

No entanto, apesar de participar de tantos projetos, conviver com diferentes pessoas e ter experiências enriquecedoras, eu sentia que precisava dar um passo a mais na minha formação e resolvi tentar o mestrado. Em 2019, ingressei na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Foi essa busca pelo estudo contínuo que me levou até o curso Experiência e Protagonismo: a BNCC na Educação Infantil, oferecido pelo Polo, ambiente de formação do Itaú Social. Recebo e-mails do Itaú Social sempre me contando novidades. Quando vi que esse curso estava disponível enxerguei uma oportunidade de me aprofundar ainda mais na minha pesquisa do mestrado. 

Nessa época, entre setembro e outubro de 2020, eu já havia pagado todos os meus créditos, então estava apenas com a pesquisa. Sendo que, com a pandemia, não era possível ir a campo. Os estudos virtuais tornaram-se imprescindíveis, e especificamente este oferecido pelo Polo me chamou a atenção por condizer com o que já estava estudando.

Minha pesquisa do mestrado é centrada na necessidade do entendimento do professor para uma construtiva orientação do aluno. Minha dissertação é focada na formação do docente em gênero e sexualidade na escola básica.

O olhar especial dado à base, o cuidado e a atenção de que as crianças necessitam na hora da aprendizagem são alguns dos tópicos tratados pelo curso. A plataforma é de fácil acesso e oferece um material de boa qualidade. Durante os estudos, são trazidos históricos muito bons da Base Nacional Comum Curricular, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), várias políticas educacionais, experiências com alguns depoimentos, vídeos etc.

De tudo o que foi apresentado, o que mais me chamou a atenção foi a abordagem da Estratégia 8 das Competências Gerais da Educação Básica da BNCC. Essa estratégia fala sobre a importância de cuidar do corpo enquanto saúde física e emocional, versa sobre a educação para direitos humanos, igualdade, diversidade e outros temas correlatos. No curso Experiência e Protagonismo, a forma como essa estratégia apareceu foi de uma maneira diferente; vi uma possibilidade que não tinha percebido em outros cursos sobre o assunto que eu já havia feito. 

Minha experiência reside muito na formação do professor, principalmente na universidade, dados os anos em que atuei nos cursos de licenciatura na UPE. No entanto, reconheço e valorizo que, antes de ensinar, é preciso aprender.

Antes de o professor levar o aluno a desenvolver as competências propostas pela BNCC, é preciso que ele, educador, passe por uma formação na qual desenvolva essas competências. Vejo alguns debates sobre o tema, pessoas que são a favor ou contra a BNCC, e digo que estou do lado dos que apoiam. Ela traz uma base muito importante abordada por Paulo Freire, nas escolas de Reggio Emilia, de um grande humanismo, e eu acredito nesse espaço de desenvolvimento humano. Mas para que ela seja implantada com sucesso é preciso que o professor passe por uma formação profunda. 

Trabalhando na minha pesquisa, percebi que falar sobre gênero e sexualidade na escola básica, principalmente com crianças, é difícil não somente para os pais, mas também para os professores. Muitas vezes, pensa-se que conversas sobre o assunto só podem ocorrer durante a adolescência, quando as primeiras experiências acontecem. No entanto, entendo que os adultos precisam estar preparados para quaisquer abordagens feitas pelos pequenos, seja no sentido de curiosidade ou no de alerta de um possível abuso, por exemplo. 

Encontrar materiais sobre o assunto é extremamente difícil, dada a escassez de textos, livros e outras fontes. Por isso o meu interesse no tema e por isso a minha felicidade em ver uma nova abordagem da competência 8 da BNCC no curso Experiência e Protagonismo, do Polo. 

Para mim, a base é o ponto de partida para reorganizar e reestruturar a educação no país. A gente precisa formar professores para que eles consigam atuar na base como ela deve ser trabalhada na sala de aula. E o curso do Polo me proporcionou essa experiência. 

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