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Polo de desenvolvimento educacional

Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias – Onda 7


ONDA 7 realizada em agosto e setembro/2021, com amostra nacional
PESQUISA REALIZADA POR Itaú Social, Fundação Lemann,
Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID e Datafolha
PESQUISA QUALITATIVA e APOIO TÉCNICO Rede Conhecimento Social

Com o avanço da vacinação contra a Covid-19 no Brasil, a 7º Onda da pesquisa Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias, realizada pelo Datafolha e encomendada pelo Itaú Social, pela Fundação Lemann e pelo BID, traz dados importantes sobre o contexto de reabertura das escolas, de acordo com a perspectiva das famílias.

As entrevistas foram realizadas entre 13 de agosto e 16 de setembro de 2021, por meio de abordagem telefônica, com responsáveis por crianças e adolescentes com idades entre 6 e 18 anos da rede pública de ensino, em todas as regiões do Brasil.

A etapa qualitativa da pesquisa, realizada por meio de grupos de discussão com as famílias dos estudantes, confirmou aspectos apontados quantitativamente. Dentre eles, a apreensão quanto ao desinteresse dos alunos pelos estudos e a preocupação com a defasagem de aprendizagem.

Confira abaixo os principais resultados da pesquisa:



Reconhecimento dos professores

A grande maioria (89%) dos pais e responsáveis considera que ser um bom professor exige mais preparo do que se imaginava antes da pandemia, configurando um trabalho bastante desafiador. Para 73% dos entrevistados, os professores são o principal elo com a escola e os profissionais com a atribuição de sanar as dúvidas quanto ao retorno às aulas presenciais.

A maioria dos pais e responsáveis (74%) também reconhece que, no retorno às aulas presenciais, a presença do professor é fundamental para a evolução do processo de alfabetização.


“Aprendemos muito a dar valor a tudo, a pequenas coisas, a dar valor até ao professor lá na frente da sala, dando aula e explicando tudo direitinho.”

(Responsáveis por estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental)


Reabertura das escolas

De acordo com os pais e responsáveis, 65% dos estudantes tiveram suas escolas reabertas, a maioria com rodízio entre os alunos. Desse total, 72% retornaram às aulas presenciais, um aumento de 12 pontos percentuais quando comparado com a Onda 6 da pesquisa, realizada em maio deste ano.

Para os pais e responsáveis, recuperar a aprendizagem é o principal motivo para o retorno às aulas presenciais, em especial para aqueles de baixo nível socioeconômico (78%).

Os números evidenciam desigualdades: o retorno às aulas presenciais é maior entre estudantes brancos, moradores de centros urbanos e com altos níveis socioeconômicos.


“Dentro de casa tudo é motivo para distração. E o meu filho está sendo o mais prejudicado. Ele não sabe ler! E não está aprendendo…”

(Responsáveis por estudantes dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental)

“Eu acho que a escola é essencial para além do aprender. Socialmente também é essencial. Na convivência, os estudantes vão aprendendo ainda mais e melhorando como pessoas.”

(Responsáveis por estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental)

Entre os estudantes que não retornaram às aulas presenciais, os principais motivos apontados estão relacionados à pandemia, como fazer parte do grupo de risco (38%), ter medo de contágio (9%) e não estar vacinado (4%).

Mas, de modo geral, 88% dos responsáveis consideram que os estudantes estarão seguros no retorno às aulas presenciais.


“Se o medo das pessoas for esse, de mandar o filho para a escola porque ele vai se arriscar estando com outras pessoas… Mas e o pai ou a mãe que saem para trabalhar todos os dias, não lidam com outras pessoas? Todos aí têm carro? Não pegam Uber? Não pegam ônibus? Enfim, eu não sei qual é o medo! (…) Eu não me acostumo! Eu fico muito triste. Eu queria que meu filho estivesse estudando. Eu conheço pessoas que o filho já vai para a escola todos os dias! O filho do rico, por exemplo, na escola particular, mesmo no período sem aula presencial, tinha videoaula todos os dias. Ou seja, quem está sendo prejudicado mesmo são os pobres!”

(Responsável por estudante dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental)

Na percepção dos responsáveis, os estudantes estão mais animados, mais interessados pelos estudos e mais otimistas após o retorno às aulas presenciais. Contudo, 39% estão se sentido despreparados em relação ao aprendizado, e 19% estão com dificuldades no relacionamento com professores ou colegas.


Entre os alunos que estudam em escolas que reabriram, 59% vão alguns dias por semana e, pouco mais de um terço (35%), frequenta o ambiente escolar todos os dias.

De acordo com os responsáveis, 72% dos estudantes de escolas reabertas estão sendo avaliados quanto às dificuldades no retorno às atividades presenciais, mas apenas 36% estão recebendo aulas de reforço. Outros 36% estão recebendo apoio psicológico.


“Medo do bullying eu acho, porque ele perdeu dois anos. Ele não sabe ler e aí ele vê do lado um amiguinho que sabe. Eles sabem porque estudam em escola particular, então têm aula todos os dias….”

(Responsáveis por estudantes dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental)

A maioria dos responsáveis (58%) está recebendo apoio das escolas, principalmente os responsáveis por estudantes na alfabetização e nos Anos Iniciais.

Ter professores disponíveis para esclarecer dúvidas é a iniciativa mais importante para os responsáveis (73%). Esse apoio é maior entre estudantes brancos (76%) do que entre alunos negros (70%); e maior na rede municipal (77%) na comparação com a estadual (68%)


Eu acho que deveria se estudar uma maneira de fazer um resumão, de fazer um aulão daquilo que os estudantes deveriam ter aprendido.  Deveria concentrar melhor no português e na matemática. (…) E eu apoio a videoaula, porque você está ali cara a cara. Surgiu a dúvida, já fala com o professor. Pode ter a videoaula para complementar também, como reforço”.

(Responsáveis por estudantes dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental)


Importância da tecnologia

A grande maioria (82%) dos responsáveis prefere que, após a pandemia, todas as aulas sejam presenciais. Contudo, 87% também consideraram que o uso da tecnologia contribuiu no desenvolvimento da aprendizagem, principalmente no Ensino Médio (91%) e nos Anos Finais (88%).

Quando a questão é o fortalecimento das relações sociais com colegas e professores, a preferência é para atividades na escola. Esse dado é maior entre os entrevistados no Sudeste (89%) e menor no Nordeste e Centro-Oeste (75%).

Os responsáveis reconhecem a importância de atividades presenciais em conjunto com as remotas, principalmente para preparar para o futuro (60%) e estimular a curiosidade (60%).


Acesso aos conteúdos

A pesquisa identificou que 97% dos estudantes receberam algum tipo de atividade escolar neste ano, ainda que somente 66% tenham acesso à internet banda larga no País.

O acesso aos conteúdos é feito principalmente por meio de celular (85%). Esse número cai para 39% em relação a computadores e notebooks.


“Nem todo mundo tem uma boa internet em casa, nem um celular ou computador. É difícil estudar assim. Esses dias veio uma mãe pedir: ‘Você me empresta o wi-fi para o meu filho fazer a tarefa?”

(Responsáveis por estudantes dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental)


Risco de abandono e desafios da rotina

Pela primeira vez desde maio do ano passado, quando foi realizada a Onda 1 da pesquisa, 27% dos estudantes estão adaptados à rotina de atividades e aos estudos. Esse índice também evidencia desigualdades, uma vez que que é maior na Região Sul do País (38%) e entre estudantes brancos (31%).

Contudo, o índice de estudantes com risco de desistir da escola ainda é alto (37%), sendo maior no Sudeste (41%) e entre estudantes negros (40%).


“A minha filha disse: ‘Ah, mãe, não vou estudar mais não, estudar para quê? Não estou aprendendo nada’. Se eu fosse fazer o que ela quer, ela não estava estudando mais.”

(Responsáveis por estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental)

Segundo os pais e responsáveis entrevistados, 51% dos estudantes que tiveram as escolas reabertas estão desmotivados, e esse índice é de 58% entre os que continuam com as escolas fechadas. No caso das dificuldades com a rotina, a diferença é ainda maior: de 58% dos estudantes que tiveram as escolas reabertas e de 70% dos que ainda não têm a possibilidade de frequentar aulas presenciais.

Outro dado importante é de evolução na aprendizagem. Segundo os responsáveis, ela é maior entre os estudantes que tiveram a escola reaberta (56%) e menor entre os que continuam com atividades remotas (41%) .

Entre os estudantes matriculados, o principal motivo pelo qual podem desistir da escola é não conseguirem acompanhar as atividades (45%).


“A minha filha estava em uma transição de sonho, porque ela sabe que a escola poderia dar para ela a oportunidade de entrar na Federal, ou em um curso técnico. Foi-se por água abaixo”.

(Responsável por estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental)

Cerca de 2% das crianças e adolescentes entre 6 e 18 anos não estão matriculados na escola neste ano. Mas, dos estudantes que estão fora da escola, 82% devem retornar em 2022, segundo os responsáveis.

Desse total, o principal motivo (41%) de não estarem matriculados é a falta de vagas.


“O que a gente aprende com tudo isso é a valorizar os professores.”

(Responsáveis por estudantes dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental)