A nova pesquisa “Percepções e Desafios da Educação Infantil Pública” mostrou que 48% das redes municipais brasileiras que participaram do estudo já implementam estratégias específicas de letramento matemático na creche e pré-escola. Os dados foram apresentados durante o 11º Fórum Nacional Extraordinário, organizado pela Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação).
ℹ️ Confira os detalhes das ações da Fundação Itaú no 11º Fórum Nacional Extraordinário
A outra metade (46%) não realizou ações voltadas ao letramento matemático na Educação Infantil e 6% responderam que não sabem. Já em relação às práticas destinadas à linguagem e cultura escrita, 76% disseram que promovem práticas focadas em leitura e escrita, enquanto 20% afirmaram não contar com esse tipo de iniciativa.
O objetivo da pesquisa foi mapear e compreender os principais desafios na oferta, gestão e qualificação das creches e pré-escolas, além de identificar oportunidades de ação para o enfrentamento das lacunas encontradas. O levantamento foi realizado pelo Itaú Social e Undime, com apoio técnico do Plano CDE, e ouviu 2.712 secretarias municipais de ensino, o que representa 49% do total do país.
ℹ️ Brasil ganha nova plataforma que reúne dados sobre a Educação Infantil
Sobre o currículo da Educação Infantil nas redes municipais, 63% dos municípios que participaram do estudo disseram adotar a matriz curricular estadual, o que reforça o papel do regime de colaboração na etapa.
A maioria das unidades educacionais (77% das creches e 78% das pré-escolas) conseguiu adequar o PPP (Projeto Político Pedagógico) ao currículo. Além disso, 77% dos participantes da pesquisa responderam que os objetivos de aprendizagem presentes no documento contemplam as especificidades das crianças e do território.
ℹ️ Iniciativas buscam ampliar a oferta e a qualidade na Creche e Pré-Escola
Implementação de estratégias
O levantamento também revelou que as ações pedagógicas estruturadas e as estratégias de busca ativa estão mais consolidadas, sendo realizadas com menor grau de dificuldade pelas Secretarias Municipais de Educação.
Para 56% das redes municipais, as estratégias que envolvem garantir o acesso e a permanência da criança na escola são implementadas com facilidade, e 36% conseguem realizar apresentando algum desafio. O mesmo ocorre com ações relacionadas ao contato com o meio ambiente e a natureza, apontado por 62% e 31%, respectivamente.
Já as estratégias que envolvem a participação da família são adotadas com certa complicação por 51% das secretarias. Apenas 38% responderam que conseguem envolver pais e mães das crianças sem empecilhos.
Em relação ao uso da tecnologia, uma a cada quatro (25%) secretarias municipais consegue promover o uso de tecnologias pelos professores com facilidade e 46% apresentam algum grau de dificuldade.
Desafios
Além dos aspectos pedagógicos, a análise também identificou os principais entraves enfrentados pelas redes municipais no gerenciamento da primeira etapa da educação básica. Entre eles, 23% dos gestores apontam a infraestrutura das unidades como o maior obstáculo. Em seguida aparecem a inclusão de crianças com deficiência (15%), a gestão de vagas em creches (11%) e a implementação da Educação Integral (8%).
Para apoiar no enfrentamento desses desafios, 67% dos gestores da Educação Infantil disseram receber algum tipo de auxílio da rede estadual. No entanto, apenas 37% dos participantes responderam que recebem financiamento para reforma, construção de prédios ou outro item relacionado à infraestrutura e 27% têm suporte financeiro.
As maiores contribuições intersetoriais ocorrem por meio da oferta de formações aos professores e gestores (80%), monitoramento dos avanços educacionais (61%), desenho dos planos de ação e projetos pedagógicos (53%), auxílio na elaboração ou revisão do PPP (50%), entre outros.