A interação da família com a rotina escolar contribui para a aprendizagem dos alunos, melhoria do desempenho e prevenção dos casos de evasão. No entanto, a participação dos responsáveis de crianças e adolescentes na instituição de ensino é mais intensa nos primeiros anos da Educação Básica, diminuindo com o passar dos anos, como mostra a 10ª edição da pesquisa “Educação na Perspectiva dos Estudantes e seus Familiares”, do Itaú Social e Fundação Lemann. O tema ganha mais notoriedade nesta quarta-feira (15/05), data que celebra o Dia Internacional da Família.
Na pré-escola, 78% dos responsáveis das crianças contam com professoras disponíveis para tirar dúvidas, número semelhante às famílias com alunos nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano), que registra 77%. Nas etapas seguintes, a oportunidade de diálogo entre pais e escola oscila para baixo, pois nos Anos Finais do Fundamental (6º ao 9º ano), 68% alegam ter comunicação com os docentes e, no Ensino Médio, o índice é de 65%.
ℹ️ Interação entre famílias e escolas melhora desempenho dos estudantes
O estudo aponta que cerca de metade dos responsáveis (55%) são chamados para conversas individuais sobre os alunos. Entretanto, ao longo da trajetória escolar dos estudantes, é registrada uma queda dessa prática. Enquanto 61% das famílias de crianças na Educação Infantil têm um diálogo personalizado com os docentes, no Ensino Médio, a taxa cai para 45%.
A tendência se repete no apoio aos estudos em casa. Na pré-escola, 70% confirmam que as professoras orientam as famílias na aprendizagem das crianças em casa, mesmo número de respostas para os Anos Iniciais do Fundamental. A partir do 6º ano, há uma queda significativa dessa prática, que chega a 58%, e, no Ensino Médio, o índice vai para 48%.
ℹ️ Escola é ponto de convergência de professores, estudantes e familiares
Em média, 36% dos responsáveis pelos alunos declaram participar das comissões educativas para compartilhar experiências e ideias que contribuam com a aprendizagem dos estudantes. Na Educação Infantil, 43% dos familiares alegam frequentar esses grupos, já no Ensino Médio, 27% estão presentes.
Barreiras que dificultam a participação da família
“Hoje eu não tenho condições de ir a reuniões, porque, além de trabalhar na escola por meio período, faço faxina para manter meus quatro filhos. Sou separada e cuido deles sozinha. Saio de casa às 6 horas e volto às 22 horas”, explica uma das mães ouvidas pela série de “Pesquisas sobre Relação Família Escola”, divulgada em 2019, pelo Itaú Social, Todos Pela Educação, Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação) e Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação).
O levantamento ouviu representantes das secretarias municipais e estaduais de Educação, que listaram os desafios que impedem a participação da família na escola. Em uma escala de zero a dez, algumas das principais dificuldades mencionadas foram a falta de tempo (7,3), a sensação de não pertencimento dos pais com a instituição de ensino (7,5) e a visão de que eles são convidados apenas para tratar de problemas (7,3).
O documento também mostra alternativas para aproximar as famílias da escola. Entre as propostas estão a criação de espaços de diálogo – como reuniões e encontros com dias e horários da preferência dos responsáveis -, a mudança na abordagem que valorize aspectos positivos do estudante, orientações práticas para contribuir com a trajetória escolar do aluno e a melhora no ambiente, por meio da integração entre funcionários, cultivo de uma cultura de solidariedade, entre outras ações.