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Censo Escolar 2025: mais de oito milhões de estudantes estão em escolas de tempo integral

Modalidade supera a meta do Plano Nacional de Educação de 2024, que estabelece mínimo de 25% de matrículas em unidades com jornada superior a sete horas diárias


Nesta quinta-feira (26), o MEC (Ministério da Educação) divulgou os resultados do Censo Escolar 2025, que confirmou o aumento de mais de 900 mil matrículas em escolas que oferecem tempo integral. O crescimento foi percebido em todas as etapas da educação básica, saltando de 22,9% em 2024 para 25,8% em 2025, superando a meta estabelecida pelo PNE (Plano Nacional de Educação), que previa 25% das matrículas nessa modalidade.

A etapa que reúne mais estudantes em tempo integral são os Anos Iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 4º ano), com 2,56 milhões de matrículas e contemplam 20,9% dos alunos desse ciclo. Na sequência, aparece a creche, com 2,55 milhões de crianças em 2025 (um crescimento de 56 mil em comparação a 2024), alcançando 61,7% desse público. 

A pré-escola é a etapa que registrou a menor oferta de tempo integral. Situada entre a creche e o início do Ensino Fundamental, contabilizou 930 mil matrículas, o que corresponde a 18,3% desse público. O Ensino Médio e os Anos Finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) aparecem no Censo Escolar registrando 1,8 milhão (26,8%) e 2,3 milhões (23,7%), respectivamente.

“O país está consolidando o tempo integral como uma estratégia estruturante para enfrentar os desafios da aprendizagem e das desigualdades educacionais. Mas é importante destacar: ampliar o tempo de permanência na escola é uma condição necessária — não suficiente. Educação Integral de qualidade exige intencionalidade pedagógica. Não se trata apenas de mais horas na escola, mas de um projeto educativo que amplie oportunidades reais de aprendizagem”, explica a superintendente do Itaú Social, Patricia Mota Guedes.

O novo Censo Escolar aponta também a redução de mais de um milhão de matrículas na rede básica de ensino, caindo de 47,088 milhões, em 2024, para 46,018 milhões, em 2025. Mesmo com a queda, o levantamento mostrou estabilidade na oferta de ensino para a população em idade escolar. 

Para Patricia, a redução de matrícula está associada a fatores externos. “Estamos vivendo uma mudança estrutural na demografia brasileira. Dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) mostram que a população na faixa etária educacional vem diminuindo. Há uma consistência na redução do contingente de estudantes, o que impacta diretamente o número absoluto de matrículas”. 

Outro fator que influencia parte desse recuo é a melhoria no fluxo dos estudantes, apontando maior regularidade da trajetória escolar e diminuindo a distorção idade-série. Segundo o levantamento, 21% dos estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental em 2021 não tinham a idade adequada para a etapa. Já em 2025, o índice caiu para menos de 14%. “O país perdeu cerca de um milhão de matrículas nos últimos anos considerando o conjunto das etapas, mas a taxa de escolarização está crescendo. Isso significa que, embora haja menos jovens, uma parcela maior deles está, de fato, na escola”, argumenta Patricia.

Confira outros destaques do Censo Escolar 2025:

As matrículas nos Anos Finais do Ensino Fundamental registraram uma queda de 11.504 para 11.292, seguindo a tendência de toda a educação básica. Considerando apenas a rede pública, as matrículas passaram de 9.773.346 em 2024 para 9.552.911 em 2025. Em relação à distorção idade-série, a etapa diminuiu de 15,7% para 14,4% e manteve o mesmo percentual de 99,4% do público matriculado.

“Os Anos Finais do Ensino Fundamental são uma etapa crítica da trajetória escolar, pois representa o período em que aumentam os índices de reprovação, abandono e distorção idade-série. A expansão do tempo integral pode fortalecer o vínculo dos estudantes com a escola, ampliar oportunidades de aprendizagem e apoiar a transição para o Ensino Médio, desde que venha acompanhada de qualidade pedagógica e infraestrutura adequada”, argumenta Patricia.

As matrículas na pré-escola apresentaram uma queda de 3,8% em comparação ao ano anterior, saindo de 5,304 milhões, em 2024, para 5,103 milhões, em 2025. O índice de queda é semelhante ao do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que apontava uma diminuição de 3,6% da população de quatro e cinco anos.

O Censo Escolar 2025 mostrou que estudantes do EJA dos Anos Finais do Ensino Fundamental ingressam nessa modalidade a partir dos 16 anos, com estados registrando médias entre 18 e 19 anos. Essa tendência é oposta ao que ocorre nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, com médias de idade da maioria dos estados acima dos 25 anos.

De acordo com Patricia, essa situação ocorre por conta da fragilidade do percurso escolar. “Parte do sistema está utilizando essa modalidade como mecanismo de correção de fluxo, quando, na verdade, o que precisamos é atuar antes, prevenindo a distorção idade-série e fortalecendo a permanência e a aprendizagem nos Anos Finais do Ensino Fundamental”. 

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