Um dos resultados do estudo “Como avaliar práticas docentes? Instrumentos e evidências empíricas”, do Itaú Social, sugere a avaliação como forma de tornar o desempenho do professor mais eficaz. Segundo o levantamento, avaliações que apoiam o desenvolvimento do professor resultam em profissionais mais esforçados, resilientes perante as dificuldades e menos propensos ao estresse e à depressão.
Por consenso, as avaliações são um importante instrumento de melhoria da qualidade da prática dos professores e do ensino, sinalizado por 85,4% das pessoas consultadas, que consideram que os professores do ensino fundamental deveriam ser avaliados em bases regulares, seja semestral ou anualmente.
O estudo apresenta diversos métodos avaliativos utilizados no Brasil e no mundo, como observação direta, avaliação por simulações de situações, sondagem com diretores, coordenadores pedagógicos ou consulta com os próprios estudantes. A conclusão aponta para a necessidade de adoção de um mecanismo de análise que privilegie um sistema misto em detrimento ao único, pois combina diferentes virtudes de outros modelos, levando em conta a cultura do território e as diferentes dimensões e aspectos do trabalho docente.
Um exemplo dessas avaliações mistas ocorre em Portugal, que aplica aos docentes três instrumentos de avaliação, sendo eles o Projeto Docente, o Documento de Registro e o relatório de Auto-avaliação e parecer do avaliador interno, formados geralmente por coordenadores pedagógicos. Também são utilizadas observações de classe mandatórias para professores em estágio probatório, para aqueles que querem chegar no topo da carreira e para aqueles classificados como de desempenho insuficiente.
A conclusão apontada pelo levantamento é que, graças a essas diferentes abordagens, a política de avaliação de professores em Portugal fornece bons parâmetros de progressão de carreira e de auto-avaliação que estimulam o desenvolvimento profissional.
Profissionais da área de educação também recomendaram o que o docente deveria apresentar para ser considerado um bom profissional. O levantamento resultou em oito qualidades:
- Criatividade e capacidade de lidar com situações inesperadas na sala de aula (27%);
- Gestão de sala de aula (20,5%);
- Capacidade de autoavaliação do seu trabalho (18%);
- Preocupação com os estudantes e necessidade de tratá-los com justiça (10,7%);
- Conhecimento pedagógico (9%);
- Conhecimento da matéria que ensina (7,7%);
- Capacidade de reflexão (3,4%);
- Planejamento das classes (2,1%).
Os fatores que afetam o trabalho do docente em sala de aula são destaques no estudo. Conforme os entrevistados, causas emocionais e a formação (motivação pessoal e orientação pedagógica de qualidade) são elementos mais relevantes quando comparados às condições práticas, como o salário e a infraestrutura escolar.
O que é o “método misto”?
O método misto é quando o avaliador se utiliza dos resultados de diferentes tipos de avaliações aplicadas ou metodologias para aquele público, que podem ser “simulação”, “práticas flexíveis”, “auto eficácia” entre outros. A combinação de medidas leva a um maior poder preditivo, maior confiabilidade e mais estabilidade das medidas, segundo o estudo.
Formações
O levantamento recomenda que, a partir da coleta de dados das avaliações, as secretarias de Educação elaborem formações para os docentes, enfatizando a gestão de classe e considerando os atributos psicoemocionais desenvolvidos no ambiente de trabalho.
Uma boa formação é a segunda qualidade mais mencionada pelos entrevistados da pesquisa, com 17% de frequência, ficando atrás apenas do “comprometimento”, 25%. Outros elementos representados como qualidades de um bom professor foram: “amor” 10%, “dedicação” 9,5%, “vontade” 7%, “vocação” 6% e “gostar do que faz” 5%.
O questionário avaliou a relação daquilo que é essencial na atuação docente, conforme a opinião de 236 professores com gestores educacionais, gestores públicos, professores do ensino fundamental e universitário, especialistas em educação, jornalistas e pesquisadores da área educacional.