Nesta terça-feira (08), a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) divulgou a nova edição do Pisa (Programa Internacional de Avaliação do Estudante). O relatório apontou que estudantes brasileiros mantiveram desempenho praticamente estável em matemática e leitura e avanço em ciências.
ℹ️ Confira o artigo da Patricia Mota Guedes sobre o último Pisa
O resultado fez com que a distância entre o desempenho dos estudantes brasileiros e a média dos países da OCDE diminuísse de nove a 14 pontos nas três áreas avaliadas, embora o Brasil ainda permaneça distante desse patamar. Entre 2022 e 2025, o país passou de 379 para 377 pontos em matemática e de 410 para 408 pontos em leitura. Em ciências, avançou de 403 para 409 pontos. Já as médias da OCDE no levantamento foram de 463, 461 e 482, respectivamente.
“O Brasil não apresentou queda significativa, mas tampouco avançou de forma consistente entre 2022 e 2025. Quando consideramos os progressos no início da educação básica, com destaque para a alfabetização, é importante reconhecer que o restante da trajetória escolar exige investimentos sólidos para que essas competências sejam asseguradas a todos os adolescentes brasileiros. São aprendizados fundamentais para a continuidade dos estudos e para a participação crítica e cidadã na sociedade”, explica Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social.
ℹ️ Metade dos estudantes precisam aprimorar o nível de leitura, segundo Pisa
A matemática segue como um dos principais desafios para a educação brasileira. O levantamento apontou que apenas 28% dos adolescentes de 15 anos alcançaram pelo menos o nível básico de proficiência na área, percentual próximo ao registrado em 2022 (27%). O dado indica que a maioria dos jovens ainda encontra dificuldades em aplicar conceitos matemáticos em situações do cotidiano, como comparar a distância entre duas rotas ou converter para moedas diferentes.
Em leitura, a preocupação está na estagnação do desempenho dos adolescentes, especialmente em tarefas que exigem textos mais longos, concentração, integração de informações distintas e avaliação crítica sobre elas.
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Tecnologia
Outro destaque do Pisa foi o uso de celulares na escola. O Brasil figura entre os países com políticas mais severas às restrições dos aparelhos. Segundo o levantamento, 81% dos estudantes brasileiros frequentam escolas que proíbem o uso desses dispositivos, enquanto a média da OCDE é de 49%.
“É importante compreender que a restrição ao uso de celulares no Brasil e em outros países está associada a uma menor percepção de distração. No entanto, os resultados do Pisa mostram que os desafios vão além de simplesmente permitir ou proibir os aparelhos. É preciso incorporar a tecnologia aos processos de aprendizagem com intencionalidade pedagógica”, afirma Patricia.
Relação escola, família e comunidade
O Brasil também está acima da média da OCDE quando o assunto é a valorização da escola. O relatório revelou um aumento na proporção de estudantes brasileiros que afirmam ver sentido na experiência escolar, com 84% afirmando não considerar a escola uma perda de tempo, crescimento de 6,9% em comparação a 2022. O resultado supera a média da OCDE, que totalizou 76%.