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Pesquisa e desenvolvimento Pesquisas na Pandemia

A percepção de famílias e educadores

Itaú Social e parceiros do terceiro setor ampliam a realização de pesquisas educacionais com abrangência nacional. Sondagens confirmam aumento da desigualdade e mostram as famílias valorizando mais os professores e mais próximas do aprendizado dos filhos

Pesquisa encomendada ao Datafolha promoveu a escuta sistemática da percepção das famílias e foi realizada em cinco ondas em 2020: análise e publicação de resultados a tempo de ajudar os tomadores de decisão e colaborar para o debate público

No ano de 2020, durante um período em que a imensa maioria das escolas em todo o território nacional estava com aulas presenciais suspensas por causa da pandemia de Covid-19, foram realizados diversos estudos e pesquisas para compreender e dimensionar os possíveis efeitos dessa suspensão e como estavam sendo percebidos. O esforço conjunto de parceiros do terceiro setor na escuta das redes de ensino, dos docentes, dos estudantes e de seus familiares resultou em uma série de pesquisas amplas e ágeis, que produziram resultados  a tempo de orientar tomadores de decisão, ainda em meio à crise.

Incluem-se nesse conjunto pesquisas lançadas já no início da pandemia, como a realizada pela Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), com o apoio do Itaú Social, UNICEF e CIEB (Centro de Inovação para a Educação Brasileira), para ampliar a compreensão de como as secretarias municipais estavam respondendo aos desafios da pandemia no que diz respeito ao ensino remoto, protocolos e necessidades de apoio. Uma outra série de pesquisas marcaria o início de uma escuta sistemática da percepção das famílias, com representatividade de amostra, tanto nacional quanto por região. Encomendada pelo Itaú Social, Fundação Lemann e Imaginable Futures, a série Educação não presencial na perspectiva de estudantes e suas famílias teve o apoio técnico da rede Conhecimento Social e foi realizada pelo Datafolha em cinco ondas ao longo de 2020.  

A pesquisa foi iniciada com o propósito de entender e mapear o alcance do ensino remoto e acabou se desdobrando, sempre sob o olhar das famílias, para compreender o nível de engajamento dos estudantes, suas dificuldades e medos. As últimas ondas, como a quinta, realizada em novembro, abordou também a retomada e a reabertura das escolas. As análises foram feitas em diálogo com os parceiros, incluindo gestores de secretarias municipais e estaduais, que colaboraram também na formulação das questões das ondas seguintes. Os dados detalhados das diversas séries foram analisados de forma conjunta, resultando nos Retratos da educação no contexto da pandemia do coronavírus publicados em 2020, como este, de outubro.

A série realizada com o Datafolha chama atenção para três fatos identificados em 2020, sintetizados a seguir.

  • A pandemia intensificou desigualdades. Estudantes das regiões Norte e Nordeste foram os mais prejudicados. Famílias de baixa escolaridade e com menos recursos tiveram maior dificuldade de acompanhar e manter o engajamento de seus filhos. Ao longo das ondas, sempre ao menos ⅓ dos respondentes indicou medo de que seus filhos abandonem os estudos, sobretudo pela dificuldade em acompanhar as aulas. As dificuldades para famílias com crianças nos anos iniciais do Fundamental também mereceram destaque.
  • O professor está sendo mais valorizado pela família. As famílias passaram a valorizar ainda mais o professor como o principal vínculo com o aprendizado e contato com a escola.

Um dos principais fatos reportados na série de pesquisas mostra que 2020 foi um ano de inflexão na relação que os responsáveis pelos estudantes mantinham com o universo escolar e que, de diversas maneiras, as famílias estreitaram o contato com o aprendizado dos filhos e com a escola.