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Pesquisa aponta que 74% dos alunos das redes públicas recebem algum tipo de atividade não presencial durante a pandemia


Estudo encomendado ao Datafolha pelo Itaú Social, Fundação Lemann e Imaginable Futures tem o objetivo de fornecer dados que ajudem na estratégia da oferta de atividades aos alunos

Em um esforço conjunto de secretarias de educação, gestores e professores, a rede pública de ensino brasileira está conseguindo ofertar atividades não presenciais aos estudantes. Ao mesmo tempo, pais ou responsáveis e os próprios alunos tentam se adaptar ao novo cenário gerado a partir da pandemia de Covid-19. É o que aponta a pesquisa “Educação não presencial”, realizada pela Datafolha, a pedido do Itaú Social, Fundação Lemann e Imaginable Futures.

A pesquisa tem por objetivo apoiar os gestores públicos com dados e evidências para um melhor planejamento das suas ações na pandemia. “Os desafios são muitos, tanto dos estudantes quanto dos professores e gestores, que precisam pensar em novas formas de ensino-aprendizagem para manter a motivação e evitar o abandono escolar”, explica a superintendente do Itaú Social, Angela Dannemann.

Em cerca de três meses de suspensão das aulas, 74% dos estudantes das redes municipais e estaduais estão recebendo algum tipo de atividade para fazer em casa. Entre os alunos do Ensino Médio, esse número chega a 85%.

As atividades e o conteúdo pedagógico foram ofertados por meio de algum equipamento tecnológico, como internet pelo celular ou computador, TV ou rádio, para 37% dos respondentes; por meio de equipamentos tecnológicos e material impresso para 34%; e apenas 3% recebem somente material impresso.

Apesar das redes públicas avançarem para não interromper o aprendizado dos seus alunos na pandemia, as desigualdades regionais trazem muitos desafios. A pesquisa aponta que, na região Norte, pouco mais da metade dos alunos (52%) receberam atividades escolares na pandemia, e no Nordeste, 61%. Em contrapartida, na região Sul, 94% dos estudantes receberam algum tipo de atividade pedagógica não presencial, seguido por Sudeste, 85%, e Centro-Oeste, 80%.

Do total de respondentes, 24% dos estudantes das redes públicas não receberam nenhum tipo de atividade não presencial. Essas crianças e adolescentes são, na maioria, moradoras de favelas ou comunidades (57%), estudam em escolas municipais (67%), cursam o ensino fundamental 1 ou 2 (90%) e são negras (60%). 42% residem na região Nordeste e 22% no Norte do país.

Os pais ou responsáveis apontam a falta de comunicação ou de explicações por parte das escolas como um dos principais motivos para o não acesso às atividades durante a pandemia (40% justificam desta forma).

Como estudam em casa?

A rotina dos estudantes em casa foi outro ponto abordado com pais e responsáveis. 84% dizem que os alunos se dedicam mais de uma hora por dia aos estudos em casa, sendo que 29% passam mais de três horas diárias. E 82% estão fazendo a maioria das atividades enviadas pela escola.

Entre as principais dificuldades das atividades não presenciais estão: acesso à internet (23%), dificuldade com conteúdo (20%), falta de equipamentos (15%) e falta de interesse no conteúdo (15%).

A pesquisa mostra, ainda, que metade dos pais ou responsáveis dos alunos que receberam algum material acredita que o aprendizado está evoluindo em casa e 54% veem motivação dos alunos nas aulas. 71% também acreditam que o relacionamento em casa não piorou após o início das atividades remotas.

Por outro lado, 31% dos respondentes demonstraram preocupação com a evasão escolar. Esse percentual é ainda mais alto entre famílias com baixa escolaridade e menor renda. Entre os pais que declararam ter receio do estudante desistir de frequentar a escola quando as aulas voltarem, o percentual é maior para responsáveis com apenas o ensino fundamental (40%), com renda de até dois salários mínimos mensais (36%) e das escolas com menor nível socioeconômico.

Para acessar o conteúdo na internet, a maioria das famílias (95%) possui telefone celular. 59% dizem ter internet banda larga na residência. 50% afirmam ter de um a três equipamentos com acesso à internet, 46% com mais de quatro equipamentos e apenas 4% sem nenhum equipamento.

Aqui também as diferenças regionais são grandes. Enquanto nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste os estudantes com internet banda larga são, respectivamente, 71%, 65% e 65%, na região Norte apenas 37% declararam possuir internet, e 53% no Nordeste.

A pesquisa

Foram realizadas 1.028 entrevistas com pais ou responsáveis por 1.518 estudantes da rede pública em todo o Brasil entre os dias 18 e 29 de maio. A margem de erro máxima para o total da amostra é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. A pesquisa quantitativa teve abordagem telefônica, a partir de sorteio aleatório de números de celulares.